Palma-Carlos recorda criação, há 53 anos, da especialidade de Alergologia em Portugal

“Após vários anos de luta, a especialidade de Imunoalergologia está firmemente estabelecida em numerosos países, nomeadamente Portugal”, relembrou Palma-Carlos. O professor catedrático jubilado de Medicina Interna,  Imunoalergologia e Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa reviveu a história desta área médica na sessão sobre “53 anos de Alergologia. Criação de uma especialidade”, que decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa.

A iniciativa, organizada pela Secção de História da Medicina da Sociedade de Geografia de Lisboa, faz parte de um ciclo de conferências que são organizadas regularmente, com periodicidade mensal, por este núcleo.

Nesta sessão, Palma-Carlos fez uma viagem no tempo para relembrar os pontos-chave da Imunoalergologia em Portugal. “Após vários anos de luta, a especialidade está firmemente estabelecida em numerosos países, nomeadamente Portugal”, relembrou. Para este especialista, “passou-se do nada a uma especialidade plena”.



Apesar de a alergia ter uma história de 100 anos, em 1961, esta patologia ainda não era abordada nos hospitais portugueses como autónoma. “Alguns precursores, como Piedade Guerreiro, vindo da grande escola da Medicina Interna do Mestre Pulido Valente, tinha-se orientado para o diagnóstico e tratamento das doenças alérgicas, mas fora das estruturas hospitalares”, sublinhou.

Mas foi o próprio Palma-Carlos que, em setembro de 1961, começou a organizar uma consulta de Alergia Respiratória, por indicação de Ducla Soares, “seu mestre” da Clínica de Doenças Pulmonares do Hospital de Santa Maria. A falta de formação na área levou-o a estagiar na Clínica Universitária de Lausanne, França. Esta saída de Portugal seria uma das muitas que faria para “melhorar a sua formação em doenças alérgicas”.

Após a primeira ida a França, foi oficializada, em 1962, a consulta de alergia do Hospital de Santa Maria. “E, após muito trabalho, em 1983, a Ordem dos Médicos reconheceu esta área como especialidade e, em 1985, foi aberto o Internato de Especialidade, autorizando-se as primeiras transferências de internos de Medicina Interna para o Internato de Imunoalergologia.”

Palma-Carlos observou ainda que, após vários avanços – que incluíram muitas comunicações, investigações, criação de serviços, a existência da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunoalergologia Cínica (SPAIC) --, “é preciso continuar a lutar”. E apontou que “a subsistência desta especialidade depende de uma cuidada preparação prática e teórica, de uma sólida base geral de Medicina de Adultos ou Pediatria num conceito abrangente da Medicina e do uso correto e atempado das técnicas específicas”.

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