Potenciar o Médico de Família no acompanhamento da patologia da coluna vertebral

Capacitar o médico de família para melhor lidar com a patologia músculo-esquelética foi o grande objetivo do fisiatra Rui Vaz quando, em 2016, decidiu avançar com o projeto de um livro dedicado a essa temática. Não imaginava que, uma década depois, sempre com o apoio da Tecnifar, estaria a autografar o 5.º volume, dedicado à coluna vertebral.

Anunciado em março, por ocasião das VIII Jornadas Multidisciplinares de MGF, o novíssimo volume de Patologia Músculo-Esquelética para Médicos de Família foi agora formalmente apresentado. Uma das sessões decorreu no Porto, a meio de maio, e a segunda realizou-se em Lisboa, no final do mês, a que correspondem as fotos que ilustram esta notícia.



“Trata-se de um projeto que, sem dúvida, nos enche a todos de orgulho e que se identifica muito com a Tecnifar, que decidiu apoiá-lo logo desde o início. E fizemo-lo com a expectativa de que vos possa ajudar na vossa prática clínica”, afirmou Tiago Leal, representante daquela empresa farmacêutica, dirigindo-se à assistência presente na sala, constituída maioritariamente por médicos de família.

E não deixou de destacar aquele a que se referiu como sendo o grande responsável pela ideia de criar um livro que a Medicina Geral e Familiar agora tão bem conhece: Rui Vaz, especialista em Medicina Física e de Reabilitação e também em Medicina Desportiva e do Exercício, médico no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, unidade que integra a ULS do Alto Ave.

Ao usar da palavra, o fisiatra sublinhou, desde logo, a circunstância de se assinalar este ano o 10.º aniversário de um projeto que nasceu em 2026, com a elaboração do primeiro volume do livro, projeto esse “assente na partilha de conhecimento e na integração multidisciplinar”.

“A atenção dada à patologia músculo-esquelética no ensino médico pré-graduado era, em geral, insuficiente”, sublinhou o especialista. Por outro lado, “havia a vontade de alicerçar pontes com os CSP, visando a melhoria dos cuidados a prestar aos nossos doentes”.

“O projeto teve o seu início no Hospital Senhora da Oliveira – Guimarães e rapidamente se expandiu para se tornar uma referência nacional na abordagem a esta patologia nos CSP. O meu objetivo, desde a primeira edição, foi clarificar conteúdos, proporcionando aos colegas de MGF um manual de consulta prático e de alta relevância clínica”, refere Rui Vaz na nota introdutória que escreveu para esta 5.ª edição.


Rui Vaz

“Este manual tem como propósito fundamental auxiliar o médico de família no diagnóstico, no tratamento e na crucial referenciação aos cuidados hospitalares. A verdadeira força deste livro reside na sua natureza interdisciplinar e abrangente, que reúne internos e especialistas de todo o país”, acrescenta o fisiatra, algo que, aliás, também marcou as quatro anteriores edições.

No caso do volume agora em divulgação, que começou a ser preparado em abril de 2025 e que está direcionado, como já se escreveu atrás, à patologia da coluna vertebral, as suas 266 páginas incluem sete capítulos científicos principais, três outros capítulos adicionais de apoio terapêutico e farmacológico e um último de perguntas e respostas.

No total, estão envolvidos 50 autores -- entre internos e especialistas de Medicina Física e de Reabilitação, Medicina Geral e Familiar, Neurorradiologia, Medicina do Trabalho, Neurocirurgia, Reumatologia e Ortopedia – de unidades hospitalares e dos CSP de todo o país.

A integração de cuidados “como uma necessidade clínica estruturante”

Uma das novidades da 5.ª edição de Patologia Músculo-Esquelética para Médicos de Família reside no facto de ter tido um segundo coordenador, para além do mentor do projeto, o fisiatra Rui Vaz.

“A nível pessoal, este volume assume um significado particularmente especial. Após ter integrado apenas como autor desde a segunda à quarta edição, tenho agora a honra e a responsabilidade acrescida de assumir também o papel de cocoordenador. Este percurso representa não só uma evolução profissional, mas, acima de tudo, um reforço do compromisso com este projeto, com a partilha de conhecimento e com a melhoria contínua da prática clínica”, escreve na sua Nota Introdutória Bernardo Moreno, fisiatra no Serviço de MFR da ULS de Braga.



O médico faz questão de sublinhar que “a patologia músculo-esquelética da coluna vertebral continua a assumir um papel central na prática clínica nos CSP, sendo uma das principais causas de dor e de incapacidade funcional, com grande impacto socioeconómico na população”. E mais: “A sua elevada prevalência e complexidade exige uma abordagem cada vez mais estruturada, atualizada e multidisciplinar.”

“Este projeto mantém como base o princípio fundamental da articulação entre diferentes especialidades médicas, promovendo uma visão integrada e centrada no doente”, frisa Bernardo Moreno.

Convidado a redigir o Prefácio do livro, Domingos Carneiro de Freitas, diretor clínico da área dos CSP da ULS do Alto Ave, pronuncia-se precisamente sobre a integração de cuidados, que, no seu entender, “deixa de ser apenas um conceito organizacional ou uma ambição estratégica para se afirmar como uma necessidade clínica estruturante”.

“Integrar cuidados é, acima de tudo, integrar pessoas, saberes, decisões e responsabilidades ao longo do percurso de vida e de doença de cada cidadão”, concluindo: “Que este livro sirva como um contributo técnico e um convite ao compromisso profissional com um modelo de cuidados mais integrado, mais humano e equitativo.”


Vale a pena recordar…

Tudo começou quando, com o apoio da Tecnifar, se realizaram, em 2015, as “Tertúlias em Medicina Física e de Reabilitação”, organizadas pelo Serviço de MFR do então Centro Hospitalar do Alto Ave, com coordenação de Rui Vaz e dirigidas a internos de MGF.

Iniciativa que, importa recordar, surgiu na sequência de umas Jornadas que já tinham sido promovidas no final de 2014, subordinadas ao tema “Pontes com os CSP”. O fisiatra de Guimarães explica porquê: “Assistimos a um aumento do pedido de estágios em MFR por parte de internos de MGF, que não dispunham de um manual de formação em patologia músculo-esquelética especialmente dirigida ao médico de família, apesar da sua grande prevalência na consulta, o que nos ajudou a perceber a importância da ligação dos cuidados hospitalares aos CSP.”

Compreende-se que a maioria dos capítulos do que viria a ser o 1.º volume do livro – lançado em março de 2017 -- refletisse aqueles que tinham sido os temas das “Tertúlias em MFR”: “Osteoartrose”, “Osteoporose”, “Ráquis”, “Anca”, Ombro”, “Cotovelo, punho e mão”, “Joelho” e “Tornozelo e pé”. A que Rui Vaz achou por bem acrescentar, nomeadamente, algum conteúdo sobre prescrição de exercício físico.

O 2.º volume (2019) já incluiu temas que lhe iam sendo, entretanto, sugeridos pelos internos de MGF com que contactava. Por exemplo, a questão das lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho, ou a forma de lidar com estas doenças em situação aguda, ou seja, na Consulta Aberta.

Finalmente, o 3.º volume (2021) já foi mais focado na patologia do membro superior e o 4.º volume no membro inferior.


A entrevista completa pode ser lida no Jornal Médico de junho.

Imprimir


Próximos eventos

Ver Agenda