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Hipertensão arterial resistente: «A hospitalização domiciliária ajuda a apurar a adesão terapêutica»

"Um dos primeiros passos para definir hipertensão arterial resistente é confirmar a adesão terapêutica, que é muito difícil de se apurar em consulta", afirma Vitória Cunha, que coordena desde 2015 a Consulta de Hipertensão Arterial (HTA) do Hospital Garcia de Orta.

Enquanto coordenadora da Unidade de Hospitalização Domiciliária do HGO desde 2021, Vitória Cunha sublinha a importância deste tipo de internamento precisamente no caso de doentes com suspeita de HTA resistente.

De acordo com a médica, "a hospitalização domiciliária permite identificar razões associadas ao não cumprimento – relacionadas com o contexto familiar, social ou logístico – e controlar a HTA e todas as patologias inerentes."

Por vezes, trata-se simplesmente de "os doentes não conseguirem reproduzir no domicílio os ensinos básicos, desde a medição da pressão arterial à gestão da medicação em si”, por isso, entende que a “literacia em saúde e a reconciliação terapêutica que a equipa consegue fazer em casa faz toda a diferença".


Vitória Cunha

A importância de "um primeiro acesso à Consulta de Enfermagem"

Também os hospitais de dia acabam por ser “uma grande ajuda, graças à colaboração da enfermagem”. No caso do HGO, foi possível articular com as enfermeiras do Hospital de Dia um apoio à Consulta de HTA, tendo assim os doentes um primeiro acesso à Consulta de Enfermagem para “apurar a adesão terapêutica, sensibilizar para a adoção de estilos de vida saudáveis e fazer medição de pressão arterial e outros parâmetros”.

Na sua opinião, tal “traduz-se não só numa poupança de tempo de consulta, mas, acima de tudo, num reforço da literacia em saúde e dos ensinos específicos desta área”.

"Metade dos hipertensos tem dislipidemia”

Vitória Cunha faz questão de lembrar que "a HTA é o fator de risco mais prevalente em Portugal para a doença cardiovascular – que é a maior causa de mortalidade em todo o mundo − e metade dos hipertensos tem dislipidemia, pelo que faz sentido haver colegas dedicados de alguma forma a este grupo de doenças”.

Na sua ótica, “regra geral, enquanto especialidade mais generalista e interessada pela área, a MI será a mais indicada para gerir estes doentes, não havendo, obviamente, uma exclusividade”. Vitória Cunha assume que, “muitas vezes, a MI necessita de um apoio mais específico de outras especialidades em casos mais extremos, orientando para a Cardiologia, a Pneumologia ou a Nefrologia”.

Neste âmbito, também a relação com a Medicina Geral e Familiar ocupa um espaço primordial, pois, “o objetivo da consulta hospitalar é ser diferenciada e surgir depois de uma avaliação nos CSP, perante a existência de dúvidas ou de dificuldades na abordagem ou no estudo de uma HTA resistente ou secundária, ou a necessidade de pedir exames não disponíveis nos CSP, como a MAPA”.

Por isso, realça que “a MGF continua a ser a primeira linha e o sítio onde deve ser feita a prevenção”, desenvolvendo: “Se pensarmos que todas estas doenças deviam ter uma aposta major na prevenção, a absorção de mais população e a realização de mais rastreios a tempo e horas pelos médicos de família seria fundamental. Por isso, se houvesse maior capacidade dos CSP de atuar na prevenção, com mais profissionais e melhores condições, seriam menos os doentes a chegar ao hospital."

E faz questão de indicar, em jeito de desabafo, que "no fundo, faltam profissionais de saúde, tempo de consulta e condições para conseguirmos atingir estes objetivos.”



Reunião do NEPRV terá pela 1.ª vez curso pré-reunião

A cidade de Peniche será palco, dia 1 de dezembro, da 5.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular (NEPRV) da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna, que é presidido por Vitória Cunha.

Com uma estrutura semelhante às edições anteriores, assente em “sessões meramente clínicas e específicas, o objetivo é levar um profissional de referência em cada área a apresentar dois grandes tópicos/artigos que foram publicados durante o último ano e que, de alguma forma, mudaram o paradigma de tratamento ou a forma de abordagem, ou que suscitaram questões mais polémicas, tendo como moderador alguém com interesse e diferenciação na área”.

Vitória Cunha refere tratar-se de uma reunião “curta, sintética e prática, que cresceu muito depressa, reunindo mais de 150 participantes no último ano, e que consegue trazer muitas questões e discussões proveitosas”.

Esta será a primeira edição em que existirá um curso pré-reunião, tendo a escolha recaído na HTA secundária, “um tema muito apetecível para os profissionais dedicados ao risco cardiovascular, pois, enquanto parece que os grandes chavões não se alteram, na verdade, há pormenores que têm evoluído ao longo do tempo”. Este curso terá um caráter “muito prático, com a partilha de dicas e de formas objetivas de fazer esse estudo”.

Mais uma vez, haverá espaço para a apresentação dos melhores trabalhos, que serão, desde logo, publicados no livro RV 2023.



A entrevista completa pode ser lida na edição de novembro do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários.

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