Nefropatia diabética é umas das complicações mais relevantes da diabetes

Estima-se que, em Portugal, cerca de um milhão de indivíduos tenha diabetes. “A nefropatia diabética é uma das complicações mais relevantes da doença, sendo, no mundo ocidental, a causa mais importante de insuficiência renal crónica (IRC) terminal, ou seja, com necessidade de tratamento substitutivo (hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal)”, alerta Rui Alves, nefrologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Nas suas fases mais precoces, a nefropatia diabética merece uma atenção especial, sendo “possível fazer alguma coisa para evitar que estes doentes evoluam no sentido da IRC terminal”, afirma, sublinhando que o doente diabético deve ser avaliado numa perspetiva global, não só do ponto de vista do controlo da glicemia e da hipertensão arterial, mas também em relação à sua função renal.

Segundo Rui Alves, a deteção de microalbuminúria (albuminúria elevada) é um indicador fundamental no diagnóstico da nefropatia diabética, devendo ser monitorizada progressivamente, dado que, a partir do momento em que esta se converta em macroproteinúria (albuminúria muito elevada), significa que a lesão renal já atingiu um ponto bastante significativo, em que a evolução para a IRC terminal será, em muitos casos, uma realidade.

O tratamento da nefropatia diabética já instalada assenta na perspetiva da proteção renal. Os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e os antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARA) são medicamentos comprovadamente eficazes na redução da microalbuminúria e da proteinúria, contribuindo para atenuar a lesão renal e lentificar a sua progressão.

A par da utilização destes fármacos, o especialista menciona que deve ser feito um controlo da glicemia rigoroso com insulina e/ou antidiabéticos orais, tendo em linha de conta a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe).

De acordo com Rui Alves, os especialistas em MGF estão capacitados para a deteção precoce da nefropatia diabética e a instituição das medidas preventivas de progressão da doença.

Imprimir