«Temos condições únicas para sermos o primeiro cluster biomédico do país»
Por ocasião do Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, assinalado a 20 de maio, a ULS de Santa Maria promoveu, na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), o Dia da Investigação Clínica, um evento subordinado ao tema “Inovação terapêutica e ensaios clínicos”. Ao intervir na sessão de abertura, Carlos Martins assegurou que a ULS a que preside e o seu Centro de Investigação Clínica (CIC) tornar-se-ão, num futuro próximo, “ainda mais competitivos e atrativos, em termos nacionais e internacionais”.
“Somos hoje um ecossistema top tier porque temos prestígio, alta qualidade, competitividade, publicações e recrutamento científico, centrado na proximidade, na colaboração, na partilha de conhecimento, na inovação, na atração de investimento e de talento”, sublinhou Carlos Martins, o presidente do Conselho de Administração da ULS de Santa Maria.
E sustentou a afirmação recorrendo ao SCImago Institutions Ranking 2025, que, relativamente a Portugal, coloca o atual Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM) em 2.º lugar no setor dos institutos de investigação (o IMM era 3.º em 2015) e a ULSSM em 1.º no setor dos hospitais (o CHULN era 2.º em 2015), “demonstrando um crescimento muito positivo na última década”.
De referir que, para além de Carlos Martins, a mesa de abertura deste Dia da Investigação Clínica incluía João Eurico Cabral da Fonseca, diretor da FMUL, Cláudia Faria, em representação do CA do GIMM, Patrícia Pereira, presidente da Escola Superior de Enfermagem da UL (ESEUL), e ainda, da ULSSM, Luís Costa, diretor do CIC, Ana Isabel Lopes, diretora clínica para a área dos cuidados hospitalares, e Carla Martins Ribeiro, enfermeira diretora.
Datas marcantes
Carlos Martins considerou importante recordar acontecimentos marcantes na história do “cluster biomédico de excelência que temos no nosso ecossistema”, como a criação, em 2002, do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e, em 2009, do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML), um consórcio formado pelo CHLN, a FMUL e o IMM.
Em 2015 foi criado o CIC, atualmente, “o maior centro de ensaios clínicos do país, com um crescimento de 300% desde 2019”, relativamente ao qual foi adotado "um modelo de gestão integrada” e que, de forma pioneira, “partilha a maior parte do financiamento com as equipas multidisciplinares”.
Em 2018 foi assinado um memorando de entendimento entre o CHULN e o START USA, a maior organização internacional de ensaios clínicos oncológicos de fase 1, tendo a atividade do START Lisbon começado em 2024.
Entretanto, em 2023, surgiu o GIMM, que resultou da fusão do IMM João Lobo Antunes com o Instituto Gulbenkian de Ciência. Finalmente, em 2025, a agora ESEUL integrou o CAML, o único a incluir uma escola de Enfermagem, a que se juntou a Escola Superior de Saúde de Lisboa (ESSL) já em maio de 2026.
“Todos estes momentos de decisões estratégicas mais não foram do que as alavancas para o sucesso de uma visão centrada na ambição de afirmação nacional e de competitividade internacional na investigação clínica, com resultados claros que todos sentimos e conhecemos, sobretudo na última década”, frisou Carlos Martins.
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Carlos Martins: “O HSM é o motor do crescimento e do desenvolvimento desta área estratégica”.
“Temos condições únicas para sermos, inequivocamente, o primeiro cluster biomédico do país e para nos posicionarmos ainda mais nos principais tops internacionais, pelas instituições e organizações que existem no Centro Académico de Medicina de Lisboa”, considera o presidente da ULSSM, destacando o Hospital de Santa Maria como “o motor do crescimento e do desenvolvimento desta área estratégica”.
Carlos Martins adiantou ainda que, no que à investigação clínica diz respeito, “o plano de investimentos para 2026/2027 e a reorganização em curso tornarão o CIC e a ULSSM ainda mais competitivos e atrativos, em termos nacionais e internacionais”.
“Um dos maiores e mais diferenciados polos de IC translacional em Portugal”
Na sua intervenção, Ana Isabel Lopes fez questão de destacar a relevância do Centro de Investigação Clínica, referindo que o mesmo se posiciona “como um dos maiores e mais diferenciados polos de IC translacional em Portugal”. E acrescentou mesmo ter a ULSSM, “inquestionavelmente, o maior centro hospitalar público em massa crítica de doentes, de profissionais e de investigadores em ensaios ativos”.
Referiu, a esse propósito, os 300 estudos ativos -- dos quais 233 ensaios clínicos intervencionais e 65 estudos observacionais -- e as centenas de doentes incluídos anualmente. Também disse que “o CIC representa uma verdadeira plataforma de inovação terapêutica em áreas como oncologia, hemato-oncologia, neurologia, cardiologia, reumatologia, doenças imuno-inflamatórias, doenças raras, infeção e virologia”.
Ana Isabel Lopes
A diretora clínica para a área dos cuidados hospitalares salientou o facto de, em conjunto com o CIC, a Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT), a Farmacologia Clínica e o Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica (SGTF) “formarem a infraestrutura que permite ao Hospital de Santa Maria funcionar como um verdadeiro centro académico de inovação terapêutica integrada”.
“O SGTF desempenha na ULSSM um papel estruturante no funcionamento integrado entre assistência clínica, inovação terapêutica, gestão do medicamento e segurança do doente, sendo uma peça-chave de suporte técnico e operacional ao circuito do fármaco em ambiente hospitalar”, destacou Ana Isabel Lopes, para concluir:
“É nesta rara combinação entre escala hospitalar, excelência académica e capacidade de inovação clínica que assenta precisamente o potencial do CIC-CAML, posicionando Santa Maria como um ecossistema único em Portugal, capaz de ligar ciência fundamental, prática clínica e inovação terapêutica num mesmo centro académico.”
Luís Costa, Carla Martins Ribeiro, Ana Isabel Lopes, Carlos Martins, João Eurico Cabral da Fonseca, Cláudia Faria e Patrícia Pereira


