Núcleo de Bioética da SPMI vai ajudar internistas a lidar com novos problemas éticos, deontológicos e legais

Permitir a criação de um fórum de discussão de questões de pendor ético relacionadas com a prática clínica é o principal objetivo que se pretende atingir com a reativação do Núcleo de Estudos de Bioética da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (NEBioMI). O seu coordenador, António H. Carneiro, apresentou os princípios orientadores do projeto de regulamento do Núcleo em sessão que há dias teve lugar na sede da SPMI, em Lisboa.

Sustentando que “a vida mudou e com ela o exercício da Medicina”, António H. Carneiro, chefe de serviço de Medicina Interna e diretor do Departamento de Medicina, Urgência e UCI do Hospital Luz Arrábida, Grupo Luz Saúde, justifica assim o relançamento do Núcleo, que conta já com 32 inscritos.



“A evolução da tecnologia e a inversão da pirâmide etária alteraram o exercício da Medicina de forma dramática. Passou a poder intervir na procriação humana e na seleção de embriões, artificializa a vida e mantém funcionais órgãos de pessoas já mortas, recupera pessoas em paragem cardiorrespiratória, manipula o genoma humano, transplanta a maioria dos componentes do corpo humano, nalguns casos substituindo órgãos por componentes artificiais, criando ‘Cyborg’”, referiu à Just News o internista.

Para além disso, “descobriram-se novos tratamentos que alteraram a evolução das doenças conhecidas, sendo a Medicina capaz de interferir e manipular o funcionamento cerebral e reconhecendo quase todos os dias novas doenças”, sendo que “a massificação do acesso à informação capacitou o cidadão e alterou a relação médico-doente”.

António H. Carneiro sublinha que “esta evolução trouxe novos problemas éticos, deontológicos e legais para os quais não há referências nos preceitos clássicos, o que obriga a refletir, estudar e aprender com a nova realidade e a assumir coletivamente os valores aceites pelas sociedades atuais”. E frisa que “os médicos são parte implicada e incontornável neste processo”.

Aquela que acabou por ser a primeira sessão do NEBioMI incluiu duas conferências: “Da Ética à Bioética”, por Walter Osswald, professor jubilado da FMUP e um dos fundadores da Bioética em Portugal, do Centro de Estudos Bioéticos da UP, e “Vulnerabilidade e responsabilidade na relação médico/doente”, proferida por Maria do Céu Patrão Neves, professora catedrática de Filosofia, eurodeputada e assessora da Presidência da República, formada em bioética no Kennedy Institute of Ethics (EUA).


António H. Carneiro, Maria do Céu Patrão Neves e Walter Osswald.

Na sua intervenção, António H. Carneiro comprometeu-se a propor um programa de atividades do NEBioMI que “clarifique o significado de termos e conceitos, que sistematize as referências para a reflexão bioética e que apoie os médicos envolvidos em funções com responsabilidades de decisão bioética”.


António H. Carneiro com o presidente e vice-presidentes da SPMI.

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