Técnicas ecoguiadas em MFR: «precisão da injeção permite cortar o ciclo da dor rapidamente»

Estão agendadas para os dias 11 e 12 de dezembro de 2020 as I Jornadas Ibéricas de Intervencionismo Ecoguiado na Dor e Espasticidade. O evento, a decorrer em Lisboa, é presidido pelos fisiatras Rui Sales Marques e Manuel Rodriguez-Piñero Durán, membros do Grupo de Interesse em Ecografia (GriECO) da SPMFR e do Grupo de Trabajo de Rehabilitación Intervencionista (GTRI) da Sociedade Espanhola de MFR (SERMEF), respetivamente.


Rui Sales Marques e Manuel Rodriguez-Piñero Durán

Em declarações à Just News, Rui Sales Marques realça que Espanha está mais avançada em termos de uso de técnicas ecoguiadas em MFR, mas que Portugal também está a fazer o seu caminho. “Em Espanha já são realizadas por fisiatras há vários anos, estando também os serviços bem equipados. No nosso país, é mais recente, daí que em alguns serviços ainda não haja ecógrafos.”

Contudo, o médico assistente de Medicina Física e de Reabilitação (MFR) no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) considera que está a ser feito “um esforço global” para que o intervencionismo ecoguiado se torne generalizado nos serviços de MFR.

E acrescenta: “Cada vez mais médicos internos e especialistas em MFR investem nesta vertente e prova disso é o mestrado Ibérico em Ecografia Musculoesquelética e Intervencionismo Ecoguiado que teve a primeira edição no nosso país este ano com todas as vagas preenchidas.” 

O coordenador português, que tem uma pós-graduação em Medicina Desportiva pela Universidade do Porto e um mestrado em Ecografia Músculo-Esquelética e Intervencionismo Ecoguiado, evidencia a grande vantagem dos procedimentos ecoguiados: "Relaciona-se com o aumento da precisão da injeção, uma vez que esta é feita com a visualização da agulha, atribuindo também mais segurança, pelo controlo de estruturas major durante o procedimento".

Rui Sales Marques  não tem qualquer dúvida sobre as mais valias e o alcance destes procedimentos, motivo pelo qual tem procurado impulsionar a sua utilização em Portugal. Na sua opinião, “a maioria das patologias articulares, tendinosas e musculares, assim como lesões de sobrecarga ou degenerativas beneficiam destas técnicas, seja para cortar rapidamente o ciclo da dor e se iniciar o processo de reabilitação, como para complementar um tratamento conservador que não esteja a ser suficientemente eficaz.”

 

As patologias/sintomas que podem beneficiar com estas técnicas são a espasticidade de diversas etiologias (AVC, por exemplo), artrose, tendinites, roturas musculares, dor pós-cirúrgica, dor nociceptiva, dor neuropática, entre outras.

Quanto a outros projetos que poderão ser desenvolvidos com os colegas espanhóis, Rui Sales Marques diz que, após a realização conjunta do Mestrado e das Jornadas Ibéricas, seguir-se-á o reforço junto da comunidade científica da eficácia destes procedimentos na melhoria da qualidade de vida dos doentes e no regresso “mais rápido” à atividade laboral, assim como a elaboração de estudos multicêntricos.



De acordo com Rui Sales Marques, este será um evento  de periodicidade bianual, alternando entre Portugal e Espanha, "com formadores, moderadores, oradores e convidados dos dois países que estão numa fase crescente e empolgante no que se refere a técnicas intervencionistas na dor e espasticidade". 

Pode ser consultada mais informação aqui.

 

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