Literacia em saúde: FMUC esclarece idosos sobre «como e quando me devo queixar»

A Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) organiza, esta quinta-feira, na Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, uma sessão de literacia em saúde intitulada “Como e quando me devo queixar: Centro de saúde/urgência hospitalar”, no âmbito de um protocolo com aquela junta de freguesia. O evento destina-se, particularmente, à população idosa, mas é aberto a toda a comunidade.

Em declarações à Just News, Manuel Santos Rosa, professor catedrático da FMUC e dinamizador do projeto, afirma que “é preciso tentar incutir, sobretudo na população idosa, o que são sinais e sintomas mais alarmantes que devem conduzir o doente à urgência hospitalar ou, pelo contrário, devem levar o doente a recorrer a cuidados de saúde primários”.



Transmitir os sintomas de "forma mais objetiva ao médico"

“Uma das primeiras interrogações de alguém que se sente doente é: ‘Onde me devo dirigir?’ e, contrariamente ao que se diz, na maioria das vezes, as pessoas não se dirigem às urgências porque têm maior facilidade em ser atendidas, mas porque estão com medo porque não conseguem distinguir minimamente a possível gravidade da situação e, por isso, vão para aquele que lhe parece ser o melhor recurso”, salienta aquele responsável.

O docente da FMUC, que é também diretor da Biblioteca de Ciências da Saúde da Universidade de Coimbra, refere que, muitas vezes, os doentes, sobretudo os idosos, são muito imprecisos nos sintomas. “O médico pode avaliar os sinais, mas, em relação aos sintomas, tem de fazer um conjunto de perguntas ao doente para caracterizar o problema (onde sente dor, se é contínua ou intermitente, por exemplo) ”, menciona.

“É possível capacitar as pessoas a conhecerem um pouco mais os seus sintomas para que os consigam transmitir de forma mais objetiva ao médico”, sublinha, desenvolvendo que se o idoso perceber os seus sintomas "consegue descrevê-los, sendo mais facilmente caracterizado, o que permite passar ao passo seguinte".



Além de Manuel Santos Rosa, nesta sessão serão também palestrantes Luiz Santiago, professor na FMUC e médico de família, e Paulo Martins, professor na FMUC, médico de urgência hospitalar e intensivista do CHUC.

"Uma Escola de Medicina aberta para a população"


Há mais de uma década que a FMUC está empenhada em organizar sessões de literacia em saúde. “A ideia de as realizar surgiu da necessidade de fazer algo no contexto de uma Escola de Medicina aberta para a população, com a tradição que tem a FMUC”, conta Manuel Santos Rosa.

Além do corpo médico e de todas as pessoas ligadas à FMUC que têm participado nestas sessões, a organização e desenvolvimento do projeto conta, desde o seu início, com o envolvimento de uma socióloga, Carina Monteiro. Tal representa uma vantagem, sublinha Manuel Santos Rosa, pois "possibilita que haja uma maior perceção de como é possível atingir mais facilmente as pessoas”.


Manuel Santos Rosa e Carina Monteiro.

Partilhar informação "que realmente capacita o cidadão"

“Vivemos num tempo em que há muita informação. Curiosamente, ouvimos os nossos responsáveis políticos dizer que há falta de informação, mas em saúde há muita informação. Nalguns casos, até será demasiada, mas no contexto de notícia. Não é propriamente informação pedagógica que realmente capacita o cidadão para conhecer mais e poder ser mais moderno e pró-ativo no conceito de saúde”, menciona Manuel Santos Rosa.

“Verificámos, por um lado, que a informação tipo notícia tem problemas perfeitamente identificáveis, como o facto de não ser pedagógica, ou seja, ser dada no sentido do seu impacto e não da pedagogia de capacitar o cidadão. Por outro, funciona na base da moda”, acrescenta, sublinhando: “A pedagogia não pode ser feita por modas, em que hoje se diz que um alimento é bom e depois já é mau, como acontece com o leite, por exemplo.”
 

Ajustar a mensagem e ações (também) a crianças e jovens

“Ao idoso, em literacia em saúde, interessa-lhe muito o contexto daquilo que se pode repercutir sobre si próprio, isto é, está numa fase em que a doença o preocupa. Pelo contrário, as crianças e os jovens consideram-se geneticamente imortais e invencíveis e, quando lhes falamos em envelhecimento ou saúde, questionam-se sobre o que lhes interessa. Contudo, são muito sensíveis a problemas de saúde pública e isso pode ter uma repercussão enorme porque vão ser eles os decisores e os protagonistas de saúde pública”, aponta.



A título de exemplo, Manuel Santos Rosa destaca a realização, há uns anos, de uma iniciativa desenvolvida em colaboração com o INEM e o CHUC, que terá sido "a primeira grande sessão sobre suporte básico de vida para jovens", que teve lugar no Estádio Universitário de Coimbra, tendo contado com cerca de 500 participantes.

Entre outras ações desenvolvidas na área de literacia na saúde, o professor catedrático realça, ainda, um outro projeto que decorre "ao longo dos últimos 12-13 anos" e que é organizado em parceria com a Universidade de Salamanca e o Centro de Estudos Ibéricos, sediado na Guarda. Trata-se de um ciclo de conferências para a população em geral, "mas também para jovens do ensino superior e pré-ensino superior, em que são escolhidos temas que sejam formativos/capacitativos em saúde".




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