Encerramento do apêndice auricular evita AVC em doentes com fibrilhação auricular

O encerramento do apêndice auricular esquerdo é uma técnica aplicada em doentes com fibrilhação auricular (FA) para prevenir fenómenos tromboembólicos, nomeadamente o AVC. Constitui uma opção para os pacientes que não podem fazer anticoagulação. O tema vai ser discutido na próxima sexta-feira, na 1.ª edição da reunião "New Frontiers in Cardiology – Focus on LAA Closure", presidida por Fausto Pinto.

Em declarações à Just News, Fausto Pinto, diretor do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte e presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia, adianta que o principal objetivo desta reunião, que decorre na Aula Magna da FMUL, é fazer uma atualização e formação específica na área do encerramento do apêndice auricular e mais abrangente em termos do tratamento dos doentes com FA que necessitam de fazer a prevenção de eventos tromboembólicos.

“Um doente com FA tem cerca de 5 vezes maior risco de doença vascular cerebral. Além disso, o AVC num doente com FA é mais grave, com uma mortalidade de cerca de 50% ao ano, sendo que as pessoas que sobrevivem ficam bastante debilitadas”, adverte o especialista.

De acordo com Fausto Pinto, hoje em dia, existem duas opções: ou se faz anticoagulação oral ou o encerramento do apêndice auricular esquerdo, uma vez que é neste local que habitualmente se alojam os trombos e os coágulos que depois migram e originam fenómenos tromboembólicos, nomeadamente o AVC.

Eduardo Infante de Oliveira, cardiologista de intervenção do CHLN e um dos três diretores desta reunião, clarifica que a estratégia de profilaxia habitual é realizada com medicamentos anticoagulantes. No entanto, adverte, “calcula-se que 1/3 dos doentes com FA apresentem importantes contraindicações para a medicação anticoagulante, que aumenta o risco hemorrágico”, havendo, portanto, uma percentagem muito importante de doentes que podem beneficiar da técnica do encerramento do apêndice auricular esquerdo.

“Na classe de doentes que não toleram a medicação anticoagulante ou que têm contraindicação, a alternativa é a via minimamente invasiva para reduzir o risco embólico”, indica, lembrando que a técnica do encerramento do apêndice auricular esquerdo foi introduzida no Centro Hospitalar Lisboa Norte e em Portugal em 2009.

O programa da reunião "New Frontiers in Cardiology – Focus on LAA Closure" pode ser consultado aqui.

Imprimir