Serviço de Neurocirurgia do CH de S. João presta apoio aos doentes no pré e pós-alta

Está disponível na edição de fevereiro do Jornal Médico uma reportagem que retrata e explica como funciona o projeto ADN – Apoio ao Doente Neurocirúrgico –, desenvolvido pelo Serviço de Neurocirurgia do Centro Hospitalar de S. João (CHSJ), no Porto.

Desde 2005 que presta apoio no pré e pós-alta aos doentes do foro neurocirúrgico. Em 2013, o projeto realizou 484 visitas domiciliárias, mais 164 do que em 2012. No futuro, pretende-se ampliar a interligação entre os Cuidados de Saúde Primários (CSP) e este projeto. O objetivo é poder prestar um serviço cada vez melhor e conseguir atingir um maior número de doentes.

Os diagnósticos mais frequentes dos doentes internados no Serviço de Neurocirurgia do CHSJ são, de acordo com Rui Vaz, seu diretor, a patologia tumoral, a patologia traumática e a patologia da coluna. Abrange ainda todo o universo da patologia neurocirúrgica (vascular, infeciosa e pediátrica). O Serviço dispõe, atualmente, de 43 camas de internamento.

Após a alta, muitos destes doentes ainda apresentam dependência para algumas atividades da vida diária, necessitando de apoio domiciliário, nomeadamente ao nível da reabilitação e ajudas técnicas que, por vezes, dado o atual contexto socioeconómico, são difíceis de providenciar na comunidade.

Segundo Rui Vaz, em declarações ao Jornal Médico, habitualmente, uma das lacunas do trabalho hospitalar prende-se com o facto de, após a alta, o doente ser orientado para a consulta e os contactos reduzirem-se substancialmente. “Neste serviço, lutámos contra isso. Entendemos que essa era uma falha importante, sobretudo nos doentes oncológicos”, menciona, referindo-se objetivamente à criação do projeto ADN.

O responsável considera que, em Portugal, habitualmente, apenas se fazem contas ao que se gasta e não ao que se poupa com gastos diretos e indiretos. “Não devemos pensar em quanto é que se poupa, mas quanto é que vale a qualidade de vida do doente por estar em casa e a redução de custos em termos de internamento e de consultas desnecessárias que podem ser resolvidas no domicílio”, defende.

Rui Vaz entende que é preciso ter juízo crítico suficiente para saber valorizar o trabalho que é feito nesta área. Para o médico, é necessário mais apoio, porque o que existe é ainda insuficiente, dadas as múltiplas limitações que há. “A quantidade e o apoio precisam de ser melhorados, mas para isso é preciso haver verba”, considera.

O diretor do serviço faz questão de sublinhar ainda a articulação do projeto ADN com os CSP, classificando-a como “um ponto-chave”, pois permite melhorar o apoio prestado pela equipa do Serviço de Neurocirurgia, assim como alargar o leque de doentes abrangidos. “Pretendemos juntar os cuidados de Enfermagem com os cuidados da especialidade e os CSP”, observa, adiantando que, no futuro, o Serviço procurará ampliar a ligação do projeto com os CSP.

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