Principais causas da dor de garganta são inflamatórias

Com a chegada do tempo frio, as dores de garganta são mais frequentes. João Ramires, especialista em MGF da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados do Estoril, afirma que as principais causas de dor de garganta, também referida como odinofagia (sensação dolorosa desencadeada pela deglutição), são inflamatórias, “a maioria provocada por infeções virais, mas também por fungos (como a candidíase) ou bactérias (habitualmente, Streptococcus).”

Também há situações em que o refluxo do ácido gástrico atinge a orofaringe e causa inflamação, da mesma forma que bebidas muito quentes ou ácidas podem irritar a mucosa. Mais raramente, refere, “a existência de massas palpáveis no pescoço, com origem na tiroide, nas amígdalas, nas parótidas ou em gânglios, também pode causar dor de garganta”.

Na maior parte das vezes, não carece de qualquer tratamento, pois, trata-se de situações autolimitadas de resolução espontânea. “O tratamento deverá ser apenas sintomático, caso a dor seja incomodativa, com analgésicos ou anti-inflamatórios, tendo em atenção a existência de eventuais contraindicações, e evitando intervalos inferiores a 8 horas entre as tomas para não mascarar a febre”, refere João Ramires.

Segundo o especialista, a prescrição de antibióticos só está aconselhada numa pequena percentagem de casos, devendo ser excluídas situações virais como a mononucleose (que também pode ter “pontos brancos” nas amígdalas). “É importante perceber que mesmo as infeções por bactérias podem curar sem qualquer antibiótico, continuando a penicilina a ser o antibiótico de eleição”, frisa.

E lembra que a penicilina disponível atualmente é a menos alergénea e que muitas das reações se devem à picada intramuscular e não ao fármaco. De qualquer forma, sublinha, “deve ser sempre confirmada a inexistência de reações prévias e só deve ser administrada em locais que disponham de meios para responder a uma eventual reação anafilática”.

Quando procurar ajuda médica?
Segundo João Ramires, em situações de dor de garganta, o utente deve consultar o médico, ou ligar para a Saúde 24, quando os sintomas são muito intensos, com dificuldade em engolir a comida, caso a febre persista ao fim de 72 horas ou seja refratária aos antipiréticos (ou seja, não baixe de 37º C com a medicação), ou caso surjam outros sinais ou sintomas, como lesões cutâneas ou cefaleias (dores de cabeça), ou dificuldade respiratória.




Notícia publicada na edição de novembro do Jornal Médico.

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