“O GRESP contribui para uma melhor gestão da área respiratória nos CSP”

Foi já no internato de MGF que Nuno Pina descobriu a sua vocação para ser médico de família. O envolvimento no GRESP aconteceu apenas quando era recém-especialista, integrando a sua Comissão Coordenadora desde 2021.




Nuno Pina tinha terminado a sua formação em MGF há muito pouco tempo quando, no início de 2015, teve oportunidade de participar numa Reunião Geral do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (GRESP-APMGF). Um evento interno em que se faz o balanço do último ano e se planeia o seguinte.

Iniciou-se assim a sua participação em diversas atividades do GRESP, incluindo ações de formação. A certa altura, assumiria mesmo a coordenação de um dos seus grupos de trabalho, precisamente o GT de Asma e Rinite Alérgica, sucedendo nesse cargo a Jaime Correia de Sousa. Finalmente, em 2021, foi convidado para fazer parte da Comissão Coordenadora do GRESP, presidida por Cláudia Vicente.

No entender de Nuno Pina, “a grande maioria das pessoas com doença respiratória crónica situa-se num estádio ligeiro a moderado e, portanto, pode e deve ser acompanhada pelo médico de família”. Mas “é muito importante que este se sinta confortável e saiba fazer uma boa gestão da doença, permitindo, inclusive, aliviar os cuidados de saúde secundários, permitindo-lhes abordar os casos mais graves”.

E salienta o “papel ativo” que o GRESP tem tido “no desenvolvimento de novos indicadores na área respiratória”, sendo que “a sua criação e introdução na contratualização tem fomentado uma maior necessidade de acompanhar cada vez melhor os doentes respiratórios crónicos”.

“É claro que se dispuséssemos de um programa de vigilância informatizado como sucede relativamente a outras patologias, como a diabetes e a hipertensão, isso facilitaria a inclusão de mais dados e, consequentemente, o desenvolvimento de mais indicadores”, comenta, acrescentando:

“A disponibilização de outras ferramentas de apoio ao diagnóstico e de atuação na atividade clínica do médico de família tem contribuído bastante para que a área respiratória seja melhor gerida nos CSP. Nós acreditamos nisso e sabemos que temos trabalhado nesse sentido.”

Há um projeto a que Nuno Pina está especialmente envolvido, concretizado em colaboração com o International Primary Care e Respiratory Group, e que faz questão de referir:

“Desde 2018 que participo na coordenação do movimento CAPA (Cuidados Adequados à Pessoa com Asma) com a Dr.ª Cláudia Vicente, e atualmente contamos também com a participação da Dr.ª Ana Gonçalves. O CAPA é a vertente portuguesa do projeto internacional Asthma Right Care, promovido pelo IPCRG, e é uma das atividades do GRESP, envolvendo vários dos seus membros.”




E mais: “Nesta iniciativa, temos mantido uma presença muito forte de diversos profissionais dos CSP (médicos, enfermeiros e farmacêuticos) e temos tido atividades de grande impacto a nível nacional. Um dos exemplos é o CaminhAsma, que tem crescido de ano para ano, com a adesão de mais unidades e profissionais a participar no evento. A nível internacional, também temos colaborado em iniciativas do IPCRG.”

Orientador de formação desde 2018, “algo que me dá muito gosto fazer e em que vou aprendendo bastante também”, reconhece que a sua estreita ligação ao GRESP tem feito com que “todos eles acabem por desenvolver muito as suas competências na área respiratória”.

 

Da MGF à investigação sobre desigualdades na DPOC

 


Natural de Viseu, onde nasceu há 44 anos, Nuno Pina diz que o contacto com o médico que o acompanhou na infância e na adolescência e o seu próprio desejo de “ajudar o outro” foram dois fatores de peso para ter decidido formar-se em Medicina, curso que fez em Coimbra e que terminou em 2008. O internato do Ano Comum, feito nos HUC, aproveitou-o para obter o mestrado integrado em Medicina.


O estágio na USF Marquês de Marialva, em Cantanhede, deu-lhe o primeiro contacto com a MGF, numa altura em que também a Pneumologia e a Pediatria o atraíam. Na hora de decidir, escolheu a especialidade que lhe permitia reunir esses dois interesses, “albergando as duas áreas”.


“Honestamente, acho que só mesmo depois de começar o internato de MGF, na UCSP Tábua, é que descobri a minha vocação, a vontade de ser médico de família”, garante. Para isso muito contribuiu a sua orientadora de formação, Carla Correia, que foi para si “um exemplo a seguir” ao longo de todo o internato.


Nuno Pina tornou-se especialista no outono de 2014, ainda ficando uns meses a exercer a tempo inteiro nessa unidade. Em abril de 2015 já estava a trabalhar na UCSP Seia e em setembro iniciou funções como médico de família na USF Rio Dão, em Santa Comba Dão.


A USF Tondela acabaria por ser o local onde ficou mais tempo: 6 anos, entre 2018 e 2024. Nesse período, durante cerca de 2 anos, foi diretor do Núcleo de Internato de MGF de Viseu. Chega finalmente à USF Alves Martins em abril de 2024, vindo a assumir a sua coordenação em dezembro de 2025.


Casado com uma cirurgiã geral, Nuno Pina foi pai do Francisco há 2 anos e meio. Entretanto, tendo como orientador o seu colega do GRESP Luís Alves e como coorientador Jaime Correia de Sousa, lançou-se agora num novo desafio, o do doutoramento, no âmbito do qual vai estudar a influência das desigualdades socioeconómicas na gestão da DPOC nos CSP.





 

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