Medicina de Precisão: documento oferece «uma visão para o próprio Serviço Nacional de Saúde»

“A Medicina de Precisão vai permitir melhorar os cuidados de saúde, contribuindo também para a redução do desperdício no sistema de saúde.” As palavras são de Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que, juntamente com a Ordem dos Médicos (OM), apresentou, esta quarta-feira, a Agenda Estratégica para o Futuro da Medicina de Precisão – Orientações para Implementação (2020-2023).

O projeto, que contou com a colaboração técnica da EY, visa propor uma agenda para os próximos quatro anos, de modo que Portugal possa investir na Medicina de Precisão.

O responsável relembrou que se trata de “um conceito inovador que procura adequar o tratamento ao perfil de cada doente”, permitindo assim “um diagnóstico mais eficaz, que evite terapêuticas ineficazes e dispendiosas”.


Alexandre Lourenço

Tal como noutros países onde já se aposta na Medicina de Precisão, Alexandre Lourenço alertou para a necessidade de se reunir, em torno deste objetivo, a academia, os hospitais, as organizações de saúde, os doentes e o setor industrial.

O presidente da APAH foi mais longe e considerou mesmo que “este documento é uma solução para o sistema de saúde e uma visão para o próprio Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.



E, como acrescentou, “Portugal não pode manter uma estratégia de passividade na maioria das áreas de saúde, sendo como que uma esponja absorvente de todos os investimentos neste setor, quando muitos são de fraca qualidade e inovação”.

Numa fase inicial, pretende-se que a Agenda passe pela identificação de uma estrutura coordenadora, responsável pela definição da estratégia nacional e que sejam definidos modelos de financiamento, “não pondo em causa a sustentabilidade financeira das unidades envolvidas”.

Além disso, espera-se melhorar os resultados clínicos através do acesso equitativo e cuidados personalizados; guiar a prática clínica através de dados clínicos, genómicos e disponibilizados pelos cidadãos, que leve a uma política nacional de dados em saúde; aumentar a capacidade de desenvolvimento da inovação; e reforçar a participação do cidadão na sua saúde.



Na Agenda são assim propostos dois projetos-piloto em hospitais do SNS. Um deverá focar-se na implementação de uma base de dados que integre dados clínicos e genómicos, processados por Inteligência Artificial; outro na análise dos modelos de financiamento, que promovam o acesso sustentável a terapias celulares inovadoras que demonstrem ganhos terapêuticos significativos.

O Bastonário da OM, Miguel Guimarães, justificou o apoio ao projeto por “a Medicina, dita de precisão, ser uma matéria extremamente importante, com a qual se tem de lidar desde já; não se podendo continuar a adiar a sua existência”.


Miguel Guimarães

Como disse ainda: “A Medicina de Precisão contribui para a melhoria dos cuidados de saúde, tendo vantagens para os doentes, mas também para o sistema de saúde.”

Na sessão de apresentação pública esteve António Vaz Carneiro, diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), que falou sobre MP e como pode evitar as ineficiências, que revelam dados internacionais, em doenças amplamente estudadas, como a diabetes, a asma, a artrite e o cancro.

seg.
ter.
qua.
qui.
sex.
sáb.
dom.

Digite o termo que deseja pesquisar no campo abaixo:

Eventos do dia 24/12/2017:

Imprimir