Medicina Física e de Reabilitação: «A telerreabilitação é um complemento importante»

“A telerreabilitação não substitui as consultas presenciais, sendo sempre um complemento importante dos cuidados de Medicina Física e de Reabilitação (MFR)”, disse Catarina Aguiar Branco, A presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) falou à Just News no âmbito do XX Congresso da SPMFR, que decorreu online.


Catarina Aguiar Branco

Telessaúde e a "falta de infraestruturas adequadas"

Uma das temáticas abordadas logo na cerimónia de abertura foi a telessaúde, que se destacou nos últimos meses, marcados pelo surgimento de um novo coronavírus. “Há muito que se falava da relevância deste tipo de intervenção, mas, de facto, a maioria dos serviços não estavam preparados para esta nova forma de trabalhar, quer pela falta de infraestruturas adequadas quer de alguns receios por parte de profissionais e de utentes.”


O evento decorreu entre 8 e 10 de outubro, sob o tema “Novas Perspetivas em MFR”

O mesmo pensa a fisiatra Paula Amorim, responsável pela Rede Nacional de TeleMFR, que relembrou o lançamento do Plano Estratégico Nacional para a Telessaúde 2019-2022 (PENTS), em 12 de novembro de 2019. “Não há dúvidas das suas mais-valias em MFR, como se viu em plena pandemia, quando as instituições de saúde se viram obrigadas a improvisar e a adaptarem-se, em tempo recorde, a consultas e a monitorização de doentes à distância.”


Na sua opinião, “antes desta crise sanitária já era evidente a vantagem da teleMFR, face ao aumento crescente da complexidade organizativa e tecnológica nesta área, sobretudo na otimização da comunicação entre diferentes níveis de cuidados”. Outros pontos vantajosos que elencou foi a promoção do trabalho multidisciplinar e a partilha de informação, que agiliza, assim a monitorização na doença crónica.



Criação de sinergias

Paula Amorim, que há muito se dedica às novas tecnologias na MFR, sublinhou que é preciso ter por base algumas medidas que permitam "implementar e expandir" esta prática a nível nacional.

Deve-se, nomeadamente, garantir um modelo sustentável, criar sinergias e redes de promoção com interlocutores em todos os hospitais e agrupamentos de centros de saúde, assim como um coordenador na respetiva administração regional de saúde; além de ser necessário apostar na simplificação do modelo de governação para permitir uma maior autonomia de decisão a quem está no terreno.

Com o PENTS, a médica espera que também fique claro que “a telessaúde não é apenas fazer consultas por telefone.”

Sobre esta temática disse ainda algumas palavras o presidente da Secção de MFR da União Europeia de Médicos Especialistas (UEMS), Mauro Zampolini. “A telerreabilitação pode ser muito importante ao completar a prática clínica diária e devemos aproveitar este tempo de pandemia para refletir sobre a prioridade das novas tecnologias [em MFR].”


Comissão Organizadora: Renato Nunes, Ana Rolo Duarte, Afonso Rocha, Catarina Aguiar Branco, Maria João Carvalho, Susana Santos e Francisco Tavares (ausentes na foto: Inês Campos e Filomena Melo)

Liderança: “Todos aprendemos muito com os fisiatras”

Presença habitual no Congresso é o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães. Na sua intervenção fez questão de alertar para o impacto da pandemia nos doentes não-covid, relembrando um estudo recente, que demonstrou que "entre janeiro e julho deste ano foram realizados quase menos 17 milhões de meios complementares de diagnóstico em comparação com o período homólogo de 2019; sendo que na MFR realizaram-se quase menos 8 milhões de tratamentos".

O médico sublinhou que “o confinamento está a ter repercussões significativas nos doentes e a reabilitação é extraordinariamente importante para diminuir a morbilidade e melhorar a qualidade de vida.”



Alertou ainda para a necessidade de se reforçar a articulação entre a MFR e a Medicina Geral e Familiar, não deixando de enaltecer a relevância da liderança, principalmente em tempos de incerteza. Neste âmbito, garantiu, “todos aprendemos muito com os fisiatras que estão habituados a trabalhar em equipa, com planeamento e uma organização exemplares.”

Na cerimónia de abertura estiveram também Pedro Cantista, presidente do Colégio da Especialidade de MFR da OM, Jorge Laíns, ex-presidente da Sociedade Internacional de MFR (ISPRM), Gerold Stücki, da Universidade de Lucerna e responsável pela secção de ICF da ISPRM e Mauro Zampolini, presidente da Secção de MFR da União Europeia de Médicos Especialistas.

No total contou-se com 400 participantes “muito ativos”, segundo Catarina Aguiar Branco, que chegou mesmo a dizer à Just News que o evento foi “uma agradável surpresa”, já que o formato online terá ultrapassado as melhores expectativas.



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