Nefrologia do CHUAlgarve investe em sessões educacionais junto dos doentes

Caminhar no sentido da mudança do paradigma, “centralizando a tomada de decisão no doente”, é um dos principais objetivos do Serviço de Nefrologia do Centro Hospitalar Universitário do Algarve. Este processo não se restringe apenas ao doente, mas também à família.

Ana Paula Silva, que assumiu a direção do Serviço em 2021, explica que esta ideologia surgiu no início do século, em 2003, com a denominada Consulta de Baixo-Clearance.

“A evidência científica mostrava que nos primeiros três meses de indução de uma técnica depurativa, quer fosse hemodiálise ou diálise peritoneal, a taxa de mortalidade era elevada porque a referenciação era tardia”, refere.

Frequentemente, “o doente chegava ao Serviço de Urgência numa condição de grande fragilidade”, o que motivou a criação da Consulta de Baixo-Clearance, dirigida àqueles que tinham uma taxa de filtração glomerular de 20 ml/min.


Ana Paula Silva:  “Nós não somos só médicos, mas também vetores educacionais”

De forma simples, a nefrologista explica que, tendo a doença crónica vários estadiamentos, “o mais avançado corresponde ao estádio 5, com uma taxa de infiltração inferior a 15 mil/min, o que significa que o rim já não consegue limpar as impurezas e precisará da ajuda de alguma das técnicas de substituição da função renal”.


Nesta consulta, além da correção dos fatores de risco – o principal dos quais é o contexto cardiovascular –, realiza-se o ensino das técnicas e atua-se ainda na vertente psicológica.



Consulta de intervenção educacional

Fez, assim, sentido criar-se uma "consulta de intervenção educacional, dirigida aos doentes e seus familiares", realizada na última quarta-feira do mês, durante uma a duas horas, no auditório do Hospital de Faro.


“Num momento e espaço específicos, reunimos médico nefrologista ou interno da especialidade, enfermeiro, psicólogo e nutricionista, com doentes e familiares, para falarmos sobre a definição da doença renal crónica, o papel do rim, as técnicas disponíveis – hemodiálise, diálise peritoneal, transplante renal ou tratamento conservador −, os mitos relacionados com a doença e os cuidados com a alimentação, com uma linguagem didática”, contextualiza Ana Paula Silva.


A diretora do Serviço de Nefrologia do CHUA nota que o principal intuito é “informar e contribuir para o ultrapassar de receios, considerando as alterações a nível de hábitos de vida geradas pelas diferentes técnicas, pois, se existir uma boa aceitação deste processo por parte dos doentes e familiares, a probabilidade de sucesso será maior”. No seguimento destas sessões, os doentes preenchem um questionário de avaliação, que contribui para a constante melhoria do projeto.




Os doentes podem frequentar  estas sessões as vezes que considerarem necessárias até tomarem a sua decisão. Por outro lado, o nefrologista pode também sugerir que estejam presentes. Apesar de as temáticas se manterem, há uma rotação dos participantes, o que, naturalmente, origina novas abordagens e discussões. “Existe uma partilha de experiências, porque todos estão na mesma posição”, destaca Ana Paula Silva.

Quando estas sessões surgiram, em 2015, eram dirigidas unicamente aos doentes e os grupos eram mais reduzidos. Com o surgimento da pandemia de covid-19, o projeto ficou suspenso, mas em janeiro deste ano foi restabelecido, com a possibilidade de receber 10 doentes e ainda um familiar por cada um deles.



Sendo a população com doença renal crónica tendencialmente mais envelhecida, com um leque de idades superior a 65 anos, vem acompanhada, geralmente, por um filho. No entanto, existem também algumas pessoas mais jovens que também têm interesse nestas sessões. Neste seguimento, são depois programadas idas ao Serviço para observação das técnicas disponíveis.


“Enquanto profissionais de saúde, temos o dever de transmitir conhecimentos e fornecer as ferramentas adequadas para a tomada de decisão; são estas ações que vão dar a oportunidade ao doente de estar no centro da tomada de decisão e de gerir toda a dinâmica da sua doença renal, responsabilizando- se também pelas implicações da sua escolha”, distingue a nossa interlocutora.


Ana Paula Silva com a enfermeira Céu Laranjo e Anabela Malho Guedes, coordenadora da Unidade de Diálise Peritoneal

A título futuro, Ana Paula Silva tem dois grandes objetivos para estas sessões. O primeiro consiste na inclusão de doentes que façam hemodiálise e diálise peritoneal, para partilharem os seus testemunhos.


Já o segundo prende-se com a criação de uma nova sessão, desta vez dirigida à população algarvia, no sentido de “fomentar a prevenção e o diagnóstico precoce, alertando para os fatores de risco da doença renal”.


A reportagem completa pode ser lida no Hospital Público de março/abril 2022, que inclui entrevistas a outros profissionais do Serviço de Nefrologia do CHUAlgarve.

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