Infeção VIH: DGS quer assegurar que 90% dos doentes com tuberculose façam teste de despistagem

A diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH, SIDA e Tuberculose, Isabel Aldir, lembrou, em vésperas do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinala a 24 de março, que um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde é conseguir que 90% dos portugueses com tuberculose façam o teste de despistagem do vírus da SIDA.

Essa é apenas uma das metas que o Programa da DGS, atualmente coordenado por aquela médica, traçou para conseguir diagnosticar o maior número possível de casos de infeção pelo VIH e o mais precocemente que se puder.


Germano do Carmo fez o enquadramento do tema desenvolvido por Isabel Aldir: "Infeção por VIH em Portugal: desafios para 2017".

Isabel Aldir alertou para esta matéria na palestra que proferiu na última sexta-feira, no âmbito do 37.º Ciclo de Conferências promovido pelo Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Lisboa Norte e que teve como palco a Sala de Aula Professor Morais David, no Hospital de Santa Maria.

A responsável, que é diretora médica do Hospital de Egas Moniz, aproveitou, entretanto, para fazer o ponto da situação relativamente à epidemia de SIDA em Portugal. Segundo o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, e com base em avaliação efetuada a 28 de fevereiro último, os dados disponíveis indicam que, em 2016, foram registados, pelo menos, 797 novos diagnósticos de infeção pelo VIH (vírus da imunodeficiência humana), dos quais cerca de 19% (156) eram já casos de SIDA.

Acrescentou ainda que 36% desses novos diagnósticos ocorreram em homens que fazem sexo com homens.



Isabel Aldir defendeu que “deve continuar a investir-se na distribuição de materiais preventivos e informativos”, dando como exemplo o Programa de Troca de Seringas, acrescentando: “Devemos apostar também noutras formas de prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP), cuja norma de orientação clínica está em elaboração.”

“É importante que se permitam novas formas de referenciação, tornando o percurso do doente e o seu acesso ao serviço de saúde o mais facilitado possível”, afirmou a diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH, SIDA e Tuberculose, acrescentando:



“No que respeita ao tratamento, é essencial perceber os motivos que levam a população que vive com VIH a não estar sob terapêutica antirretrovírica, apostar na revisão das recomendações e das normas de orientação clínica e na formação dos profissionais.”

Fazendo referência ao sistema de informação SI.VIDA, Isabel Aldir afirmou que já está disponível na maioria dos hospitais que seguem pessoas com VIH e que a sua implementação será concluída em 2017.



O 37.º Ciclo de Conferências sobre Doenças Infeciosas contemplou, neste 2.º trimestre 2016/2017 (janeiro a março), a realização de duas palestras por mês, dando seguimento a um trabalho desenvolvido ao longo dos anos, de forma continuada, que permite a todos os interessados terem um contacto próximo com especialistas nacionais e estrangeiros, referências nas suas áreas de atuação.

A Comissão Organizadora da iniciativa integra os médicos Germano do Carmo, Luís Caldeira, Emília Valadas, Alexandra Zagalo, Carla Santos e Nuno Janeiro.


Alexandra Zagalo, Germano do Carmo, Emilia Valadas, Isabel Aldir e Luis Caldeira.




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