Cuidados Paliativos em Nefrologia: «É necessária uma forte aposta na formação dos profissionais»

É já no próximo dia 11 de março que decorre o curso “Cuidados Paliativos em Nefrologia”, organizado pela Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN).

Para Ana Farinha, da comissão organizadora e científica, esta é uma oportunidade para dar a conhecer uma abordagem holística da doença renal crónica (DRC), em que se utilizam os princípios da Medicina Paliativa para aliviar e controlar os sintomas mais graves e incapacitantes associados a esta insuficiência de órgão.

Em formato híbrido, tem lugar no Instituto do Emprego e Formação Profissional de Setúbal e destina-se a nefrologista, internos da especialidade, e a todos os profissionais que lidam com doentes com DRC.

Ana Farinha, que também é nefrologista no Centro Hospitalar de Setúbal e secretária da Direção da SPN, alerta para o facto de que os Cuidados Paliativos (CP) em Nefrologia "estão ainda subdesenvolvidos”, existindo pouca formação.

“Um dos grandes desafios que se enfrenta é o desconhecimento das potencialidades dos CP na abordagem de doentes renais crónicos, tanto nos doentes sob técnicas de substituição da função renal como naqueles em que não é possível optar por diálise.”

Isto porque: “Há idosos, com várias comorbilidades, que não tem benefício em iniciar uma técnica dialítica. Nesse caso, deve-se optar por uma abordagem paliativa, no sentido de se controlarem sintomas e melhorar a qualidade de vida.”



Ana Farinha

A especialista relembra, em declarações à Just News, que existe uma elevada taxa de mortalidade nos primeiros 3 meses de tratamento de diálise e que é preferível optar-se por cuidados que contribuam para uma maior esperança de vida ou pelo menos com qualidade. “O envelhecimento da população aumenta a prevalência de DRC e é preciso apostar-se numa visão mais holística e não apenas curativa.”

Ana Farinha relembra mesmo que nem a hemodiálise nem o transplante de rim são uma cura. “Precisamos de outro tipo de intervenções, como as paliativas, contando com equipas multidisciplinares onde se inclui o nefrologista, que tem conhecimentos mais específicos desta doença.”

Para esta integração dos nefrologistas no acompanhamento destes doentes em Cuidados Paliativos, a médica não tem qualquer dúvida de que é necessário uma “forte aposta” na formação. “Esse é um dos objetivos da SPN e, mais especificamente, deste curso.”



A iniciativa acontece a seguir ao Dia Mundial do Rim, que se assinala em 10 de março, e que tem como objetivo alertar a população para as doenças renais, que ainda não são de todo valorizadas “nem em Portugal, nem noutros países, apesar de, em 2040, se estimar que venha a ser a 5.ª causa de morte.”, afirma a médica.

Face a esta previsão, advoga que é necessário apostar-se na prevenção e no diagnóstico precoce, devendo-se para tal rastrear todos os doentes de risco nos cuidados de saúde primários.

Na comissão organizadora e científica, Ana Farinha é acompanhada pelas nefrologistas Ana Branco, do Hospital de Braga, e Ana Mateus, da NephroCare.

O programa pode ser consultado aqui.

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