USF do Mar (Póvoa de Varzim) determinada em continuar a ser referência na formação

Foi em 22 de junho de 2009 que a USF do Mar iniciou funções. Pioneira no ACES Grande Porto IV - Póvoa de Varzim/Vila do Conde, contava com profissionais de ambas as localidades.

Numa altura em que o conceito de USF ainda não gerava grande consenso entre os diferentes profissionais de saúde, a USF do Mar instalou-se no 1.º piso do então Centro de Saúde da Póvoa de Varzim.

Lina Sousa, coordenadora da unidade recorda que “o espaço acabou por sofrer obras, gerou-se alguma confusão por se ter ocupado o local de trabalho de outras pessoas, mas a aceitação por parte dos restantes colegas do centro de saúde acabou por ser boa”.



Atualmente, neste ACES, já não existem UCSP, apenas USF. Uma mudança positiva para os profissionais e utentes, para a qual contou a diretora executiva do ACES. "A Dr.ª Judite Neves teve um papel fundamental, porque não impôs o modelo USF, propôs, mostrando os benefícios do mesmo", explica a responsável da unidade, em entrevista à Just News, no âmbito de uma reportagem sobre a USF do Mar, publicada na última edição do Jornal Médico.



Trabalhar para a acreditação e para continuar a ser uma unidade formativa

Atualmente, a USF do Mar já é modelo B e um novo desafio se coloca: a acreditação. “Não está a ser fácil, é um processo muito exigente, mas vamos conseguir”, observa Lina Sousa, esclarecendo que a candidatura já foi aprovada, mas ainda faltam vários passos. “Estamos todos convictos da importância da acreditação, por isso o esforço extra necessáriovai ser recompensado”, conclui.




A coordenadora sublinha que toda a equipa está unida e que a sobrecarga de trabalho se consegue ultrapassar pelo bom ambiente que existe entre todos. “Além disso, para evitar a exaustão, apostamos em saídas e atividades fora do horário laboral, como forma de aproximar sempre mais as pessoas e de as ajudar a aliviar o stress”, adianta a médica.

Como se trata de uma unidade formativa, recebe muitos alunos de Medicina e de Enfermagem, assim como internos, sendo que “alguns até vêm de Lisboa. É importante que nos considerem uma boa USF para a sua formação e o facto de sermos uma USF de valência rural também contribui para essa procura”.

Quanto aos internos da especialidade, houve, inclusive, um aumento do número de vagas, porque também existem mais orientadores. Ao todo, são sete internos e quatro orientadores.
Lina Sousa considera que os principais desafios do futuro são a acreditação, manter esta oferta formativa e, inevitavelmente, a prestação de bons cuidados à população. “Apostamos sempre na inovação, fomos pioneiros e queremos continuar a fazer a diferença”, assegura.




"Temos sempre um objetivo novo, uma meta a alcançar"

À semelhança de todas as reportagens publicadas pelo Jornal Médico sobre unidades de saúde familiar, são também entrevistados outros profissionais da unidade, além da própria coordenadora.

Para Gilberto Sousa, secretário clínico, as principais diferenças entre trabalhar no modelo anterior e numa USF prendem-se com a noção de equipa e a organização: “Trabalhamos todos para o mesmo objetivo, existe uma grande interajuda e, apesar de os sistemas de informação serem praticamente os mesmos, nota-se que o sistema organizativo é melhor.”



Gilberto Sousa.

O dinamismo é outro aspeto a salientar na USF. “Não se instala uma certa rotina, desmotivante, tal como no modelo UCSP. Aqui, temos sempre um objetivo novo, uma meta a alcançar.” Para Gilberto Sousa, é mais fácil trabalhar assim, ou não fosse uma pessoa dinâmica.

“Gosto de desafios e sinto-me mais realizado quando tenho sempre objetivos novos a atingir.” Ter de cumprir indicadores é, assim, algo que não o assusta. A perspetiva de futuro é positiva, realçando o trabalho que está a ser desenvolvido por causa da acreditação.

Ressalva também o papel de destaque que os secretários clínicos tiveram na organização das primeiras jornadas da USF, sob o tema “A idade do futuro”, que decorreram nos dias 21 e 22 de outubro. “Mais uma vez se mostrou que somos uma equipa, na Comissão Organizadora participaram representantes de todas as áreas profissionais.” 



