«Espero que haja cada vez mais médicos de família com a competência de Geriatria»

Há vários anos que Manuel Viana, 67 anos, especialista em MGF com a competência de Geriatria da Ordem dos Médicos, tem vindo a insistir na “necessidade de se incluir no sistema de informação eletrónico SClínico, para além dos já existentes, um novo grupo considerado vulnerável ou de risco, o dos idosos frágeis, pois, o recente e progressivo envelhecimento da população a isso obriga”.

Em alternativa, acrescenta, “sugiro que em cada USF haja pelo menos um ou dois médicos de família com a competência de Geriatria, que poderiam ter uma carteira adicional de serviços, modalidade já prevista e fácil de implementar".

E para fazer o quê? “Avaliariam os doentes frágeis, dependentes ou com multimorbilidades referenciados pelos restantes colegas, com os quais seria discutido o plano individual de cuidados, que resultaria da Avaliação Geriátrica Global.”

A Geriatria é a área de eleição de Manuel Viana, que, aliás, integra a atual Direção do respetivo Colégio de Competência. A esse propósito, destaca o facto de já ser agora possível realizar nos CSP a formação prática exigida para preencher os critérios de obtenção desse título, o que veio a acontecer, pela primeira vez no nosso país, precisamente na USF São João do Porto.



Durante todo o passado mês de setembro, o especialista, que é copresidente das Jornadas Multidisciplinares de MGF, acompanhou, como orientador de formação em Geriatria, a médica do 3.º ano do internato de MGF da USF Valongo Sofia Tavares Almeida. Posteriormente, já recebeu outra interna, Ana Rita Queirós, da USF Garcia de Orta, para um estágio prático de uma semana.

E os pedidos sucedem-se... “O meu desejo é que estes estágios práticos de Geriatria se estendam a outras USF, sob a orientação de médicos de família com a competência de Geriatria, que espero sejam cada vez em maior número, para bem dos nossos utentes mais velhos”, afirma.

Natural do Porto, Manuel Viana terminou o curso de Medicina em 1982, tendo começado a exercer como médico de família no Centro de Saúde da Carvalhosa, em janeiro de 1986. Depois de ter sido, durante 8 anos, assistente de Bioquímica na FMUP, torna-se assistente convidado de Medicina Comunitária, uma das duas disciplinas do Departamento de Clínica Geral, dirigido por Alexandre de Sousa Pinto.


Manuel Viana

“Em 1999, o Prof. Sousa Pinto quis juntar os médicos de família que eram assistentes na Faculdade num centro de saúde escolar, com um projeto inovador de fazer clínica, ensino e investigação, e é assim que surge o CS S. João, no âmbito de um protocolo de acordo de cooperação entre a ARS Norte e a FMUP”, recorda, prosseguindo:

“Tinha como objetivos, entre outros, a prestação de cuidados a uma população de até 25.000 utentes e ser inovador em várias áreas, implementando e testando novos modelos de organização, de gestão e de financiamento. Promovendo uma articulação interinstitucional, os profissionais eram pagos por objetivos, para além de possuir sistemas de informação e monitorização de qualidade.”

Manuel Viana conta que eram também administradas aulas práticas aos alunos da FMUP que frequentavam as disciplinas do Departamento de Clínica Geral, que viria depois a ser dirigido por Alberto Pinto Hespanhol.

E esclarece: “Gozávamos de uma grande autonomia, o que nos permitiu, por exemplo, adquirir aparelhos de monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA) e fazer vários
trabalhos de investigação, com reconhecido mérito, na área da hipertensão arterial e do risco cardiovascular.”


Na edição de março do Jornal Médico é publicada uma extensa reportagem sobre a USF São João do Porto.

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