«Lutem para que a Medicina da Dor seja reconhecida como entidade própria»

“A dor crónica ainda não é reconhecida, formalmente, como doença em Portugal”, disse Beatriz Craveiro Lopes, fundadora do Centro Multidisciplinar de Dor do Hospital Garcia de Orta. A responsável falou à Just News na sequência do 29.º Congresso de Medicina da Dor, que decorreu entre 27 e 28 de maio, na Costa da Caparica.



Figura reconhecida da área da dor, Beatriz Craveiro Lopes, aposentou-se em dezembro passado, mas continua a preocupar-se com alguns problemas que continuam por se resolver. “Por mais que se diga que é um problema de saúde pública, na prática, não há, até à data, reconhecimento por parte da Tutela de que a Medicina da Dor é uma disciplina diferente”, frisou.


Beatriz Craveiro Lopes

Para a anestesiologista, esta realidade põe em causa questões tão concretas como o facto de o hospital não ser ressarcido pelos procedimentos realizados por anestesiologistas nas unidades de dor.

Na sua opinião, “o mesmo não aconteceria se fossem administrados por um cirurgião". Mas sublinha: "O que está em causa é o ter-se, ou não, experiência em dor; além de que já existe a competência.”

Outro problema é a escassez de recursos humanos nas unidades já existentes, sobretudo entre médicos, assim como a falta de autonomia das mesmas. No HGO, o CMD remete diretamente ao Conselho de Administração, mas é o único. Noutras unidades não se consegue ter uma equipa exclusivamente dedicada à dor crónica.

De acordo com a médica, “essa autonomia é fundamental e o custo-efetividade está garantido, porque se evita a agudização e a deterioração do estado de saúde global de quem sofre com este problema de saúde.”



Beatriz Craveiro Lopes realçou ainda a necessidade de “se evoluir da multi para a interdisciplinaridade”, que permite ter, no mesmo espaço, diferentes especialidades e valências. “É a chamada Medicina de Alta Resolução.”

Concluindo, deixou um repto a quem trabalha nesta competência: “Não desistam! Lutem para que a Medicina da Dor seja reconhecida como entidade própria.”



Recorde-se que Beatriz Craveiro Lopes criou há 29 anos a Unidade Dor do HGO, tendo conseguido, em julho de 2017, que a mesma assumisse oficialmente a designação de Centro Multidisciplinar de Dor. Após a sua saída como diretora, em 2019, o HGO atribuiu o seu nome ao centro, sendo atualmente denominado Centro Multidisciplinar de Dor Beatriz Craveiro Lopes (CMDBCL).


José Luís Portela (fundador da 1.ª Unidade de Dor no país, no IPO Lisboa), Beatriz Craveiro Lopes e Javier Durán

Desvalorização e a necessidade de cuidados diferenciados

O reconhecimento de que a dor crónica é uma disciplina diferente foi também o mote da intervenção de Alexandra Reis, diretora do CMDBCL, que, por motivos de saúde não pôde estar na sessão de abertura do evento.



Coube a Javier Durán, presidente da ASTOR, ler uma mensagem da anestesiologista, alertando para “a atual desvalorização da Medicina da Dor em todas as suas vertentes, o que contribui para o subdiagnóstico e subtratamento”.

Lembrou, também, como é importante que se prestem “cuidados diferenciados, com base num modelo biopsicossocial”.

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