A diferença entre UCSP e USF é "abismal"

Cristina Loureiro, enfermeira do Conselho Técnico, está na USF do Mar desde o seu início.Pertence ao grupo de profissionais que veio do então Centro de Saúde de Vila do Conde.

A diferença entre o modelo anterior e o conceito de USF é, simplesmente, “abismal”. A principal característica que diferencia UCSP de USF é o sentido de trabalho de equipa: “Organizamo-nos muito melhor, temos uma lista de utentes que conhecemos e acompanhamos ao longo do ciclo de vida, temos noção do seu contexto familiar.”



Cristina Loureiro.

No centro de saúde, os enfermeiros já tentavam trabalhar em equipa, com marcações, mas era sempre difícil levar o plano a bom porto. “Na USF existem marcações, a agenda está bem organizada e sei qual é a história do doente, o que facilita a existência de uma relação entre nós e os utentes, assim como o nosso trabalho.”

Inicialmente, não foi fácil ser-se uma unidade pioneira, já que a “ocupação” do 1.º piso criou alguns constrangimentos. “Foi difícil, mas também compreendo que seja complicado deixar de trabalhar no consultório habitual, ter de sair da zona de conforto”, reconhece Cristina Loureiro.



"Idosos deixaram de ser vistos como fonte de sabedoria"

Lina Sousa e Sandra Rodrigues são duas das médicas responsáveis pelas 1.as Jornadas da USF do Mar. “Era um passo importante que faltava dar e correu tudo muito bem”, indica Lina Sousa. Sandra Rodrigues sublinha, por sua vez, que “isso deve-se ao facto de a equipa ser muito dinâmica e coesa”.

O tema “A idade do futuro” deveu-se, principalmente, ao envelhecimento da população, que se faz sentir, de forma específica, nesta USF. “Provavelmente por termos sido a primeira USF da Póvoa do Varzim e de termos recebido muitos idosos que estavam sem médico de família há alguns anos, hoje em dia, temos muitas pessoas com mais de 65 anos e também com mais de 75”, conclui Lina Sousa.


Sandra Rodrigues.

Menciona ainda que “é preciso falar sobre Geriatria porque, infelizmente, os idosos deixaram de ser vistos como fonte de sabedoria e passaram a ser o ´fardo` de uma família”.

A coordenadora da USF do Mar refere ainda que o aumento de coesão da equipa gerado pelo projeto da acreditação ajudou a pensar no desafio de fazer umas jornadas. “Outra razão foi a nossa forte componente formativa.”

Outro ponto a destacar no evento foi o envolvimento de outras USF do ACES Póvoa de Varzim/Vila do Conde. “Devido à dimensão do ACES, não foi possível convidar todas as unidades, mas em todas as mesas tivemos um moderador de uma USF diferente do nosso ACES.” Como refere Sandra Rodrigues, “desta forma é possível envolver neste evento, que também é formativo, outras unidades”.



“MGF é uma escolha de paixão, de coração”

A USF do Mar é procurada por vários internos, tendo havido, recentemente, um aumento das vagas. Adriana Oliveira vem da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e diz que optou por esta USF pela sua qualidade e por ser perto de Vila Nova de Famalicão, a sua terra natal.

Marta Fevereiro, que também salienta a qualidade formativa da USF, vem da Universidade da Beira Interior e Cristina Neves da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Todas estão satisfeitas com o trabalho desenvolvido pela USF do Mar e pelo apoio que têm por parte de toda a equipa e também dos outros internos (7 ao todo). A principal mais-valia de fazerem o Internato numa USF é o facto de estas unidades serem o futuro. Não quer dizer que não possam vir a trabalhar numa UCSP, mas a experiência neste tipo de unidades vai sempre ser importante, pela noção que se ganha de trabalho em equipa e pelo próprio sistema organizacional.



Adriana Oliveira, Marta Fevereiro e Cristina Neves.

A MGF foi, para as três, a primeira opção. E são unânimes: “É uma escolha de paixão, de coração e se existia alguma dúvida ela ficou por terra depois da experiência que estamos a ter aqui nesta USF.”

As três internas realçam ainda o facto de terem feito parte das primeiras jornadas da USF, como vice-presidentes. “Não  em qualquer sítio que isto acontece, vai ser muito importante para a nossa formação”, reconhecem.

Os desafios futuros são, no seu entender, conseguir vagas na especialidade. Até lá, vão trabalhando e apostando na aquisição de conhecimentos.





A reportagem completa sobre a USF do Mar pode ser lida na edição de dezembro do Jornal Médico.

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