“Era preciso abolir a dicotomia entre doentes de intensivos e de enfermaria”
“Era preciso abolir a dicotomia entre doentes de cuidados intensivos e doentes de enfermaria convencional. Eles são dinâmicos e tornava-se necessário colmatar este gap”, é assim que Federica Parlato justifica, de alguma forma, a recente abertura da Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina Interna no piso 3 do Hospital de Santa Maria. No seu entender, assiste-se a “uma mudança de paradigma” que explica a aposta, nos últimos anos, em abrir unidades deste género em diferentes países europeus, incluindo Portugal.
E faz questão de esclarecer que a sua inauguração oficial, a 26 de janeiro de 2026, representou o concretizar de um projeto idealizado pelo internista João Madeira Lopes, “que lutou muito para que se tornasse realidade”, acabando por assumir a sua coordenação. Juntaram-se a ele três recém-especialistas do Serviço de MI, que reconhecem o seu gosto em lidar com o tipo de doentes que esta Unidade assiste, completando assim a equipa fixa da mesma.
Um desses elementos é precisamente Federica Parlato, que integrava a Área C do Serviço de Medicina Interna da ULSSM, uma das quatro em que aquele está dividido, coordenada por Luís Santos Pinheiro, que, aliás, é o secretário-geral do 33.º CNMI.
“Tem sido extremamente motivador, e ao mesmo tempo um desafio e um privilégio, poder participar do zero na criação de uma Unidade destas. Não se trata apenas de abrir camas, é todo um processo que envolve organização, comunicação, aprender algo novo diariamente... E a ideia é vir a promover a rotatividade entre os colegas do Serviço, para que todos possam dar o seu contributo para o funcionamento da Unidade e aportar melhorias ao mesmo”, refere a médica, acrescentando:
“Na verdade, muitos dos doentes que passam por aqui nós já os tratávamos nas enfermarias convencionais, mas agora estamos em condições de lhes oferecer um perfil de segurança mais adequado. Para além de lhes proporcionar um percurso assistencial de continuidade que, na minha opinião e segundo está descrito na literatura, até é mais eficiente em termos da gestão de recursos.”_Logo.jpg)
Federica Parlato
E prossegue: “São doentes de elevada complexidade e que, com frequência, não têm propriamente indicação para serem admitidos em unidades de cuidados intensivos, embora precisem de uma vigilância bastante apertada. Permitimos, assim, que o Serviço de Urgência possa ter uma maior capacidade de resposta, pois, não podendo esses doentes ser transferidos para uma enfermaria, acabavam por ficar retidos em camas de SO.”
Federica Parlato refere que à Unidade de Cuidados Intermédios de MI também podem chegar “vindos da enfermaria, como step up”, bem como dos cuidados intensivos, por “já não precisarem de suporte de órgão”. Ou de outras áreas, como a Ortopedia, “porque não podem ser cristalizados numa única especialidade”, ou mesmo do bloco operatório.
“Hoje, por exemplo, vamos receber um doente que vem da Unidade de Queimados”, informa, sublinhando: “O facto de lidarmos com uma grande variedade de patologias é, aliás, ótimo também do ponto de vista formativo, tendo em atenção os vários internos e alunos de Medicina que por aqui vão passando.”
Tendo iniciado atividade com 3 camas, a que foram adicionadas outras 3 em março – distribuídas por dois quartos outrora ocupados por 8 camas da enfermaria 2C --, a Unidade tem em permanência dois enfermeiros e dois assistentes operacionais. A equipa fixa de médicos assegura o período entre as 8h e as 14h, sendo que fora desse horário é a Urgência Interna do Serviço de MI que responde às intercorrências, que também permite viabilizar a avaliação bidiária dos casos e faz, inclusive, a gestão das vagas e das transferências de doentes que forem necessárias.
Os outros elementos da atual equipa fixa
João Madeira Lopes, 59 anos, é o coordenador da Unidade. Chegou a Santa Maria em abril de 1999, depois de concluir o internato feito em Santa Marta. Confirma o seu grande envolvimento no projeto, que conta “vários anos de preparação”, e diz que já existe uma planta com uma área física que contempla o número de camas ideal para esta Unidade: 12. Faz questão de elogiar o espaço e a metodologia de trabalho da Unidade de Intermédios do Serviço de MI da ULS de São João.
Maria Inês Parreira, 31 anos, que cumpriu o seu internato de MI na ULS de Santa Maria, fez o derradeiro estágio na Unidade de Intermédios de São José (6 camas). Tornou-se especialista em outubro de 2025, mesmo a tempo de integrar a Unidade logo no seu primeiro dia de atividade.
Miguel Carrilho, 41 anos, licenciou-se primeiro em Ciências Farmacêuticas e só mais tarde em Medicina, tendo tantos meses de internista como a sua colega Maria Inês. Conhece os Intermédios do São João porque fez lá um estágio de 3 meses. Quando soube que a Unidade ia abrir, mostrou logo o seu interesse em fazer parte da equipa.
Federica Parlato, Miguel Carrilho, João Madeira Lopes e Maria Inês Parreira
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A entrevista completa com Federica Parlato pode ser lida na edição de outubro 2026 do Jornal Médico.


