Iniciativa alerta para o impacto das doenças reumáticas «na saúde, economia e sociedade»

As doenças reumáticas têm, atualmente, em Portugal, uma prevalência superior a 50%. No entanto, apenas 22% têm um diagnóstico final. O alerta parte de José Canas da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, salientando haver muito trabalho a fazer, uma vez existirem ainda “muitos casos subdiagnosticados”.

O reumatologista falou, esta quinta-feira, na Sala da Biblioteca da Assembleia da República, durante a Conferência "Diagnóstico e referenciação precoce: o impacto das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas na saúde, economia e sociedade", que juntou decisores políticos e especialistas nacionais e internacionais. A reunião teve como objetivo discutir medidas para reduzir os custos individuais, sociais e económicos das doenças reumáticas em Portugal e na Europa.



Segundo José Canas da Silva, estas patologias são mais prevalentes nas mulheres. Contudo, é no sexo masculino que apresentam maior gravidade. “As doenças reumáticas têm grande impacto na vida das pessoas, afetam bastante a funcionalidade, as atividades da vida diária e as relações sociais e profissionais, com implicações económicas”, refere, acrescentando que as baixas por doença são uma constante. Além disso, "fazem aumentar o número de reformas antecipadas e de cirurgias".

EpiReuma

Aludindo ao estudo EpiReuma (um grande estudo epidemiológico na área da Reumatologia realizado em Portugal), o responsável salienta que, apesar de se ter verificado uma grande evolução na última década, continuam a existir áreas geográficas muito carenciadas na oferta de prestação de cuidados adequados para as doenças reumáticas.



“Não temos o número necessário de reumatologistas, apesar da aposta que tem sido feita na formação destes profissionais" e aproveita a oportunidade para recordar novamente que "é também grave que os maiores hospitais, em grandes áreas metropolitanas, não tenham serviços de Reumatologia”.

Os atrasos na referenciação, segundo indicou, podem dever-se ao facto de o doente desvalorizar os sinais e sintomas, mas também de os médicos de família não terem noção da gravidade da situação e não referenciarem precocemente. Todavia, também “os próprios serviços de Reumatologia acabam por não dar assistência atempada, muitas vezes por falta de recursos”.



José Canas da Silva não tem dúvidas de que Portugal pode e deve trabalhar mais e melhor nesta área, "de preferência em conjunto", havendo uma melhor interligação entre cuidados de saúde primários e hospitalares.


Elsa Mateus, Gerd Rüdiger Burmester e Christina Opava.

"A intervenção precoce é a chave"

A conferência foi organizada pela Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPCDR), em parceria com a Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR) e a Sociedade Portuguesa de Reumatologia. Estiveram presentes, entre outros especialistas, Gerd Rüdiger Burmester e Christina Opava, respetivamente, presidente e vice-presidente da EULAR, e Elsa Mateus, presidente da LPCDR.

Na sua intervenção, Gerd Rüdiger Burmester salientou que "temos ótimas ferramentas, mas temos de as tornar mais acessíveis à população" e lembrou que, na Europa, existem 120 milhões de pessoas afetadas por doenças reumáticas e que "a intervenção precoce é a chave". A ideia foi reforçada por Elsa Mateus, referindo que existem vários estudos que confirmam existir ainda áreas no país onde não são prestados cuidados adequados, o que, naturalmente, tem um enorme impacto "na qualidade de vida das pessoas afetadas, bem como na sociedade em geral."






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