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Enfermeiros de Saúde Mental e Psiquiátrica são hoje vistos como «pilares fundamentais»

Ao intervir no Encontro Nacional 2023 do Colégio da Especialidade de Enfermagem de SM e Psiquiátrica da OE, o seu presidente relevou o protagonismo destes profissionais e a “forma bastante unânime” como o conquistaram. Contudo, Francisco Sampaio frisou ser preciso “promover a proximidade” entre os enfermeiros das várias áreas em que atuam: prestação de cuidados, gestão, ensino e investigação.

O presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de SM e Psiquiátrica da Ordem dos Enfermeiros entende que “o conhecimento produzido pela investigação tem que ser transposto para os contextos da prática clínica”. Argumentando que “aqueles que estão na prática clínica devem, sempre que sintam necessidade, solicitar colaboração junto da academia”, também defende uma articulação “sólida e coesa” entre os colegas que asseguram funções de gestão e os que prestam cuidados.


Francisco Sampaio

Estas foram algumas das ideias partilhadas por Francisco Sampaio no último Encontro do Colégio, evento de dois dias que decorreu no final de setembro, em Lisboa, sob o lema “Debatendo o Presente, Perspetivando o Futuro”. Um dos pontos altos do primeiro dia seria a conferência proferida por Miguel Xavier, responsável pela Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, que fez um ponto da situação da Reforma da SM que está a ser implementada em Portugal.

Na intervenção que proferiu na sessão de abertura, o presidente da Mesa do Colégio realçou o grande objetivo de, com este Encontro, se procurar “construir e cimentar pontes” e, nesse sentido, “criar laços e ligações entre os quatro domínios da Enfermagem e, particularmente, da Enfermagem de SM e Psiquiátrica – a prestação de cuidados especializados, a gestão, o ensino e a investigação”. Esta vontade surge da consciência de que, “por vezes, existe uma inexplicável falta de diálogo entre os diferentes atores”, comentou.



Francisco Sampaio, que é professor na Escola Superior de Enfermagem do Porto, fez questão de sublinhar que, “felizmente, a nível assistencial, ao contrário do que tem acontecido noutras áreas na atual realidade do SNS, tem existido na SM uma preocupação em aproximar os serviços de saúde da população”.

A abertura, o alargamento e a remodelação de serviços de Psiquiatria, em conjunto com a criação de equipas comunitárias de SM, têm sido fundamentais, no seu entender, para “permitir uma prestação de cuidados cada vez mais próxima de quem deles necessita”. Adiantou mesmo constituírem esses factos “um passo fundamental e uma oportunidade de ouro para o desenvolvimento de uma área da Saúde que, ao longo dos anos, foi vítima de um incompreensível desinvestimento por parte de sucessivos governos”.

Francisco Sampaio acredita, por isso, ser “essencial saber agarrar esta oportunidade, sobretudo em prol dos cidadãos, mas também da própria Enfermagem de SM e Psiquiátrica”. Na sua opinião, aliás, estes enfermeiros “são hoje encarados, de forma bastante unânime, como pilares fundamentais para a prestação de cuidados de SM de qualidade”, daí que tenha mesmo afirmado: “É essencial enfatizar a vossa dedicação e compromisso para com as pessoas com necessidades a esse nível.”



Números preocupantes e grandes desafios

Sílvia Fernandes, que interveio da sessão de abertura na qualidade de secretária do Conselho Diretivo da Secção Regional do Sul da OE, recordou alguns “números preocupantes” divulgados pela OCDE: mais de um em cada seis europeus apresenta, pelo menos, um problema de saúde mental; em Portugal, 1/5 da população sofre de doença mental, onde se incluem a ansiedade, a depressão, bem como os problemas com o consumo de álcool e de droga.

Já António Nabais, membro da Coordenação Regional de SM da ARSLVT, foi identificando, na sua intervenção, alguns desafios que já se colocam aos enfermeiros especialistas em Enfermagem de SM e Psiquiátrica e outros que surgirão em breve, por exemplo, com a criação das novas ULS, no que respeita a “conseguir-se pensar a direção e a liderança de uma forma ampliada, integrando os vários tipos de unidades”. Quanto aos CRI - Centros de Responsabilidade Integrados, considerou que estes “constituem o grande desafio que pode motivar-nos a todos nós e potenciar o nosso trabalho”.


Membros efetivos da MCEE de Saúde Mental e Psiquiátrica da OE: Francisco Sampaio, Andreia Espírito Santo e Hélder Lourenço

Em 8 anos, o número de especialistas em Enfermagem de SM e Psiquiátrica subiu de 1679 para 2674

Luís Filipe Barreira, vice-presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Enfermeiros, aproveitou para “sublinhar a aposta que a equipa da OE fez desde a primeira hora no processo de valorização dos enfermeiros especialistas, por acreditar que a especialidade é um instrumento fundamental que coloca o doente no centro dos cuidados”.

Sublinhando que “a especialização dos enfermeiros é um mecanismo ao serviço da saúde pública”, defendeu que “o presente da Enfermagem passa pela consolidação das especialidades, sendo que o futuro vai desafiar-nos a fazer ainda mais”. Referiu depois que, nos últimos 8 anos, correspondentes a dois mandatos, o atual CD criou seis novas áreas de especialidade e 13 competências acrescidas, “respondendo assim aos anseios dos enfermeiros, da população e do sistema de saúde”.


Luís Filipe Barreira

No mesmo período, o total de especialistas em Enfermagem de SM e Psiquiátrica subiu de 1679 para 2674, “quase duplicando o número de profissionais capacitados para não deixar ninguém sozinho, principalmente quem já se sente muito isolado ou perdido”.

Suportando-se noutros dados, Luís Filipe Barreira referiu que “uma em cada seis mortes de pessoas entre os 10 e os 29 anos é por suicídio, sendo essa já a principal causa de morte junto de crianças e jovens adultos”. E mais: “As doenças mentais e do comportamento são as segundas mais comuns em Portugal, representando 12% do total. Por isso, é fundamental reforçar os meios, garantir o acesso e construir uma rede que não deixe para trás quem precisa de cuidados de SM, algo que já se sente na franja da sociedade.”

No seu entender, “de pouco vale fazer um combate à estigmatização se não houver meios para dar respostas dignas a quem procura ajuda”. Foi neste pressuposto que a OE apresentou, no âmbito da discussão pública do PRR, as linhas mestras daquilo que entende dever ser a Reforma da SM, algumas das quais Luís Filipe Barreira fez questão de enumerar:

“Defendemos a integração de mais enfermeiros especialistas nas unidades dos ACeS, em particular nas UCC e nas equipas de Saúde Escolar. Explicámos as vantagens do alargamento das teleconsultas de Enfermagem de SM e Psiquiátrica, apresentámos a proposta do cheque de SM e evidenciámos que o reforço da capacidade de resposta em SM implica um investimento na formação de profissionais habilitados, assim como na definição de novos indicadores de avaliação de desempenho e de qualidade”.

A terminar, fez questão de ressaltar a missão dos enfermeiros de SM e Psiquiátrica, de “estarem tantas vezes onde não está mais ninguém, cuidando e acrescentando, fazendo a diferença, sem medo de existir e de contrariar os poderes instalados, e sem receio de mostrar que pode haver outro caminho, mais justo, humano e empático”.

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