Exposição a projetos artísticos torna profissionais de saúde mais empáticos
Teresa Tomaz nasceu há 37 anos no Hospital de Chaves e com 18 deixou Trás-os-Montes para ir estudar Medicina em Santa Maria, achando que poderia vir a ser psiquiatra, mas a verdade é que depois passou o curso todo a pensar em Reumatologia. E porquê? A doença da mãe, que era acompanhada em Ponte de Lima, fez com que desde pequena tivesse contacto com essa especialidade, apreciando a forma como as consultas decorriam._Logo.jpg)
Teresa Tomaz
Depois de acabar o curso, em 2014, haveria de rumar a Viana do Castelo para fazer o internato do Ano Comum, convencida de que o seu futuro como médica estava traçado. Mas enganou-se! E explica que, em 2015, depois de ler dois livros que foram “muito importantes” para si, teve “uma crise de identidade” que a levou a concluir que o ambiente hospitalar não seria o mais adequado. Entretanto, o estágio que fez na USF Gil Eanes “mudou muito a minha perspetiva da MGF. Adorei!”, recorda.
Acabaria a fazer o internato da especialidade na USF do Minho, tendo como orientador o médico Francisco Fachado, o coordenador da Unidade. A uma semana do início da pandemia é integrada na vizinha USF Salutis, onde ficaria 6 meses. O concurso colocá-la-ia na então UCSP Adaúfe, ainda em Braga, onde ficou como coordenadora, até em março de 2023 regressar à Unidade onde fizera a sua formação, integrando o Conselho Técnico desde a primavera de 2025.
Mas agora é necessário voltar atrás no tempo para falar do projeto científico que Teresa Tomaz e o seu orientador de formação realizaram e que está, aliás, publicado. “Desenvolvemos um programa de arte para os profissionais da USF, médicos, enfermeiros e secretários clínicos. Quisemos ver se o contacto destes com ambientes artísticos os tornaria mais empáticos com os utentes, que inquirimos antes e após termos proporcionado aos colegas, inclusive, aulas sobre cinema, fotografia e literatura”, explica.
Segundo a médica de família, a conclusão a que se chegou foi que, realmente, “se expusermos regularmente os profissionais de saúde a projetos artísticos, há uma maior perceção de empatia por parte dos utentes”. Entretanto, “os inquéritos que temos feito permitem-nos concluir que eles estão muito satisfeitos com a existência da Galeria de Arte, que, aliás, faz parte do Roteiro Cultural da cidade”.
Responsável, desde 2022, por uma iniciativa digital pessoal a que deu o nome de “Ler a Doença”, em que propõe “leituras relacionadas com uma condição de saúde, uma população vulnerável ou uma doença”, não admira que Teresa Tomaz se tenha envolvido, já como especialista, na criação da Biblioteca da USF do Minho._logo.jpg)
“O utente é convidado a levar um livro para casa, sem ter a obrigação de trazer outro em troca, até porque temos aqui comunidades estrangeiras ou com questões sociais que, muito provavelmente, nem sequer terão essa possibilidade. E também não se pretende que esta Biblioteca seja um depósito de livros que as pessoas já não querem. A ideia é que o utente para quem um determinado livro teve um significado especial o queira partilhar com outras pessoas, deixando-o aqui para ele circular. É por isso que se trata de um projeto dinâmico de ir e vir”, esclarece.
A reportagem completa à USF do Minho foi publicada na edição de outubro 2026 do Jornal Médico.
Para receber mensalmente o link de acesso ao formato e-paper do Jornal Médico basta subscrever a Newsletter da Just News.


