SPAIC defende maior reconhecimento do imunoalergologista por parte das administrações hospitalares

As administrações hospitalares deveriam dar mais atenção ao imunoalergologista, que tem um “papel fundamental na prevenção, tratamento e acompanhamento das alergias”. O alerta é de Elisa Pedro, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunoalergologia Clínica (SPAIC), que falou à Just News à margem das 2.as Jornadas de Imunoalergologia do Hospital à Comunidade.

O evento, organizado pela Luz Saúde, teve lugar no Hospital Beatriz Ângelo (HBA), em Loures, e reuniu enfermeiros e médicos de diferentes especialidades. “Cerca de 30% da população sofre de alergias, uma em cada quatro crianças são alérgicas, logo é tempo de dar a devida atenção ao trabalho do imunoalergologista, o médico de família das alergias”, defendeu Elisa Pedro.

No seu entender, as administrações poupam com a contratação destes profissionais, “porque têm uma visão holística do doente, evitando que quem sofra de mais de uma alergia tenha de se deslocar a um pneumologista, a um alergologista, ou a um otorrinolaringologista…”

A responsável relembra que as alergias tendem a aumentar, sendo as mais comuns a rinite e a asma alérgica, além das alimentares e medicamentosas. “O imunoalergologista não trata apenas a doença, como tem um papel essencial na prevenção.” Prevenir é “imperativo, não apenas por existir uma tendência para aumentar este tipo de patologias que põem em causa a saúde da comunidade, mas também como forma de evitar as situações limite, como a anafilaxia, que pode ser letal.”

Olhando para o futuro da especialidade, considera que é “negro”. “Existem poucas vagas, principalmente a nível distrital, o que impede um acesso mais equitativo à Imunoalergologia.”

Nas jornadas foram abordadas as várias doenças alérgicas que podem surgir ao longo da vida, nomeadamente na gravidez. Elisa Pedro foi a responsável pela palestra sobre “Gravidez e Alergia” e alertou para “um conhecimento escasso dos profissionais de saúde, nomeadamente, ginecologistas e obstetras, que mandam parar com toda a medicação, uma prática errada. E explica porquê: “A maioria dos medicamentos pode ser utilizada pela grávida, existindo um maior risco em descontinuá-los.”

O evento realiza-se, de forma alternada, pelo HBA e pelo Hospital da Luz, segundo explicou à Just News José Rosado Pinto, coordenador do Serviço de Imunoalergologia do Hospital da Luz e membro do Comité de Ética da European Academy of Allergology and Clinical Immunology , que deu uma palestra sobre “Ética em Imunoalergologia”, dando a conhecer o novo código ético da especialidade.

A sessão de abertura contou com a presença de Elisa Pedro, Rui Maio, diretor clínico do HBA, e José Roquette, diretor clínico do Hospital da Luz.




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