Ginecologistas querem ver uniformizado o rastreio do cancro do colo do útero nas várias regiões do país

Conseguir a uniformização, a nível nacional, do rastreio do cancro do colo do útero é um dos grandes objetivos da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), que no último fim de semana organizou mais uma reunião. Virgínia Monteiro, a responsável pelo encontro, alertou para as diferenças que, a esse respeito, existem entre as várias regiões do país.

Subordinado ao tema “Novos horizontes na patologia do trato genital inferior”, o evento contou com a presença de convidados estrangeiros, entre os quais Gilbert Donders, da Universidade de Antuérpia e professor convidado da Universidade da Beira Interior.



A coordenadora da Secção Portuguesa de Colposcopia e Patologia do Trato Genital Inferior (SPCPTGI) da SPG realçou, na sessão de abertura, que, apesar dos avanços na colposcopia, “tem sido muito difícil conseguir que os rastreios sejam realizados com base nos mesmos procedimentos”. É preciso, por isso, “tomar medidas para que todos os profissionais de saúde possam seguir as boas práticas internacionais”.

Virgínia Monteiro referiu ainda que é preciso pensar na forma como se vai avaliar o risco do papiloma vírus humano (HPV). E explicou porquê: “Ao fim de 10 anos de vacina, é preciso ter em conta que o principal risco de patologia não está no HPV, mas noutros vírus que possam vir a tornar-se mais preocupantes.”

Estes novos horizontes da patologia do trato genital inferior foram precisamente debatidos nesta última reunião da SPG, onde também se falou da nova vacina contra o HPV, que vai abranger mais estirpes e que fará parte do Plano Nacional de Vacinação em janeiro de 2017, dos testes que permitem detetar o HPV e das terapêuticas inovadoras para a menopausa.



Virgínia Monteiro apontou ainda a importância cada vez maior dos cursos de colposcopia realizados pela SPCPTGI-SPG. “Este ano, conseguimos a certificação por parte da International Federation of Cervical Pathology and Colposcopy (IFCPC).” Um passo em frente que, segundo a especialista, consolida a aposta na colposcopia que se iniciou em 1999.

Ainda relativamente aos cursos, a ginecologista referiu estar muito satisfeita com o facto de já haver estrangeiros a frequentar estas formações. “Há poucos anos, os portugueses tinham que ir a outros países fazer formação prática em colposcopia, hoje em dia, já não é necessário”, frisou.



Na sessão de abertura da 186.ª Reunião da SPG, Amélia Pedro, secretária da SPCTGI, e Rita Sousa, tesoureira, salientaram a qualidade dos temas do programa, “para uma maior reflexão sobre a colposcopia e a patologia do trato genital inferior”.

Quanto a projetos futuros, a Just News apurou que vai ser apresentada a candidatura à realização do Curso Europeu de Colposcopia de 2022. 


Virgínia Monteiro com Fernanda Águas, presidente da SPG.

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