«Mais de 50% dos custos dos hospitais de agudos são centrados no internamento»

São necessários novos modelos de organização hospitalar que permitam melhorar a qualidade dos cuidados prestados, tal como a experiência dos doentes e das famílias na sua utilização, sublinha Alexandre Lourenço.

Em entrevista à Just News, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) fala a propósito da 3.ª Conferência de Valor APAH, que se realiza esta sexta-feira e sábado, em Évora.

Subordinada ao tema “Modelos de hospitalização e continuidade de cuidados”, a Conferência irá centrar-se, sobretudo, na forma como os hospitais gerem o internamento e asseguram a continuidade de cuidados, através de novas parcerias e estratégias com a comunidade.



“Mais de 50% dos custos dos hospitais de agudos são centrados no internamento. Sabe-se, no entanto, que se for feita uma melhor gestão, será possível reduzir estes custos e fazer a sua realocação para áreas com maior efetividade. Para tal, é importante promover cuidados em ambulatório e a interligação com outros parceiros na comunidade”, menciona, desenvolvendo que em Portugal "existem bons exemplos a nível da hospitalização domiciliária".

A abertura da Conferência, que terá lugar na sexta-feira pelas 18h00, ficará a cargo do presidente do evento, o administrador hospitalar Francisco Guerreiro, a quem caberá, também, no final, a apresentação das conclusões.

No primeiro dia é de realçar a realização da palestra APAH TALKS “A integração de cuidados, um desafio partilhado”, que será proferida por Nick Goodwin, CEO da International Foundation for Integrated Care (Reino Unido).

Cuidados participativos centrados no utente

Como é habitual, o evento contará com a participação de especialistas internacionais para apresentarem as suas experiências, sendo as mesmas comentadas e analisadas por um painel de peritos nacionais.

A primeira conferência será moderada por Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta (hospital português com projeto modelo na área da hospitalização domiciliária) e será dedicada a redesenhar serviços e processos para aumentar a eficiência no internamento hospitalar. Esta conferência será proferida por Fulgencio Collado (Espanha).

Nesta linha, a segunda conferência será dedicada às soluções de continuidade e proximidade de cuidados, sendo proferida por Susan Gibert (UK) e moderada por Ana Paula Gonçalves, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Outra das intenções destas conferências é, segundo Alexandre Lourenço, envolver os cidadãos. Neste contexto, terá lugar uma sessão proferida por Pilar Martínez Montiel (Espanha) intitulada “Oportunidade: Integração de cuidados centrados nas necessidades e participação do utente”, cuja moderação ficará a cargo de Francisco Velez Roxo, presidente do Conselho de Administração do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca.

De acordo com o presidente da APAH, a referida sessão chamará a atenção de que o aumento da participação dos utentes irá apoiar os hospitais a desenhar cuidados de maior qualidade.

A utilização de novas tecnologias para a redução de internamentos evitáveis é também abordada através Mathias Ekman (Suécia), conferência moderada por Maria Filomena Mendes, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Évora e anfitriã da 3.ª Conferência de Valor APAH.



Apresentação dos resultados finais do barómetro de internamentos sociais

Um dos momentos altos da Conferência será a apresentação dos resultados finais do barómetro de internamentos sociais, um projeto que tem vindo a ser desenvolvido pela APAH, com o apoio do Ministério da Saúde.

“Pela primeira vez em Portugal teremos uma análise clara sobre os internamentos inapropriados que podem ser geridos ao nível da comunidade, promovendo a melhor qualidade para o doente e também a libertação de custos para outras áreas mais efetivas no sistema de saúde”, comenta Alexandre Lourenço.

Segundo aquele responsável, “é necessário debater modelos de articulação e coordenação com os cuidados de saúde primários e à Rede Nacional de Cuidados Continuados e a forma como as famílias podem ser envolvidas nessa resposta, eventualmente com outros parceiros do setor social”.

Chegar a “consensos alargados”

As Conferências de Valor APAH contam com a participação não só de administradores hospitalares, mas também de outros parceiros, como profissionais de saúde, associações de doentes, autarquias, ou fornecedores dos hospitais.

“O nosso objetivo é garantir consensos alargados para a evolução do modelo de gestão e organização hospitalar”, comenta Alexandre Lourenço.


Ílhavo acolheu a 1.ª Conferência: Alexandre Lourenço com os responsáveis pela liderança dos dois maiores centros hospitalares do Porto e Lisboa - António Oliveira e Silva e Carlos Martins, presidentes dos Conselhos de Administração do Centro Hospitalar de São João e do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

De acordo com o responsável, existe uma forte participação dos gestores hospitalares. “A nível das três conferências, temos uma participação da totalidade dos conselhos de administração, incluindo mais de 90% dos seus presidentes”, refere.

Por outro lado, afirma, “estas conferências têm-nos permitido chegar a conclusões que nos levam a dialogar e a encontrar soluções que apoiam o diálogo com os responsáveis políticos, desde os representantes na Assembleia da República aos membros do Governo”.

Recorde-se que a 1.ª Conferência de Valor APAH teve lugar em março deste ano em Ílhavo, tendo sido dedicada ao tema “Modelos de Negócio e Contratação – Oportunidades e Desafios”, enquanto a 2.ª se realizou no Porto, no passado mês de julho, centrando-se nos desafios e oportunidades associados aos Modelos financeiro e de financiamento.

O próximo Ciclo de Conferências está já está a ser planeado. A primeira sessão terá lugar durante o mês de março de 2018. O foco serão os modelos de gestão da emergência/urgência hospitalar e a continuidade de cuidados.

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