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Enfermeiras organizam Mini USF das Conchas e recebem 250 crianças «fora do contexto de doença»

A Mini USF das Conchas, uma iniciativa dirigida a crianças entre os 5 e os 7 anos, realizou-se este ano pela primeira vez e os resultados ultrapassaram todas as expectativas.

Organizado pela equipa de Enfermagem desta unidade de saúde familiar, em Lisboa, o projeto teve a “colaboração da restante equipa", explica Marisa Marques, enfermeira especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica e a grande impulsionadora da ideia, juntamente com a sua colega Isabel Almeida.


Marisa Marques

Ao longo de cinco dias, o espaço exterior à USF das Conchas, no Hospital Pulido Valente, acolheu cerca de 250 crianças, em grupos de 25 a 30. O objetivo era claro: “Promover o contato das crianças com os profissionais de saúde, fora do contexto de doença ou consulta de vigilância.” Em declarações à Just News, Marisa Marques explica qual a sua relevância:

“Em nossa opinião, promove uma maior proximidade e maior confiança, com as crianças e com a comunidade, sendo também uma ótima maneira de realizar educação para a saúde de forma informal.”

Promoção e educação para a saúde

Distribuídos por 5 bancadas, designadas de países, eram desenvolvidas algumas atividades na promoção e educação para a saúde:

Mesa 1 - O País das emoções - onde serão abordados o bullying, diversidade de pessoas e as emoções
Mesa 2 - O País do Planeta - onde será dado enfase à reciclagem
Mesa 3 - O País da alimentação saudável, através da Hortinha das Conchas, Jogo dos alimentos
Mesa 4 - O País da atividade física, através de jogos tradicionais
Mesa 5 - O País da Higiene, que engloba higiene oral, higiene das mãos

Em cada uma destas bancadas foram desenvolvidas "atividades interativas que promoviam a aquisição de competências e consciencialização das crianças para estas temáticas através da brincadeira". O objetivo era a criança "passar pelas 5 bancadas e obter um carimbo em cada uma delas que lhe dava no final o Diploma de conclusão da volta ao mundo na Mini USF das Conchas".

"Não queria que este dia acabasse"

"A adesão surpreendeu-nos em muito", reconhece a responsável pelo projeto: "Não estávamos nada à espera de receber cerca de 250 crianças e, enquanto decorria a semana, fomos ainda abordadas várias vezes a solicitar a inclusão de mais grupos de crianças, o que nos leva a pensar, que esta é uma estratégia viável e muito em recebida, pelas crianças e comunidades".

Marisa Marques afirma que "as crianças pareceram-nos muito felizes com esta iniciativa" e quando lhes foi pedido para avaliarem o dia, considera que "o feedback não podia ser mais positivo" e partilha algumas das frases que as crianças escreveram: ´este foi o dia mais feliz da minha vida`, ´não queria que este dia acabasse`, ´Eu adorei e gostei muito das mentoras, espero voltar em breve, adeus`, ´lindo dia no hospital`, ´o dia de hoje foi fixe`. "Deixa-nos muito felizes e com sensação de missão cumprida."


A iniciativa, associada ao Dia da Criança, decorreu ao longo de cinco dias durante o mês de junho  

Alunos de Enfermagem "dentro e fora do seu horário de estágio"

Se é certo que não é muito habitual a realização de ações como esta no âmbito dos cuidados de saúde primários, é ainda mais difícil encontrar projetos que contam com o envolvimento de Escolas de Enfermagem e com uma participação tão ativa dos alunos.

Marisa Marques confirma que "os alunos de Enfermagem envolveram-se por completo na atividade, deram o seu melhor, dentro e fora do seu horário de estágio. Patilharam connosco que foi uma experiência muito enriquecedora e gratificante".

E, se dúvidas houvesse, "disponibilizaram-se já para participar em ações futuras, o que para nós demonstra que foi verdadeiramente uma experiência muito positiva".


Alguns profissionais da USF das Conchas com estudantes de Enfermagem que estiveram envolvidos na iniciativa

Visão abrangente do que pode ser a Enfermagem na comunidade

A oportunidade de estudantes de Enfermagem participarem em projetos como o da Mini USF das Conchas contribui também para reforçar uma certa mentalidade.

“A consciência de que a intervenção da Enfermagem pode ser muito mais do que prestar cuidados dentro das unidades é uma realidade que os alunos por vezes não possuem", refere Marisa Marques. E acrescenta: "A perspetiva de que se pode intervir de várias maneiras consoante a população que queremos atingir, alarga os horizontes dos alunos e permite uma visão bem mais abrangente do que a enfermagem na comunidade pode ser."


