Enfermagem hospitalar: o desafio de aliar exigência e rigor à motivação

A nova presidente da Associação de Diretores de Enfermagem, Áurea Andrade, admite à Just News que uma das tarefas mais desafiantes com que estes responsáveis se deparam no dia-a-dia é conseguir manter os enfermeiros com elevados níveis de motivação e de vinculação às suas instituições sem penalizar “a exigência e o rigor que queremos e devemos manter”.

A enfermeira diretora do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que tomou posse do cargo no início de julho, não tem dúvidas em considerar que gerir pessoas “é a nossa principal função e a que reclama mais atenção”.


Áurea Andrade

Reconhece, a esse propósito, que nos últimos tempos a pandemia de covid-19 fez com que, “nalguns momentos, tenha sido muito difícil manter esse equilíbrio”, ou seja, conseguir que os profissionais de enfermagem continuassem focados na prestação de cuidados de excelência sem mostrarem sinais de desmotivação.

Áurea Andrade, 57 anos, que já era vice-presidente da Associação de Diretores de Enfermagem (ADE) no mandato anterior (2017-2020), diz que a equipa que lidera pretende, nos próximos 3 anos, “contribuir para o desenvolvimento das linhas estratégicas para a gestão e segurança dos cuidados de enfermagem”. E ainda “potenciar o desenvolvimento de sinergias institucionais, promovendo a partilha de projetos institucionais e o trabalho em rede".

Sucede no cargo a José Ribeiro, enfermeiro diretor do CH Tâmega e Sousa, que iniciou funções em 2018, cumprindo um mandato.



"Interação constante com todas as áreas de gestão"

Fundada a 7 de outubro de 1998, a ADE agrega os enfermeiros diretores das quatro dezenas de hospitais e centros hospitalares do SNS. “Integramos os Conselhos de Administração como vogais executivos e, no desempenho do cargo que nos foi confiado pela tutela, é importante dar evidência à relevância do papel que assumimos na cadeia de valor das organizações e na gestão estratégica da saúde”, afirma Áurea Andrade.

A responsabilidade da direção técnica dos cuidados de enfermagem, que é inerente ao cargo desempenhado, “determina uma interação constante com todas as áreas de gestão das nossas organizações, com os serviços de prestação de cuidados e com os serviços de suporte à prestação de cuidados e de logística”.



“Um conhecimento profundo da orgânica e funcionamento das organizações”

Reclamando serem os enfermeiros diretores “detentores de um conhecimento profundo da orgânica e funcionamento das organizações de saúde”, a presidente da ADE considera que o mesmo “deve ser capitalizado e rentabilizado em prol da melhoria e da segurança dos cuidados de saúde prestados às pessoas, em articulação com a comunidade”.


Áurea Andrade faz questão de sublinhar o papel “muito importante” dos profissionais que agora representa ao nível da formação no âmbito da disciplina de enfermagem. “Contribuímos para o desenvolvimento dos processos formativos e de investigação, identificando quais os vetores estratégicos para a enfermagem portuguesa”, afirma.

Na sequência de um convénio assinado pela anterior Direção da ADE com a sua congénere espanhola, a Associacion Nacional de Directivos de Enfermeira, continuar-se-á a apostar no “estreitar de laços” entre os enfermeiros diretores de ambos os países. O principal objetivo é “potenciar as parcerias e o trabalho conjunto na área da gestão em enfermagem”, especifica Áurea Andrade; acrescentando:

“Pretendemos, num futuro próximo, alargar este tipo de parcerias a outras entidades similares, pois, entendemos ser de primordial importância a articulação entre enfermeiros de vários países na construção do conhecimento e na melhoria da gestão estratégica em enfermagem.”


Direção da AED: Nélia Faria, Lurdes Ponciano, Áurea Andrade, Artur Carvalhinho, João Formiga e Rui Miguel Cruz (ausente na foto: José Manuel Chora)

Integrar na Associação os enfermeiros dos ACES

A presidente da ADE confirma que se mantém a ideia de vir a integrar na Associação os enfermeiros que assumem a função de vogal nos ACES (Agrupamentos de Centros de Saúde). Mostra-se mesmo convicta de que “a implementação de práticas que visam a integração de cuidados será, assim, muito mais consistente”.

“Apesar de se terem verificado melhorias, nos últimos anos, no processo de comunicação e de interação entre os CSP e os Cuidados de Saúde Hospitalares -- e, mais recentemente, também com os Cuidados Continuados Integrados --, ainda há muito trabalho a fazer em termos de integração, por forma a garantir a continuidade de prestação de cuidados seguros a todos os cidadãos”, garante Áurea Andrade.


José Ribeiro e Áurea Andrade

Enfermeira diretora do CHUC desde maio de 2017

Áurea da Cruz Flamino de Andrade licenciou-se em Enfermagem em 1988, na Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto, tendo-se especializado em Enfermagem Médico-Cirúrgica em 1995. Com uma pós-graduação em Gestão de Serviços de Saúde (2004), fez o PADIS - Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde (2019).

Foi enfermeira diretora do Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede (entre 2007 e 2012), tendo assumido idêntico cargo no CHUC em maio de 2017, estando a cumprir o seu segundo mandato, iniciado em junho de 2020.



Corpos Gerentes da Associação de Enfermeiros Diretores
(Triénio 2021-2023)

Assembleia-Geral
Presidente - João Teles, Hospital de Magalhães Lemos
Vice-presidente – Júlio Azevedo, CH de Trás-os-Montes e Alto Douro
Secretário – Renato Barros, ULS de Matosinhos

Direção
Presidente – Áurea Andrade, CH e Universitário de Coimbra
Vice-presidente - José Manuel Chora, ULS do Litoral Alentejano
Secretário – Rui Miguel Cruz, Hospital Distrital da Figueira da Foz
Vogal - Nélia Faria, ULS da Guarda
Tesoureiro – João Formiga, Hospital Distrital de Santarém
Suplentes – Artur Carvalhinho, Hospital Arcebispo João Crisóstomo – Cantanhede, e Lurdes Ponciano, CH do Oeste

Conselho Fiscal
Presidente - José Ribeiro, CH do Tâmega e Sousa
Secretário – Urbano Rodrigues, ULS do Nordeste
Vogal - Ana Luísa Bastos, Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães
Suplente – Emília Fael, CH de Leiria

Conselho Disciplinar
Presidente – Eduardo Alves, CH do Porto
Secretário – João Moreira, IPO de Coimbra Francisco Gentil
Vogal – Lucinda Godinho, CH do Baixo Vouga
Suplente – Fátima Faria, Hospital de Braga

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