Delegação grega visitou USF portuguesas para conhecer modelo das unidades de saúde familiares

Uma delegação grega esteve em Portugal para conhecer a reforma dos cuidados de saúde primários. Os modelos de organização, contratualização e monitorização de indicadores nas USF são os temas de maior interesse para Pavlos Theodorakis, responsável pela Comissão de Reforma dos CSP do Ministério da Saúde da Grécia. Em declarações à Just News, realçou a “importante troca de experiências que vai continuar após a visita a Portugal”.

O grupo grego, acompanhado por especialistas da OMS, esteve de visita a Portugal para conhecer de perto a reforma que se tem implementado nos CSP portugueses. “Na Grécia, os CSP são muito deficitários e pretende-se reformar o sistema, para que os cidadãos gregos possam ter acesso a um médico de família”, explicou Pavlos Theodorakis. O responsável sublinhou a importância desta visita, que contou com a ajuda da OMS, “como forma de conhecer no terreno como se consegue reformar um sistema de CSP, apesar dos constrangimentos económico-financeiros”.

Questionado sobre a realidade grega, Pavlos Theodorakis foi pragmático: “Estamos muito atrasados. Não temos médicos de família, as unidades mais próximas são constituídas por médicos de várias especialidades, funcionando mais como um hospital.”

A intenção de se fazer uma reforma nos CSP só teve início, formalmente, em fevereiro deste ano, portanto, “ainda temos um longo caminho a percorrer”. Mas garante que “existe uma grande vontade para prosseguir”. Em Portugal, esteve, sobretudo, atento às questões da organização, contratualização e monitorização de indicadores na visita a três USF: Marginal (Cascais), São Julião (Figueira da Foz) e Fernão Ferro +.

A Just News falou com Maria da Luz Pereira, presidente do Conselho Clínico do ACES Almada/Seixal, que recebeu a delegação grega na USF Fernão Ferro +. “O nosso modelo é muito bom e é um exemplo a seguir, mas deve evitar-se, como acontece atualmente entre nós, que a contenção de custos leve a gastos maiores”. E dá um exemplo: “Querer poupar na frota automóvel pode significar ter maiores gastos com idas à oficina e com táxis.”

Mas também considera que os gregos devem ver que a contenção, associada à reforma, pode ser muito positiva: “Uma das medidas mais corajosas em Portugal foi a possibilidade de escolher os medicamentos mais custo efetivos, com comprovada eficiência científica.”

No fim da visita, Maria da Luz Pereira sublinhou que os colegas gregos “podem sempre contar com o apoio dos profissionais portugueses”.

A visita da delegação grega e dos especialistas da OMS surgiu no âmbito de um programa de intercâmbio de conhecimentos e experiências para conhecer de perto as USF e o processo de contratualização dos CSP. A iniciativa contou com o apoio da Associação Nacional de USF (USF – AN).

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