O convite às escolas da área de influência da USF foi recebido com "enorme interesse"


Espaço exterior relvado, acolhedor e seguro

Para o sucesso da Mini USF das Conchas não foi irrelevante o facto de se realizar ao ar livre. "Para nós, a iniciativa só faria sentido fora das paredes da unidade, num ambiente neutro onde as crianças e profissionais se encontrassem fora das dinâmicas normais das idas à USF", explica Marisa Marques.

A existência deste espaço em frente à unidade, "gentilmente cedido pelo conselho de administração do CHULN, possibilitou-nos a nós, enquanto unidade, poder desenvolver esta atividade num ambiente de grande liberdade, para que as crianças se exprimissem livremente. Possibilita também o contato da criança com a instituição Hospital num contexto diferente".

Por outro lado, a iniciativa teve também o apoio da Junta de Freguesia do Lumiar, "que se mostrou, desde o início, disponível para colaborar connosco, tendo dispensado alguns bens essenciais a serem entregues às crianças no final da atividade".


Ajudar as crianças a identificarem emoções

As 5 mesas ou espaços da iniciativa tiveram uma "excelente participação das crianças", mas a dedicada às emoções "foi claramente a que se destacou", refere Marisa Marques.

Intitulada "O País das emoções", pretendia essencialmente "promover a expressão de sentimentos e ajudar de alguma forma as crianças a identificarem emoções, emoções essas que esperávamos que passassem pelo medo do escuro, medo de monstros, o desconhecido". Contudo, "...não foi isso que aconteceu".

E o que aconteceu então? "Houve, sim, crianças que manifestaram estes medos, mas muitas delas surpreenderam-nos, transbordaram o que sentiam na alma. Abordaram a temática da morte, as vivências de luto, traumas adventos da pandemia, violência doméstica, abandono materno e inclusive a atual guerra na Ucrânia."



O facto da Mini USF das Conchas realizar-se no espaço exterior à USF funcionou também aqui como uma mais valia, conforma explica a enfermeira: "O espaço aberto em que nos encontrávamos permitia esta liberdade para as mesmas se expressarem, uma liberdade que há muito não sentiam. Para muitas destas crianças, em 2 anos, foi a primeira vez que saíram do espaço escola."

E acrescenta: "Mostrar às crianças a nossa disponibilidade para as ouvir, a nossa abertura, com implementação de dinâmicas interativas através de um jogo chamado o ´jogo das emoções`, permitiu que as mesmas ´abrissem asas` e partilhassem medos mais profundos."

Marisa Marques não tem dúvidas do impacto positivo da iniciativa, estando convicta de que "este dia fez diferença na vida destas crianças e que, no futuro, se irão sempre lembrar deste dia com muito carinho. Para nós, enfermeiros, é muito gratificante".


Marisa Marques e Isabel Almeida, as duas grandes impulsionadoras da Mini USF das Conchas

"A saúde mental foi posta à prova"

Lembrando também o que tem vivenciado na sua própria unidade, Marisa Marques recorda que "estes 2 anos de pandemia privaram as nossas crianças de muito contato, manifestações de carinho, interação social e até mesmo o brincar. Para elas, a saúde mental foi posta à prova grandemente e nós percecionamos isso no nosso dia a dia, no contexto de consulta, em que as mesmas nos parecem mais evasivas".

Assim, e salientando que "as crianças estão sôfregas por liberdade de viver, brincar e abraçar, pois o tocar faz toda a diferença nas crianças", a enfermeira especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica explica que "falar sobre estes sentimentos num ambiente informal pareceu-nos uma boa maneira de perceber como é que elas vivenciam tudo isto e como se adaptam". 



"Novos projetos em outras áreas de intervenção"

Quanto à possibilidade de virem a ser realizadas futuras edições da Mini USF das Conchas, Marisa Marques não deixa margem para dúvidas:

"Esta iniciativa e o feedback que recebemos de todas as pessoas envolvidas (crianças, alunos de enfermagem, professores, profissionais da USF) encoraja-nos para futuras edições." E vai mais longe, adiantando que "novos projetos em outras áreas de intervenção, como na área da pessoa idosa, gravidez e saúde mental na adolescência, estão já na nossa mente".




Dirigido a profissionais de saúde e entregue nas unidades de saúde familiar (USF) de Portugal, esta publicação da Just News tem como missão a partilha de boas práticas, de boas ideias e de projetos de excelência desenvolvidos no âmbito do SNS, visando facilitar a sua replicação.

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