Infeção VIH/SIDA: Risco de transmissão mãe-filho pode ser inferior a 1%

Em declarações à Just News, Isabel Ramos, do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), sublinha que os “surpreendentes” avanços no conhecimento científico sobre a infeção VIH/SIDA e a descoberta de fármacos antirretrovíricos “cada vez mais seguros e eficazes” permitiram reduzir o risco de transmissão mãe-filho para valores inferiores a 1%.

Segundo refere, em Portugal, até ao final de 2013, haviam sido notificados ao Centro de Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis 12.859 situações de infeção VIH/SIDA no sexo feminino (27,1% do total de notificações).

De entre os casos registados em mulheres, a nossa interlocutora menciona que 9703 (75,5%) tinham > 15 e < 45 anos, ou seja,  encontravam-se em pleno período fértil da sua vida reprodutiva. E porque a grande maioria das infeções na mulher acontece pela via heterossexual, a ocorrência de gravidezes em seropositivas VIH será bastante expectável.

“A transmissão vertical (TV) foi, desde cedo, reconhecida como importante via de disseminação do VIH e como a grande responsável pelos números avassaladores de SIDA pediátrica em África. A transmissão à descendência pode acontecer durante a gravidez (“in útero”), no parto e periparto (a maioria das  casos de infeção ocorre neste período) e no pós-parto (através do aleitamento materno)”, refere.

E alerta que, se não forem tomadas quaisquer medidas profiláticas sobre a grávida e o recém-nascido (RN), a probabilidade de transmissão do VIH-1 é de 20 a 40%, verificando-se as taxas mais elevadas no seio de populações mais desfavorecidas em termos económicos, sociais e de cuidados de saúde (alguns países de África Subsaariana, por exemplo).

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