Um GPS para a diabetes: «O fármaco mais eficaz é a boa relação entre profissional-paciente»

Abordar demasiado as complicações da diabetes na primeira consulta pode por em causa a confiança entre profissional de saúde e doente. O alerta é de Eurico Silva, médico de família na USF João Semana e membro da comissão organizadora e científica das VII Jornadas de Diabetes da Feira. O evento decorreu em Espinho, no final de outubro, subordinado ao lema: “Um GPS para a Diabetes”.

A reunião, que teve 300 inscrições de especialistas dos cuidados hospitalares, bem como dos cuidados de saúde primários, foi organizada pela Associação Diabético Feira (ADF), presidida por Dulce Silva, médica internista no Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga.


Dulce Silva e Eurico Silva

Transmitir “segurança e confiança"

“O que não fazer numa primeira consulta?” foi um dos temas centrais da reunião, cuja sessão foi moderada exatamente por Dulce Silva, tendo participado nesta mesa redonda Camila Pinto e Alexandra Ramalho, médicas de família na USF Famílias e USF João Semana. 

Em declarações à Just News, Eurico Silva explica os dois principais erros que se cometem no primeiro contacto com os doentes. “Não se pode ir pelos extremos, ou seja, não se deve assustar as pessoas com as várias comorbilidades desta patologia, mas também não se pode desvalorizar o seu estado de saúde, dizendo que se trata de ‘uma diabetes ligeira’”.

O médico de família frisou ainda que, o mais importante, é transmitir “segurança e confiança, garantindo que o utente vai ter o seu apoio sempre que precisar”. O responsável mencionou mesmo que “o fármaco mais eficaz e com menos efeitos secundários é a boa relação entre profissional-paciente”.

Além disso, “quer o utente, como os médicos e os enfermeiros, devem tomar o ‘comprimido da motivação’, que é uma ajuda muito grande no controlo da doença”.



"Jornadas de proximidade"

O evento teve início dia 26 de outubro, com um curso pré-congresso sobre “Insulinoterapia – Intensificação na diabetes tipo 2”, que contou com a intervenção de médicos e enfermeiros do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga.

Ao longo dos dois dias seguintes foram "explorados alguns caminhos alternativos da diabetes". A reunião permitiu, assim, "pensar na alimentação e no microbioma sob nova perspetiva, no valor acrescentado dos hipoglicemiantes, tendo também atenção aos fármacos que a agravam, e discutir as tecnologias de informação". Houve ainda espaço para a apresentação de trabalhos de investigação e revisão em formato de poster.

Para Eurico Silva não há qualquer dúvida de que o evento resultou, novamente, muito bem. Além do mais, “manteve-se o sucesso de juntar médicos, enfermeiros e nutricionistas, de cuidados primários e secundários, a partilharem ideias, experiências e motivação, numas jornadas de proximidade”.


Comissão Organizadora das Jornadas

"Somos o que comemos"

O que também marcou o evento foi a escolha dos alimentos e das bebidas escolhidas para os momentos de pausa. “Numa ótica educacional e de bem-estar, a comissão organizadora teve especial atenção com o catering, para que as opções alimentares fossem congruentes com as temáticas abordadas, ou seja, não tivemos mesas apenas com bolos e sumos”, referiu.



Para Eurico Silva, foi também um modo de mostrar aos participantes sugestões saudáveis para eles próprios e para os seus utentes. “Somos o que comemos e comemos o que temos disponível e partilhar estas dicas são de extrema importância no controlo da pandemia da diabetes”, observou.

O especialista de MGF na USF João Semana foi, aliás, o moderador de uma mesa redonda exatamente sobre o tema "Somos o que comemos?",  onde participaram nutricionistas de vários centros hospitalares, que discutiram aspetos da alimentação em situações clínicas particulares e sobre como deve ser a roda dos alimentos da pessoa com diabetes.



seg.
ter.
qua.
qui.
sex.
sáb.
dom.

Digite o termo que deseja pesquisar no campo abaixo:

Eventos do dia 24/12/2017:

Imprimir