Especialistas em Medicina Física e Reabilitação alertam: evidência baseada na prática é fundamental

“Muito do que é estatisticamente significativo pode não ter qualquer interesse prático ou uma verdadeira razoabilidade, em termos de outcome”, advertiu João Páscoa Pinheiro, professor de Medicina Física e de Reabilitação (MFR) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, numa reunião sobre “Investigação em MFR”.

No evento, promovido pela Sociedade Portuguesa de Medicina Física e Reabilitação (SPMFR), o especialista, que é diretor do Serviço de MFR do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, frisou que, “cada vez mais, tudo é centrado numa análise matemática da questão e menos no doente”, sendo que, na MFR, é preciso ter em atenção o facto de existirem multimorbilidades.

Segundo Catarina Aguiar Branco, presidente da SPMFR, "pelo seu impacto clínico, funcional e social, e pelo desafio científico, a investigação em MFR tem áreas de interesse preferenciais no âmbito das patologias neurológica, musculoesquelética, cardíaca e respiratória, nas várias vertentes médicas do diagnóstico, da epidemiologia, da prevenção, da educação e da terapêutica".

A presidente da SPMFR proferiu uma palestra sobre "O futuro da investigação e a produção de artigos científicos de MFR em Portugal", tendo alertado, entre outros aspetos, para a importância da formação em investigação e em publicação científica.

Anne Chamberlain, emeritus professor of Reabilitation Medicine of Academic Department of Rehabilitation Medicine Leeds Institute of Molecular Medicine – University of Leeds, foi convidada para falar sobre a especificidade de investigar em MFR.

Anabela Pinto, diretora da Clínica Universitária de MFR da FMUL e investigadora da Unidade de Fisiologia Clínica Translacional do IMM, e Susana Pinto, da Unidade de Fisiologia Clínica e Translacional do IMM, abordaram o tema “Esclerose lateral amiotrófica e MFR / Investigação aplicada”.

A terminar, teve lugar um simpósio intitulado “Osteoporose: da biomecânica à terapêutica”, que contou com a participação de Francisco Sampaio, diretor do Serviço de MFR do CHLN e professor convidado de Clínica da FMUL, como preletor. Nesta sessão, foi abordada a epidemiologia, a fisiopatologia, a clínica e os principais fármacos para o tratamento da patologia, com enfoque particular nos bifosfonatos e numa nova formulação oral disponível no mercado, o ácido alendrónico.

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