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«CHULN vai ter mais de 200 ensaios clínicos ativos no próximo ano»

“Os desafios da inovação em Saúde” foi a temática da conferência que assinalou os 67 anos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Dos temas mais debatidos, por diferentes personalidades do setor, o que mais se destacou foi o do acesso equitativo a terapêuticas e tecnologias inovadoras, sem pôr em causa a sustentabilidade financeira.



Na Aula Magna do Hospital de Santa Maria (HSM) foram vários os colaboradores e personalidades da área da Saúde que ouviram os palestrantes falar sobre o equilíbrio que deve existir entre inovação e sustentabilidade económica. Uma premissa que não é fácil, como fizeram questão de relembrar os vários intervenientes no painel, que incluiu médicos, administradores e um economista.

Sendo o setor da Oncologia o que mais acarreta despesa em inovação, Luís Costa, diretor do Departamento de Oncologia e do Centro de Investigação Clínica do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML), deixou algumas considerações sobre as decisões difíceis a que está sujeito como médico:

“A despesa está a aumentar, porque estamos mais avançados tecnologicamente; não pode existir pressão junto dos médicos em relação a esta questão. A mim cabe-me tomar a decisão do melhor tratamento para o doente, que não quer dizer que seja o mais caro.”


Luís Costa

O especialista afirmou, ainda, que “a inovação não pode queimar o sistema financeiro”, sendo também necessário apostar mais na formação dos profissionais de saúde em gestão.

Realçou também o impacto da Medicina de Precisão e a necessidade de se conseguir, neste âmbito, selecionar os doentes para determinada terapêutica de forma mais eficaz. Inerente a este processo está a organização, que, face “ao ritmo tão grande de crescimento da inovação”, vai enfrentar cada vez mais desafios.

Mais de 200 ensaios clínicos em 2022

Foi com evidente entusiasmo que Luís Costa fez questão de adiantar na sua intervenção que, em 2022, o CHULN "vai ter mais de 200 ensaios clínicos ativos" e o motivo é simples, conforme explica: "É uma necessidade que temos."

Os dados que o diretor da Oncologia  partilhou num dos slides indicam também o CHULN recebeu, este ano, cerca de 150 
ensaios clínicos, tendo atualmente 76 em submissão. E, comparativamente com 2019, "no próximo ano vamos conseguir aumentar para o dobro".

Fazendo uma apreciação a nível nacional, salientou que "temos de olhar para a investigação como uma área de investimento e não colateral" e deixou uma certeza: "O nosso país está neste momento a aumentar a capacidade de intervenção e participação em estudos numa fase mais precoce, fase 1 e fase 2. Portanto, são sinais positivos, mas esta é uma onda que não pode ser perdida."


"Falta coordenação entre as CFT, a DGS e a ACSS"

Do lado da Economia da Saúde, Julian Perelman, docente e investigador da Escola Nacional de Saúde Pública, focou-se na necessidade de existir um maior equilíbrio na avaliação clínica e económica dos medicamentos inovadores.

Segundo o palestrante, estes são dos que mais têm aumentado os gastos em Saúde nos últimos anos, sendo essencial, por um lado, negociar preços a nível europeu, mas por outro também melhorar a articulação entre as comissões de farmácia e terapêutica (CFT), a Direção-Geral da Saúde e a ACSS. “As CFT ainda são vistas como um entrave e falta coordenação entre as CFT, a DGS e a ACSS.”

Neste âmbito, Julian Perelman relembrou os resultados de um estudo publicado, em 2019, pelo British Medical Journal, segundo o qual os medicamentos aprovados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), entre 2014-2017, tinham por base ensaios clínicos enviesados.


Julien Perleman

A solução para evitar este tipo de situações poderá passar, na sua opinião, por uma maior articulação entre as entidades, pelo reforço do papel das CFT, pela implementação de auditorias e pela sensibilização dos profissionais de saúde sobre a evidência clínica e os custos de oportunidade.

No debate contou-se ainda com a participação de António Costa e Silva, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência, que fez questão de enfatizar que “todos os recursos financeiros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) são um investimento”.

O responsável mencionou mesmo que “esta premissa é decisiva para a solução dos problemas do setor”. Considerando que a inovação também acarreta desafios na organização, afirmou que “o modelo [organizacional] atual é desadequado e que a solução está na digitalização da Saúde”.

Sessão de abertura: O trabalho e a missão do CHULN

Antes do debate, na sessão de abertura, interveio também Fausto Pinto, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do Centro CAML.


Fausto Pinto

Na sua opinião, o presente e o futuro têm de passar pelo que denomina de “tríplice missão”: ensino, investigação e atividade assistencial, que levaram à criação do CAML. E deixou um apelo: “É imperativo que os cidadãos portugueses tenham acesso, e de forma equitativa, à inovação terapêutica e tecnológica de qualidade e em tempo útil.”

Daniel Ferro, presidente do CA do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), falou do “espírito de missão e do nível de coesão, ajuda e cooperação” dos profissionais em tempos de covid-19. Elencou ainda vários dos projetos que já avançaram ou que estão para breve no centro hospitalar, o que inclui "ampliação e remodelação de unidades e equipamentos".

Da parte governamental, marcou presença Laura Silveira, em representação do Ministério da Saúde, que sublinhou como “a inovação é absolutamente essencial para o SNS”.


Daniel Ferro (ao centro) com anteriores presidentes do atual CHULN

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