São João conseguiu duplicar o número de cirurgias de obesidade em 2019

O Centro de Responsabilidade Integrado de Obesidade do CHUSJ obteve, no seu primeiro ano de atividade, e de acordo com o presidente daquele centro hospitalar, Fernando Araújo, “resultados impressionantes”. O balanço foi feito pelo diretor do CRIO, John Preto, no âmbito de uma sessão do projeto da APAH “Caminho dos Hospitais”.

Para o presidente do CA do CH Universitário São João, “os resultados são muito claros” e “um motivo de orgulho não apenas para o hospital mas também para o próprio SNS”. Salientando “a motivação e o empenho” dos profissionais que o integram, frisou que, “realmente, a chave do CRIO são as pessoas”.


Fernando Araújo

Fernando Araújo sublinhou “a capacidade de terem quadruplicado as primeiras consultas, reduzido em um terço a lista de espera e duplicado as cirurgias, não haver doentes em espera há mais de um ano”. E ainda o ter-se conseguido “aumentar a eficiência, diminuindo a demora média no internamento, libertando camas, aumentando a taxa de ocupação do bloco operatório, rentabilizando os recursos”.

Aquele responsável admitiu que John Preto “não teve a vida facilitada”, explicando porquê: “O CRIO teve que trabalhar por si próprio, competir pelos tempos de bloco, arranjar anestesistas e espaços para consultas, e teve que convencer profissionais a aderir ao projeto.”



Fernando Araújo referir-se-ia ao conceito de centro de responsabilidade integrado como “um bom modelo de investigação para se perceber como é que nós podemos organizar de forma diferente o trabalho hospitalar”, com um objetivo claro, a “obtenção de melhores resultados para os doentes”.

Tornar os hospitais competitivos

O subdiretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Francisco Cruz, que falou na abertura da sessão realizada na Aula Magna da FMUP, disse mesmo: “Penso que terá que ser um dos modelos a seguir se quisermos que os hospitais do SNS, inclusive os universitários, se tornem competitivos num mundo onde a competição com estruturas que não são do SNS é cada vez maior.”


Fernando Araújo e Alexandre Lourenço

“Trazemos aqui um exemplo de sucesso e vai com certeza ser muito positivo assistir ao que vai ser transmitido hoje para que este modelo possa ser replicado”, afirmou Alexandre Lourenço. O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) considerou que “será certamente um dos instrumentos que nos permitirá ter maior atratividade para os profissionais do SNS”.

“Como sabem, temos tido um fluxo muito grande de gente de grande qualidade a sair do SNS e estou em crer que este é o modelo para reter os melhores”, disse.



CRIO centrado no doente e na patologia em questão

John Preto explicou muito bem o que se pretendeu com a criação do Centro de Responsabilidade Integrado de Obesidade: “Concentrar os recursos humanos diferenciados e as infraestruturas necessárias para as melhores práticas clínicas, rentabilizando a capacidade do hospital, aumentar os níveis de produtividade, com autonomia responsável da equipa de gestão, criar satisfação e motivação aos profissionais, e tudo isto centrado no paciente e na patologia em questão.”

A situação no final de 2018 revelava haver, no entender de John Preto, “um problema de acesso”, com 3595 doentes à espera da primeira consulta, sendo que a situação mais antiga remontava a 2014. Nessa data, a lista de espera para cirurgia de obesidade incluía 512 pessoas, com uma mediana que ultrapassava os 300 dias”.


John Preto

Libertar camas para outras atividades do hospital representou uma das conquistas do CRIO, reduzindo a duração do internamento dos doentes tratados de 4,46 para 2,47 dias. A demora média pré-operatória também foi diminuída em um terço, quando anteriormente os doentes eram internados um ou dois dias antes da cirurgia.

Relativamente à consulta externa, “a nossa média nos 5 anos anteriores não ultrapassava as 400, mas conseguimos terminar 2019 com quatro vezes mais consultas realizadas”. Isso fez com que o número de utentes à espera de primeira consulta há mais de um ano baixasse de 2792 para 958.

A taxa de ocupação do bloco operatório também melhorou de forma significativa, o que contribuiu para concretizar 580 cirurgias em 2019, mais do que duplicando as 273 de 2018.

“No final de 2018 eram 98 os doentes que esperavam há mais de um ano por uma cirurgia e terminámos 2019 sem qualquer registo nessa situação”, sublinhou John Preto, acrescentando: “Em 2018, 27 doentes de tratamento cirúrgico da obesidade tinham sido transferidos para outras instituições e em 2019 conseguimos que nenhum o fosse.”


Ricardo Mestre, Alexandre Lourenço, Adalberto Campos Fernandes, Fernando Araújo e John Preto

A reunião contou ainda com as intervenções de Adalberto Campos Fernandes e de Ricardo Mestre. O professor universitário e ex-ministro da Saúde proferiu a conferência "Novos modelos de gestão hospitalar" e o vogal da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) fez o ponto da situação dos CRI em Portugal, com uma "avaliação nacional da implementação".


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