Especialistas defendem uma intervenção mais ativa no tratamento da doença valvular

"A implantação da válvula aórtica transcateter é um novo tratamento atualmente disponível para o tratamento da estenose aórtica severa. Contudo, em Portugal, é ainda efetuado em número inferior ao que se calcula sejam as reais necessidades, comparativamente ao que acontece nos restantes países da Europa", afirma Alexandra Gonçalves, coordenadora do Grupo de Estudo de Doenças Valvulares da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).



No âmbito da Reunião Anual Conjunta dos Grupos de Estudo de Ecocardiografia, de Doenças Valvulares e de Cirurgia Cardíaca, que se realizou em Monte Real, a professora e investigadora da Faculdade de Medicina do Porto explica que, apesar de termos infraestruturas, “faltam recursos económicos e uma sensibilização por parte das entidades com capacidade de decisão” para que mais doentes possam ser tratados com técnicas mais atuais, menos invasivas e com melhores resultados em doentes de alto risco.



Francisco Sampaio, coordenador do Grupo de Estudo de Ecocardiografia da SPC, considera que faz todo o sentido que se realize uma reunião conjunta com estes três grupos, uma vez que tratam de assuntos que estão muito relacionados, diariamente, na prática clínica.

O cardiologista do CH de Vila Nova de Gaia/Espinho destaca a ecocardiografia tridimensional como tema transversal à maior parte das conferências. “É uma técnica que está em evolução e, muito provavelmente, dentro de poucos anos, não haverá nenhum ecógrafo que não tenha capacidade para fazer imagem tridimensional. É o futuro”, observa, acrescentando: “O objetivo desta reunião é também demonstrar as suas potencialidades e novas aplicações e promover o seu uso mais generalizado.”



Para Mário Jorge Amorim, coordenador do Grupo de Estudo de Cirurgia Cardíaca da SPC e cardiologista do CH São João, a realização deste tipo de reuniões é muito importante porque facilita a discussão de novos temas, a implantação de protocolos e, sobretudo, a comunicação entre colegas de áreas afins.

No que respeita às temáticas, o especialista destaca também a cirurgia minimamente invasiva, assim como a cirurgia reparadora valvular, que são, atualmente, as “áreas com mais enfoque e mais candentes e com as quais os cirurgiões cardíacos se preocupam”.

Sublinha ainda que “estas reuniões servem para aprendermos e termos conhecimento das dificuldades que os colegas já sentiram e como as ultrapassaram”.

Os três cardiologistas fizeram um balanço muito positivo desta iniciativa, que reuniu cerca de 200 participantes e “um grupo de palestrantes, nacionais e internacionais, do melhor nível”.






Imprimir