Terapêutica celular para o linfoma difuso de grandes células B recebe parecer positivo da EMA

O Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia do Medicamento (EMA) deu um parecer positivo à introdução da terapêutica celular com células T modificadas , “CAR-T cells”, no tratamento do linfoma difuso de grandes células B na União Europeia. José Mário Mariz, diretor da Clínica de Onco-Hematologia do IPO-Porto, considera que esta é uma “excelente notícia”.

Em declarações à Just News, o especialista menciona que esta abordagem terapêutica, que pertence à nova geração de imunoterapias personalizadas, consegue modificar as células T do sistema imunitário do próprio doente, que, por sua vez, são capazes de reconhecer e atacar, especificamente, as células tumorais.



Este parecer positivo da CHMP é, no seu entender, um “passo importante” para os doentes que vivem com linfoma difuso de grandes células B refratário ou em recidiva após duas ou mais linhas de tratamento, na medida em que esta terapêutica pode ser uma “mais-valia”.

José Mário Mariz salienta que, pelo facto de se tratar de uma terapêutica individualizada, tem de ser preparada caso a caso: “Para a produção das ‘CAR-T cells’ será necessário submeter o doente a um processo de aférese para proceder à colheita de linfócitos T. Os linfócitos T colhidos serão enviados para um laboratório especializado, fora do país, onde vão ser submetidos a um processo de proliferação e introdução de novos genes que vão capacitar os linfócitos T a reconhecerem as células tumorais”, explica. E prossegue:

“Depois desta manipulação, os linfócitos T são reencaminhados ao hospital de origem do doente. Este será submetido a quimioterapia convencional para reduzir o tumor e criar condições para que os linfócitos T proliferem com mais facilidade. Após a quimioterapia, os linfócitos T submetidos a manipulação serão infundidos no doente e iniciarão um processo de ataque às células tumorais.”

Os linfomas difusos de grandes células B são a forma mais comum dos linfomas não-Hodgkin. Segundo José Mário Mariz, este subtipo de linfoma é uma doença muito agressiva e, quando não está controlada, os doentes acabam por não sobreviver muito tempo. “As células proliferam muito rapidamente, o que conduz à acelerada degradação clínica do doente”, sublinha.

"Será mais uma arma terapêutica"

O parecer favorável do CHMP sobre esta terapêutica, que integrou o programa PRIME (Medicamentos Prioritários) da EMA em 2016, vai ser analisado pela Comissão Europeia, organismo com competência para aprovar os medicamentos a utilizar nos 28 países da UE, Islândia, Liechtenstein e Noruega.



“Embora saibamos que a terapia celular com células T modificadas não vai resolver todos os problemas que temos, a expectativa é grande, pois, será mais uma arma terapêutica que vai ajudar alguns doentes”, conclui José Mário Mariz.



A notícia pode ser lida no Hospital Público de setembro.

seg.
ter.
qua.
qui.
sex.
sáb.
dom.

Digite o termo que deseja pesquisar no campo abaixo:

Eventos do dia 24/12/2017:

Imprimir