Médicos de família têm «papel fundamental na prevenção da infertilidade»

As XXXII Jornadas Internacionais de Estudos da Reprodução, que decorrem nos dias 15 e 16 de abril, em Óbidos, abordam várias temáticas que Teresa Almeida Santos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR), considera “essenciais e que devem ser do conhecimento dos vários profissionais de saúde, nomeadamente dos de primeira linha, a MGF”.

E explica porquê: “Os médicos de família têm um papel fundamental na prevenção da infertilidade, porque são aqueles a quem os casais recorrem em primeiro lugar.”

No seu entender, é necessário apostar cada vez mais na prevenção da infertilidade desde a idade escolar, no aconselhamento dos casais e na referenciação precoce. Relativamente à prevenção, “deve ser feita de forma multidisciplinar, para que se possa ajudar estes casais a vários níveis”, o que nos remete também para a importância desta prática de aconselhamento.

“Importa alertar para os problemas de infertilidade, que não devem ser tabu, e deve-se informar que, na maior parte dos casos, há uma solução.” Além disso, “o aconselhamento também é um meio de prevenção da infertilidade, porque este problema, nalguns casos, pode ser evitado. Por exemplo, a idade tardia da gravidez, o tabaco, as drogas, a obesidade, as infeções sexuais transmissíveis…”

E continua: “No caso dos homens, é preciso sensibilizar para os malefícios do computador no colo durante muito tempo, ou do uso do telemóvel no bolso, bem como da utilização de roupa apertada.”

No caso da mulher, também é preciso dar mais atenção aos casos de quem começa a tomar a pílula por causa de um ciclo menstrual desregulado e que acaba por o fazer durante muitos anos, sem saber se existe alguma disfunção ovárica suscetível de correção, para evitar um caso de infertilidade.

Quanto aos médicos de MGF, Teresa Almeida Santos apela a que “falem sobre o assunto nas consultas de planeamento familiar, quando a pessoa vai tratar um problema de saúde, no dia em que vai à vacina”. O importante é mesmo falar e evitar o tabu.

Recomenda ainda aos colegas de MGF a referenciação o mais cedo possível, “sobretudo quando os exames não aparentam a existência de um problema de saúde”. Assim, “ao fim de seis meses, no máximo um ano, se não se conseguir engravidar, a opção é referenciar para especialistas em Medicina da Reprodução”.

O programa pode ser consultado aqui.



Na edição de abril do Jornal Médico é publicada uma entrevista com Teresa Almeida Santos, onde explica, nomeadamente, os principais temas a desenvolver no decorrer das XXXII Jornadas Internacionais de Estudos da Reprodução.

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