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Ideias para um melhor SNS: «Cuidados primários com Oftalmologia e Saúde Oral»

São 37 as medidas apresentadas pelo Movimento Saúde em Dia para o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que tiveram por base uma consulta pública a mais de 40 cidadãos e organizações. As ideias foram apresentadas numa sessão pública, que teve lugar, hoje, na Ordem dos Médicos, em Lisboa.

"Não mascarar sintomas"

Criado em 2020, o Movimento Saúde em Dia é constituído pela Ordem dos Médicos (OM), a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) e a Roche. Tem como principal propósito alertar para a importância de a população, em plena pandemia covid, “não mascarar sintomas” e não adiar visitas ao médico perante sinais de alerta.



Na sessão pública desta manhã foram dados a conhecer os resultados de uma consulta pública, para "recolher ideias e sugestões para a melhoria dos serviços de saúde". No final surgiram quase quatro dezenas de medidas a serem apresentadas aos decisores da Saúde. Entre estas destacam-se a contratação de mais recursos humanos e uma maior articulação com o setor privado e o social, quando o SNS não consegue dar resposta.

Saúde Oral e Oftalmologia

O investimento em novos quadros de pessoal será uma forma de se "evitar o tempo de espera atual para consulta e cirurgia", que sofreu impacto com a pandemia, mas, neste âmbito, os participantes no inquérito apelam também a que haja maior atenção à comunicação na relação médico-doente ("humanização e escuta ativa"). Os dados revelam também a necessidade de "mais tempo para consulta".

No que aos cuidados de saúde primários (CSP) diz respeito, os resultados obtidos com o inquérito apontam no sentido destas unidades de primeira linha terem acesso a condições que permitam disponibilizar "um horário mais alargado". Para Alexandre Lourenço, presidente da APAH, "é algo por demais evidente, já que os serviços de saúde devem-se adaptar às necessidades das pessoas e não as pessoas adaptarem-se aos serviços de saúde".

Por outro lado, fica também evidente a necessidade dos utentes que recorrem aos cuidados de saúde primários "terem acesso a outros serviços, nomeadamente, Saúde Oral e Oftalmologia".

Outras áreas de investimento seriam a aposta na prevenção, "com a realização de meios complementares de diagnóstico anuais e um ficheiro clínico único", também acessível no setor privado. A melhoria da acessibilidade, com um canal direto de comunicação, mais meios de transporte para as unidades, a descentralização de consultas e exames dos grandes centros urbanos e o apoio ao domicílio são mais pontos elencados.

No campo financeiro, apelou-se a uma maior comparticipação de medicamentos no ambulatório e à existência de taxas moderadoras adaptadas à condição socioeconómica de cada um.

Medidas com “uma lógica construtiva”

Para Alexandre Lourenço, presidente da APAH, estas medidas surgem “numa lógica construtiva de quem acredita no SNS”, porque, acrescentou, “esconder que o SNS enfrenta tremendos desafios não é certamente o caminho”.


Alexandre Lourenço

Na sua intervenção, disse mesmo que “é preciso reinventar o serviço público de saúde, para se garantir a universalidade de cuidados em Portugal”. Reiterando que continua a acreditar no SNS e que “é possível fazer melhor”, apelou a uma maior autonomia e flexibilidade, para “se evitar um sistema administrativista”.

“Temos que libertar o SNS”

Em reação ao que foi apresentado, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, disse que “não vale a pena fugir à verdade, os números podem ser apresentados de várias formas, mas as pessoas têm um nome e esperam mais de nós”.

E alertou: “A recuperação é importante e emergente, mas recuperar não é fazer o mesmo que em 2019, sobretudo nalgumas áreas como nas cirurgias e consultas hospitalares, nem que seja um pouco mais.”

Para o responsável, os resultados dos estudos demonstram como os portugueses querem ter um acesso mais rápido à Saúde, sendo necessário mais recursos humanos e maior articulação entre setores. “Temos que libertar o SNS, torná-lo mais competitivo, [porque] não vive isolado dos setores privado e social.”

Outro tema foi o das novas tecnologias e da telemedicina, esta última que implica “imagem, segurança, qualidade e responsabilidade”. “Os hospitais e os centros de saúde já deviam estar preparados [para a transformação digital], para se conseguir uma resposta mais abrangente, seguindo sempre os princípios fundamentais daquilo que é a relação médico-doente.” Ressalvou, contudo, a necessidade das consultas presenciais.



E o que também foi positivo

Presente na sessão de encerramento, o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales não quis desconsiderar o que existe de menos negativo no setor, mas fez questão de elencar também o que é positivo. Exemplo disso são os 9,2 milhões de consultas hospitalares realizadas de janeiro a setembro, "mais que nos dois anos anteriores", o aumento dos rastreios nos últimos meses, nomeadamente, "do cancro da mama e do cancro do cólon e reto", entre outras.

Quanto às dificuldades no acesso a cuidados não-covid no último ano e meio, relembrou que “não havia, à luz do conhecimento que se tinha, outra forma e caminho”, e que se “visou, essencialmente, proteger as pessoas”.

Do evento participaram algumas figuras de relevo da Saúde, como Maria de Belém Roseira, ex-Ministra da Saúde, e Daniel Sampaio, psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que debateram o estado da saúde, também com base nos resultados de dois estudos: um sobre  “O impacto da pandemia e resposta do SNS”, uma análise feita pela MOAI Consulting, com base nos dados do Portal da Transparência e do BI-CSP; e um outro sobre “O que pensam, sentem e querem os portugueses para o futuro da Saúde”, da GFK Metris.

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