Osteoporose: a importância do médico de família estar atento aos fatores de risco

A osteoporose é uma doença silenciosa, cuja prevalência é elevada em Portugal e aumenta à medida que a população envelhece, sendo já considerada, pela Organização Mundial da Saúde, como um dos grandes problemas de Saúde Pública.

“É muito importante o médico de família ter sempre em mente que a doença existe e que tem vários fatores de risco, para além da idade”, afirma Ana Paula Barbosa, presidente da Sociedade Portuguesa de Osteoporose e Doenças Ósseas Metabólicas (SPODOM) e endocrinologista na Consulta de Osteoporose Fraturária do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Um dos mais importantes é, segundo a nossa interlocutora, a história de fratura da anca nos familiares diretos, os pais. Outro fator que deve ser valorizado é a toma de determinados medicamentos, como, por exemplo, corticosteroides, entre outros. As doenças do tubo digestivo e as cirurgias ao tubo digestivo, pela redução na absorção de nutrientes que acarretam, devem ser também levadas em conta.

A menopausa precoce, no caso da mulher, e o hipogonadismo, no caso do homem, são também importantes fatores de risco. Além destes, hábitos como o alcoolismo e o tabagismo podem também contribuir para o aparecimento da doença.

Compliance terapêutica muito importante no tratamento da doença

No âmbito dos cuidados de saúde primários, perante um doente que possa ter osteoporose, o médico deverá pedir uma densitometria, que irá permitir quantificar a massa óssea. Outro aspeto importante a ter em conta pelo médico, e no caso de um doente já diagnosticado, é a compliance terapêutica.

“Neste tipo de doença, se a medicação não for efetuada segundo o recomendado, não vai ter qualquer efeito, o que é muito grave, porque o doente vai continuar a fraturar”, salienta Ana Paula Barbosa.

De acordo com a endocrinologista, devem também ser encaminhados para os cuidados secundários doentes que, apesar de tratados, continuam a fraturar ou com algumas doenças genéticas complicadas, como é o caso da osteogénese imperfeita.

Devem ser também encaminhados os indivíduos jovens com osteoporose, uma vez que pode traduzir uma situação mais grave, que implica “uma investigação de causas secundárias que podem estar na sua base”.

O Hospital de Santa Maria tem uma consulta “pioneira” de Osteoporose Fraturária. “Fazemos o seguimento de doentes que já fraturaram e, neste momento, está aberta a todos os médicos de família que queiram enviar os seus doentes”, afirma.


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