Implantes cocleares: «Portugal está no topo da tabela»

No nosso país, o primeiro implante coclear realizou-se há 30 anos, em Coimbra, no Hospital Geral. António Diogo de Paiva, diretor do Serviço de ORL do atual Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, foi o presidente de honra do V Congresso Internacional de Implante Coclear, que decorreu de 11 a 13 de dezembro.

Em entrevista à Just News, o responsável encara a distinção como "uma honra", considerando "indispensável recordar os pioneiros e grandes impulsionadores desta terapêutica, o Dr. Manuel Filipe Rodrigues, já falecido, e o Dr. Fernando Rodrigues. Ambos foram diretores do Serviço de ORL do Hospital Geral e a base desta extraordinária dinâmica, que já ultrapassou os 850 implantes cocleares."

Neste Congresso, promovido pela UFIC - Unidade Funcional de Implantes Cocleares e Serviço de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e pela ANIC - Associação Nacional de Implantes Cocleares, foram comemorados os 30 anos da realização do primeiro implante. António Diogo de Paiva explica que, nessa altura, trabalhava nos Hospitais da Universidade de Coimbra e que "havia dois serviços distintos em cada uma das instituições e quem se dedicou a esta área dos implantes cocleares foi o serviço de ORL do Hospital Geral".

Recorda que foi "um passo importantíssimo na Medicina portuguesa e que permitiu, em particular, que muitas crianças surdas deixassem de o ser." E sublinha: "Hoje podem fazer a sua vida normal. Foi um avanço extraordinário. Depois da fusão, há cerca de três anos, fui nomeado diretor do Serviço de ORL do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). A Unidade Funcional de Implantes Cocleares foi entregue ao Dr. Carlos Ribeiro."

Para o especialista, a realização dos implantes era eficaz já nessa altura e salienta: "Ainda há pouco tempo tive oportunidade de ver o primeiro implantado, um indivíduo com mais de 30 anos, que faz uma vida perfeitamente normal". Contudo, "naturalmente" que houve uma grande evolução e, atualmente, os implantes têm "mais funcionalidade e capacidade".



António Diogo de Paiva é otorrinolaringologista e professor catedrático de ORL. Questionado sobre que papel ocupa cada uma destas vertentes na sua vida, afirma: "Fiz toda a minha vida profissional por concursos, quer na carreira hospitalar, quer na académica. Dedico-me com paixão, simultaneamente, à Direção do Serviço ORL do CHUC e à minha atividade como professor catedrático da Faculdade de Medicina. Esta simbiose num hospital universitário como este, é naturalmente de grande importância. São duas carreiras paralelas, que fiz à medida que fui ´crescendo` como médico e como homem".

Relativamente ao estado da arte da ORL Portuguesa, o diretor do Serviço de ORL do CHUC não tem dúvidas em considerar que "estamos em muito bom nível. Temos serviços fantásticos, não só em Lisboa, Porto e Coimbra, mas também noutras capitais de distrito e, até, a nível privado, com especialistas de grande nome." E sublinha: "Ombreamos nitidamente com outros serviços europeus", estando Portugal no "topo da tabela" no que diz respeito aos implantes cocleares.

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