Saúde sexual e reprodutiva: parceria da Ginecologia com MGF «é de extrema importância»

A última Reunião Nacional da Sociedade Portuguesa da Contracepção (SPDC), que decorreu recentemente no Carvoeiro, Algarve, ficou marcada pelo envolvimento da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), o que nunca tinha acontecido, pelo menos de forma tão evidente.



Subordinada ao tema “Atualização na prática contracetiva: a ciência ao serviço da mulher”, a maior reunião anual da SPDC foi desta vez organizada em colaboração com os serviços de Ginecologia e de Obstetrícia de Faro e de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve e com a delegação regional da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

“A parceria entre a Ginecologia e a Medicina Geral e Familiar é de extrema importância para a melhoria dos cuidados de saúde prestados à mulher, nomeadamente no âmbito da saúde sexual e reprodutiva”, sublinha Amália Pacheco, presidente da Comissão Organizadora Local da 8.ª Reunião Nacional da SPDC. Foi precisamente esta forte convicção que motivou a médica, e restantes elementos da equipa, a reforçar as pontes com a Medicina Familiar neste evento. 


Amália Pacheco

"Enriquecer a nossa prática clínica"

Em declarações à Just News, a médica realça que o recíproco interesse e presença dos médicos de família no congresso “permitiu levar a saúde sexual e reprodutiva a todos, mas sobretudo trocar experiências e ideias para que todos possamos enriquecer a nossa prática clínica e ir ao encontro das expectativas de cada mulher ou casal que nos procure”.

“Esta ligação é fundamental porque, de acordo com vários estudos, sabe-se que quem aconselha o método contracetivo é, na maioria dos casos, o médico de família, ou o ginecologista, havendo variações segundo o método contracetivo", sublinha Amália Pacheco. E esclarece que enquanto a pílula é sobretudo recomendada pelo médico de família, "o anel vaginal, a injeção, o implante e o DIU são habitualmente aconselhados pelo ginecologista".


Amália Pacheco com a presidente cessante da SPDC, Teresa Bombas, e a atual presidente, Fátima Palma

Promover a utilização correta dos métodos contracetivos

A especialista do CHUAlgarve destaca, a esse propósito, a organização do workshop sobre “Dificuldades práticas em contraceção nos cuidados de saúde primários”, que decorreu durante a 8.ª Reunião da SPDC e foi da responsabilidade de médicos de família.

“Foram abordadas questões práticas relacionadas com os desafios que estes profissionais de saúde enfrentam no seu dia-a-dia, tendo-se esclarecido dúvidas, no sentido de promover a utilização correta dos métodos contracetivos”, especifica.



Questionada sobre as dificuldades apresentadas pelos médicos de família, Amália Pacheco refere que elas têm que ver, sobretudo, com duas questões: como fazer contraceção, tendo em conta as especificidades de cada mulher, e quais os benefícios não contracetivos da contraceção.

A nossa interlocutora lembra que “as mulheres não são todas iguais e que o método contracetivo deve ser escolhido para satisfazer as necessidades contracetivas, tendo em conta, nomeadamente, outras patologias que podem beneficiar do mesmo, como acontece, por exemplo, nas doenças crónicas”.

Acrescenta ainda que há outros aspetos a ter em conta, como a circunstância, no caso do Algarve, de se tratar de uma população que inclui imigrantes com diferentes culturas, o que representa, em termos de contraceção, um grande desafio para os profissionais de saúde.

Por outro lado, “a obesidade é cada vez mais prevalente, sendo necessário perceber, por exemplo, como os regimes de perda de peso podem influenciar a escolha da contraceção”.

Para além da participação da APMGF, de realçar que a reunião do Carvoeiro contou ainda com a "preciosa colaboração" da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) e da Secção Portuguesa de Colposcopia e Patologia do Trato Genital Inferior da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, que "muito contribuíram para a partilha de conhecimento".



Fazendo um balanço geral do evento, Amália Pacheco não podia estar mais satisfeita: “Médicos e internos de formação específica de Obstetrícia/Ginecologia e de Medicina Geral e Familiar e enfermeiros deram um feedback muito positivo. Além disso, contámos com 18 comunicações livres e 62 pósteres, muitos deles da autoria de profissionais dos cuidados de saúde primários.”



A Reunião Nacional da Sociedade Portuguesa da Contracepção contou, mais uma vez, com a presença de Johannes Bitzer, que já foi presidente da European Society of Contraception and Reproductive Health (ESC) e que, de acordo com Amália Pacheco, “tem uma ligação à SPDC, até porque somos afiliados dessa sociedade, sendo para nós uma honra que tenha, novamente, aceite o nosso convite”.

O evento teve o patrocínio científico da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), da ESC e da Universidade do Algarve.


Elementos dos Órgãos Sociais da SPDC 2019-2021: (à frente) Ana Rosa Costa, Maria José Alves, Teresa Bombas, Fátima Palma, Amália Pacheco - que integra a nova Direção da Sociedade Portuguesa da Contracepção, (atrás) Maria João Carvalho, Joaquim Neves e Maria do Céu Almeida


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