«É necessário libertar os médicos de família da sobrecarga burocrática da pandemia»

Após vencer as eleições do passado dia 21 de novembro, com a lista Ser APMGF, Nuno Jacinto prepara-se para tomar posse em janeiro. Além dos objetivos delineados para os próximos 3 anos à frente da Associação, em entrevista à Just News, o médico destaca os desafios que os médicos de família enfrentam atualmente com a pandemia da covid-19.

Na sua opinião, é mesmo necessário "libertar os médicos de família (MF) da sobrecarga burocrática da pandemia”, considerando que “é preciso voltar a ser médico de família por inteiro e não apenas médico da pandemia".

Nuno Jacinto concretiza a sua ideia: “Muitas das tarefas, como a da plataforma Trace-Covid, não têm de ser exercidas pelos MF, ou até por médicos, devendo ficar a cargo de outros profissionais. Não se trata de desvalorizar estas funções, mas de perceber que o nosso papel também é essencial no acompanhamento dos doentes não-covid.”


Nuno Jacinto

Apesar deste constrangimento, o responsável entende que a covid-19 veio reforçar, mais uma vez, a importância da Medicina Geral e Familiar (MGF). “Temos feito um trabalho muitas vezes silencioso, não nos podemos esquecer que a maioria dos doentes positivos são seguidos pela MGF, enquanto se continua a dar resposta aos não-covid.” Em suma. “A MGF tem demonstrado como, mesmo em momentos difíceis, é um pilar fundamental no Serviço Nacional de Saúde (SNS).”

“Todos os colegas devem ter uma participação mais ativa”

Quanto aos objetivos do seu mandato à frente da APMGF, Nuno Jacinto começa por salientar a necessidade de se incluir todos os MF na Associação. “Todos os colegas devem ter uma participação mais ativa, independentemente de serem internos ou especialistas, de exercerem numa USF ou numa UCSP, da sua região do país.”

O médico menciona ainda mais dois eixos para os próximos três anos: o desenvolvimento técnico-científico e a qualidade e segurança do exercício profissional. Relativamente ao primeiro, pretende-se dar especial atenção à investigação e à formação contínua. “Queremos fomentar o diálogo com a academia e emitir recomendações e orientações, promover o ensino da MGF no pré-graduado e a articulação com as coordenações do Internato.”

Ainda neste âmbito, diz esperar que todas as unidades sejam reconhecidas como centros de formação. “Atualmente, apenas os orientadores das USF modelo B são remunerados por esse papel, o que não faz qualquer sentido. O mesmo tem de acontecer nas USF modelo A e nas UCSP, além de ser necessário criar condições para a investigação e não apenas para a atividade assistencial.”

No que diz respeito à segurança e qualidade do exercício profissional, "é essencial ter-se recursos humanos e materiais".

Além destes pontos estratégicos, Nuno Jacinto fala ainda na intenção de se criarem mais grupos de estudo e delegações da APMGF. “Os grupos são muito importantes, daí que estejamos abertos à criação de outros. O mesmo acontece com as delegações, porque a Associação não pode ficar centrada em Lisboa, tem de ser como a própria especialidade: de proximidade.”

Nuno Jacinto é natural de Lisboa e licenciou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, mas ficou por Évora desde que fez o Internato, exercendo atualmente na USF Salus.

A opção por MGF deveu-se ao gosto por dar consultas e pela proximidade na relação médico-doente. “Temos uma noção do todo, acompanhando os utentes ao longo do seu ciclo de vida, não esquecendo a sua família e o meio que o rodeia.”



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