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Insuficiência cardíaca avançada: «Com a telemonitorização reduzimos em 68% o internamento hospitalar»

"Foi uma grande surpresa", reconhece Lino Gonçalves, o diretor do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), referindo-se aos resultados que conseguiram obter com a telemonitorização: "Conseguimos reduzir em 68% o internamento hospitalar dos nossos doentes com insuficiência cardíaca avançada."

Um resultado algo inesperado, "porque as publicações prévias tinham apresentado alguma dificuldade em mostrar o benefício deste tipo de acompanhamento".

Por outro lado, refere que "talvez a explicação resida no facto de, no nosso caso, a telemonitorização ser utilizada em doentes muito graves, que acabam por beneficiar mais desta forma de monitorização à distância".

Detalhe na monitorização do peso corporal

O médico, que é presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, refere que, "com esta tecnologia, somos capazes de detetar precocemente o início da descompensação e chegámos à conclusão que um parâmetro muito simples, mas importante para o seguimento destes doentes é o peso corporal".

E acrescenta: "Acabámos por ficar surpreendidos com o nível de detalhe que era possível obter a partir da monitorização do peso corporal à distância".


Lino Gonçalves

Este é um dos dados que Lino Gonçalves destaca numa entrevista de fundo à Just News, publicada na mais recente edição da revista Coração e Vasos.

O médico aborda também o papel da telemedicina, considerada "uma área muito importante para nós", recordando que Eduardo Castela, presidente da Associação Portuguesa de Telemedicina e que foi diretor do Serviço de Cardiologia Pediátrica do CHUC, "fez daquele Serviço o primeiro a realizar telemedicina em Portugal, em 1998".

Quanto ao Serviço de Cardiologia de adultos, "seguiu os seus passos e, em 2003, avançou com este sistema, em colaboração com colegas dos Cuidados de Saúde Primários", uma interação que foi muito estimulada e com resultados animadores.

"No caso do nosso Serviço, a experiência revelou-se muito interessante, porque conseguimos reduzir em cerca de 80% a vinda de doentes ao nosso hospital", adianta Lino Gonçalves. E de que forma? "Ao dialogar, através desta tecnologia, com os colegas especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF) de Vila Nova de Poiares, Soure, Condeixa-a-Nova e Montemor-o-Velho sobre os casos clínicos por eles apresentados. Permitia-nos também um diálogo direto com o utente."

Telemedicina: "não existe tempo protegido"

Lino Gonçalves recorda ainda uma experiência prévia de telemedicina com centros de saúde com atendimento urgente, "onde constatámos que esta interação permitia reduzir em 60% o envio dos doentes para a nossa urgência. Dos doentes enviados, após consenso entre os dois especialistas, 70% ficavam efetivamente internados, o que demonstra que a triagem efetuada era de qualidade."


Lamenta, contudo, tratar-se de "uma área que não está consolidada, porque não existe tempo protegido nem da nossa parte hospitalar, nem dos colegas especialistas de MGF."

Na sua opinião, "é um conceito que existe e faz toda a diferença no estrangeiro, mas em Portugal continua a prevalecer a carolice". Considera mesmo ser "uma limitação importante, pois, o entusiasmo e esforço iniciais acabam por desvanecer-se à medida que vamos sendo esmagados pelo peso das atividades de rotina diárias." Conclusão a tirar? "É fundamental que haja um espaço horário alocado especificamente à realização da telemedicina."




O cardiologista considera que, "em boa verdade, este cenário repete-se noutras áreas, como a investigação e a formação dos internos", e dá um exemplo:

"Recentemente, conheci o caso de uma jovem oftalmologista portuguesa, que iniciou o internato da especialidade no CHUC e foi convidada a concluí-lo no Brigham and Women’s Hospital, em Boston. Em conversa, contou-me que, nesta instituição americana, semanalmente, durante uma hora, a diretora do Serviço está sentada a seu lado para discutirem o estado da sua investigação, analisarem os dados obtidos, delinearem os passos seguintes e anteciparem dificuldades."

Ou seja, "dos cinco dias de trabalho semanais, aquela diretora tem três deles protegidos para fazer investigação e ensino. Em Portugal, não conseguimos competir com esse nível de qualidade."

Grande investimento na formação dos profissionais... também além-fronteiras


Outro tema abordado na entrevista de Lino Gonçalves na Coração e Vasos diz respeito ao papel importante que a Cardiologia do CHUC tem tido na componente formativa.

"Além de, tipicamente, termos anualmente em formação 18 internos de Cardiologia e 30 de outras especialidades, orgulha-nos muito a colaboração que mantemos com os países que falam português", refere o responsável pelo Serviço de Cardiologia do CHUC, acrescentando:

"Nos últimos anos, recebemos colegas de Moçambique, Angola, Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A primeira cardiologista de São Tomé e Príncipe, a Dr.ª Miryan Cassandra, foi formada no nosso Serviço e é gratificante ver estes colegas regressarem aos seus países de origem com uma formação adequada, que lhes permite fazer toda a diferença junto dos doentes cardiovasculares."

Indica ainda ter sido "entusiasmante receber a notícia, no início de 2021, por parte de um jovem colega cabo-verdiano que tinha efetuado a sua formação connosco da implantação do seu primeiro pacemaker em Cabo Verde, procedimento que, até então, era efetuado por cardiologistas portugueses ou de outros países que se deslocavam até lá".



A entrevista completa pode ser lida na revista Coração e Vasos maio/agosto.

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