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850 obstetras e neonatologistas europeus atualizaram conhecimentos em Lisboa

Para Diogo Ayres de Campos, presidente da Sociedade Europeia de Medicina Perinatal, “a defesa intransigente dos interesses das grávidas e dos recém-nascidos tem de ser sempre a maior prioridade”. Por isso, vários foram os temas discutidos por obstetras e neonatologistas europeus no 28.º congresso desta Sociedade, que se realizou em Lisboa, no final de junho.

A avaliação do interesse da realização de novos estudos genéticos em fetos diagnosticados com malformações e a discussão de novos tratamentos de cirurgia fetal em situações de espinha bífida aberta ou de hérnia diafragmática, dado “os bons resultados da neurocirurgia minimamente invasiva”, foram algumas das sessões que marcaram o primeiro dia de trabalho, na reitoria da Universidade de Lisboa.


Diogo Ayres de Campos

Também as evoluções recentes na área da pré-eclâmpsia foram alvo de destaque, nomeadamente ao nível dos “critérios de diagnóstico, do prognóstico e da intervenção clínica, que são muito mais baseados em marcadores bioquímicos, que há dez anos não existiam”. O surgimento de novas evidências quanto à via de parto a propor em situações de placenta prévia também mereceu lugar numa sessão.

O diretor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do CHU Lisboa Norte destaca a infeção na gravidez pelo citomegalovírus como tendo sido uma das sessões mais inovadoras, onde se abordou “a importância do rastreio, dado existirem novos tratamentos que reduzem a ocorrência de complicações nos recém-nascidos cujas mães contactaram recentemente com o vírus”.

Como descreve, “as alterações neurológicas a longo prazo são complicações importantes, sendo a mais frequente o défice auditivo, mas hoje em dia existem tratamentos capazes de reduzir substancialmente esse desfecho”.

Diogo Ayres de Campos distingue ainda a importância da sessão sobre rutura prematura de membranas, uma situação que “atinge uma em cada 20 grávidas”. Nesse contexto, foi revista a evidência mais recente sobre a segurança da vigilância destas grávidas em ambulatório, a duração da atitude expectante, os antibióticos que devem ser prescritos, e as idades gestacionais em que se devem prescrever corticosteroides”.



Cursos hands-on training e sessões sobre temas controversos integraram também o programa

Este congresso ficou marcado pela realização de quatro cursos hands-on training, que decorreram no Centro de Simulação Avançada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, um deles sobre a injeção de corantes nas placentas, que tem “especial interesse para identificar a passagem anormal de sangue entre gémeos que partilham a mesma placenta”.

A reanimação neonatal, a versão cefálica externa e a ecografia intraparto foram os procedimentos tratados nos três outros cursos, todos envolvendo treino em simuladores. “Houve muitos especialistas a frequentar estes cursos, porque o treino regular de procedimentos é importante na manutenção ou na aquisição de novas competências”, refere.

Intercaladas com sessões plenárias e paralelas, houve espaço para sessões controversas. Fazer ou não pressão no fundo do útero durante o nascimento do bebé e ser mais ou menos proativo no suporte de vida a recém-nascidos com menos de 24 semanas foram duas destas sessões.

“As formas diferentes como a primeira manobra é realizada pelos profissionais de saúde e percecionada pela grávida, e as baixas probabilidades de sobrevida e de sobrevida sem sequelas de bebés tão prematuros, levam a que estas sejam áreas que suscitam diferentes opiniões”, refere.



Diogo Ayres de Campos com Neena Modi, presidente eleita da Sociedade Europeia de Medicina Perinatal

Representar os interesses das sociedades científicas de 31 países

Enquanto sociedade europeia, representa as sociedades neonatais, obstétricas e perinatais de 31 países, que marcaram presença neste congresso. Para Diogo Ayres de Campos, que assume ainda a presidência da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, “a Europa tem de ser um lugar onde os interesses das grávidas e dos recém-nascidos estejam sempre em primeiro lugar”.

A partilha livre de informação científica é outro dos “valores europeus fundamentais” que defende, e entende que “apesar de o acesso à informação ser, atualmente, mais fácil para todos através dos meios eletrónicos, o excesso de informação disponível na internet pode dificultar a identificação do conteúdo mais relevante”.



Nesse sentido, considera que “as sociedades científicas internacionais têm o papel de coletar e transmitir informações relevantes, baseadas na evidência científica mais recente, para que todos possam ter acesso a este conhecimento e introduzi-lo na sua prática clínica”.

Além da publicação de três novas orientações clínicas europeias durante o primeiro ano de mandato de Diogo Ayres de Campos enquanto presidente da Sociedade Europeia de Medicina Perinatal, há outra dezena em desenvolvimento para o segundo ano do mandato. A organização de cursos online é outra das atividades iniciadas este ano.


Miroslaw Wielgos e Apostolos Athanasiadis, membros do comité científico, com Diogo Ayres de Campos

A "dedicação contínua" dos obstetras e neonatologistas portugueses 

Numa fase em que Portugal está a viver um período difícil nas urgências de Ginecologia e Obstetrícia e nos blocos de partos, Diogo Ayres de Campos, coordenador da comissão encarregue de acompanhar esta resposta, deixou, na sessão de abertura do congresso, uma mensagem aos obstetras e neonatalogistas portugueses:

“No fundo, penso que estamos todos orgulhosos do nosso país e dos cuidados de saúde que proporcionamos às nossas grávidas e aos nossos recém-nascidos, embora estejamos neste momento a passar por uma fase difícil da nossa profissão. Como em todos os países, os cuidados perinatais têm os seus altos e os seus baixos, os seus momentos de visão e de sucesso, e os momentos de apreensão e de necessidade de reforma estratégica. O que faz a maior diferença para as grávidas e os recém-nascidos é a dedicação contínua que nós, como indivíduos, proporcionamos nos cuidados clínicos, independentemente destes momentos. Como tal, gostaria de dedicar este momento final da sessão de abertura do congresso aos obstetras e neonatalogistas portugueses que dedicam o melhor dos seus esforços, todos os dias, para providenciar o nível mais elevado dos cuidados clínicos às nossas grávidas e aos nossos recém-nascidos. É dedicado a cada um de vós que acredita neste objetivo comum da excelência clínica e que, através dos vossos esforços diários, tornam este objetivo uma realidade”.


Filipa Passos e Verónica São Pedro, obstetras, em momento musical

Este 28.º Congresso Europeu de Medicina Perinatal, o primeiro em regime presencial e virtual desde a pandemia, registou 1050 participantes, 850 dos quais em modelo presencial e 200 em participação virtual. O último formato presencial havia sido realizado em 2018 em São Petersburgo.

Esta foi a segunda vez que a organização escolheu Portugal para realizar o evento. A primeira aconteceu em 2000, no Porto.

Linda de Vries a receber o “Erich Saling” Maternity Prize award. Yves Ville foi o outro premiado, que esteve presente em formato digital

  

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