Hospital da Ordem Terceira do Chiado inaugura Centro de Miopia de Lisboa

O Hospital da Ordem Terceira do Chiado (HOTC) inaugurou recentemente o primeiro centro dirigido exclusivamente a doentes que sofrem de miopia. O objetivo é proporcionar uma "resposta ampla e diferenciada" àquela que é já considerada uma pandemia do século XXI. 



“Este é o primeiro centro vocacionado especificamente para uma abordagem multidisciplinar da miopia, desde a miopia infantil às complicações da miopia na idade adulta”, começa por referir o oftalmologista Fernando Ferreira Pinto, coordenador do Centro de Miopia de Lisboa e do Instituto Oftalmológico do HOTC.

De acordo com o presidente do Conselho Diretivo do Hospital, Luís Alvito, a ideia partiu dos próprios médicos oftalmologistas, que “sentiram necessidade de dizer claramente aos doentes que o nosso hospital, através do Instituto Oftalmológico do HOTC, é capaz de responder como ninguém na Grande Lisboa a uma patologia que está a tornar-se cada vez mais acentuada e a que alguns chamam de pandemia”.

Fernando Ferreira Pinto admite que foi o aumento da prevalência da miopia que preocupou as duas dezenas de oftalmologistas do hospital, motivando-os a agir. “Nas últimas décadas, tem-se assistido a um progressivo aumento da miopia, um pouco por todo o mundo, relacionado com a alteração do estilo de vida da população, sobretudo das crianças”, afirma, explicando que a maior utilização da visão de perto e a menor atividade ao ar livre são as principais ações que motivaram esta aceleração.



"Uma verdadeira pandemia"

Avançando com alguns estudos, o coordenador do Centro de Miopia de Lisboa nota que a OMS prevê que em 2050 metade da população seja míope. O crescimento é significativo. Enquanto em 2010 contavam-se cerca de 2 mil milhões de míopes, o que correspondia a uma prevalência de 27%, as projeções apontam para aproximadamente 5 mil milhões de míopes em 2050, atingindo, assim, 52% da população.

Na Europa, o cenário é semelhante. Em 2010, contabilizava-se uma prevalência de 28%, vindo a crescer para os 37%, em 2020 e, potencialmente, para os 56%, em 2050.

Na sua ótica, estamos perante “um problema de saúde pública com um enorme impacto sob o ponto de vista económico e social, portanto, uma verdadeira pandemia”.



Covid-19 acelerou crescimento da miopia infantil

O oftalmologista evidencia que outros estudos há que mostram que o último ano e meio se caracterizou por um aumento da prevalência da miopia infantil, por ocasião do confinamento. “A redução do número de horas de exposição solar e o aumento das atividades que exigem a visão ao perto foram ações muito recorrentes neste período”, observa.

Dado que “o olho míope tem um risco de desenvolver problemas oculares graves, sobretudo ao nível da retina, na idade adulta”, no entender de Fernando Ferreira Pinto, é importante “implementar medidas que evitem a progressão da miopia ou o crescimento do globo ocular”.


Luís Alvito e Fernando Ferreira Pinto

Estas ações passam pela “alteração dos hábitos de vida, especialmente através da redução do número de horas de utilização de ecrãs, e pela implementação de tratamentos como gotas de atropina ou lentes de contacto especiais na fase de desenvolvimento da miopia”, indica.

Já quando instalada, refere que as técnicas de correção passam pela utilização de óculos graduados ou de lentes de contacto, ou ainda por cirurgias refrativas a Laser, como a Lasik ou a PRK. Nos casos em que não é possível recorrer ao Laser, procede-se à implantação de lentes intraoculares, tendo o Instituto Oftalmológico do HOTC sido dos primeiros centros a realizar esta técnica.



Atualização e investimento são palavras de ordem

“Todas as valências da correção cirúrgica da miopia estão ao alcance da nossa equipa”, afirma o coordenador do Centro de Miopia de Lisboa, notando que os doentes têm ao seu dispor as técnicas de última geração. “Há mais de 15 anos que vimos desenvolvendo técnicas cirúrgicas, com a constante preocupação com a atualização tecnológica”, realça, identificando que ao longo deste período já foram adquiridos três diferentes lasers. “A única forma de mantermos um resultado cirúrgico de qualidade é através de equipamentos mais sofisticados”, observa.



Também Luís Alvito evidencia que o Instituto Oftalmológico “está dotado dos melhores equipamentos que existem no país para responder à maioria das doenças da visão e, no que respeita à miopia em particular, temos capacidades extraordinárias no sentido humano e técnico, que nos permitiram ser pioneiros na relevância a dar a esta doença”. Considerando que “integrar essa resposta no Instituto Oftalmológico seria insuficiente, avançámos para a ideia de criar um centro de miopia”.

Adiantando mesmo que a Oftalmologia é “a especialidade mais importante do hospital”, correspondendo 25% da classe médica a médicos oftalmologistas e sendo ¼ das cirurgias realizadas do foro oftalmológico, só no presente e no último ano foi realizado um investimento de cerca de 200 mil euros em equipamentos diversos dirigidos a esta área.



Avaliando os dados relativos à atividade clínica oftalmológica durante este ano, o presidente do Conselho Diretivo do HOTC destaca que as 5500 consultas, os 3700 exames, e as 1200 cirurgias realizadas até ao final de agosto são “números significativamente positivos, apesar de estarem consideravelmente abaixo face ao período homólogo de 2019”. Como explica, “se inicialmente sofremos uma quebra de atividade entre 30 a 40%, no caso específico dos exames, encontramo-nos apenas 9% abaixo dos realizados em 2019”.

Com a criação deste centro, Fernando Ferreira Pinto avança que pretendem “promover desde o rastreio visual na infância, passando por medidas para evitar o surgimento da miopia e reduzir a sua progressão, ou a educação da população em geral, especialmente de pais e professores, para esta problemática”. Soma-se a “estimulação da correção da miopia com óculos e lentes de uma forma generalizada, e do tratamento de possíveis complicações”.

Sendo um dos mais antigos, senão o mais antigo hospital da Grande Lisboa, o HOTC comemorou no mês de agosto 350 anos do lançamento da primeira pedra. Daqui a dois anos, completará 350 anos de vida. Nesse sentido, Luís Alvito realça que “a inauguração do Centro de Miopia é o primeiro feito de um conjunto de cerimónias e festividades que marca esta celebração”.




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