Reumatologia Pediátrica: «Os médicos de família têm um papel essencial no diagnóstico precoce»

A educação médica contínua e a capacitação dos pais e doentes são os dois grandes pontos basilares da recente subespecialidade de Reumatologia Pediátrica.

Para o reumatologista J. A. Melo Gomes, “este reconhecimento é fundamental para que as crianças e jovens com doença reumática possam ser acompanhados por quem tem maior competência neste tipo de patologias”. O especialista falou à margem das XVII Jornadas Internacionais de Reumatologia Pediátrica que decorrem nos dias 25 e 26 de novembro e 3 de dezembro, online.

A subespecialidade de Reumatologia Pediátrica foi aceite pela Ordem dos Médicos no passado mês de julho, em plena pandemia. No país existem cerca de 30 médicos, pediatras e reumatologistas, que se dedicam há alguns anos às doenças reumáticas na infância e adolescência. “Num país como o nosso, com 10 milhões de habitantes, são suficientes, porque face à prevalência desta doença não se justifica a presença da Reumatologia Pediátrica em todos os hospitais”, realça J. A. Melo Gomes, em declarações à Just News.

Os desafios que seguem nos próximos tempos, na sua perspetiva, são a formação contínua dos pediatras e reumatologistas e também dos especialistas em Medicina Geral e Familiar, com vista à criação de uma rede de referenciação adequada destas crianças e jovens. “Os médicos de família têm um papel essencial no diagnóstico precoce, daí que seja necessário apostar em ações formativas que os ajudem a suspeitar de determinadas queixas. Desta forma, vai-se conseguir que a referenciação seja o mais precoce possível.”

Este acompanhamento dos mais novos vai evitar sequelas, articulares e outras, que se podem manter toda a vida. “Quando não se iniciam os tratamentos no momento adequado, vão surgir complicações articulares que se vão manter e agravar na vida adulta.”


J. A. Melo Gomes

O adiamento da referenciação é mais que nunca uma preocupação para o reumatologista nesta fase de pandemia. “Os colegas de MGF têm sido chamados para outras tarefas e a população não tem um acesso facilitado às consultas e, apesar de não termos números, percebemos claramente que há menos referenciações e isso pode ser um problema no pós-pandemia.”

A capacitação dos pais e doentes é outro ponto a que é necessário dar-se atenção, segundo o médico. “A sua participação é de fundamental importância.”

Relativamente às XVII Jornadas Internacionais de Reumatologia Pediátrica, das quais é presidente, J. A. Melo Gomes, admite que o formato digital não é o ideal, mas “neste tempo temos que nos adaptar e sempre é preferível do que cancelar a formação médica continuada”.



As Jornadas, organizadas pela Associação Nacional de Doentes com Artrites e Reumatismos da Infância (ANDAI), contam com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da Sociedade Portuguesa de Reumatologia. Na abertura das Jornadas, além de J. A. Melo Gomes, marcam igualmente presença as copresidentes da reunião, a reumatologista Filipa O. Ramos e a pediatra Marta Conde.


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