Tratar a dor dos doentes e assegurar a formação apesar da pandemia: «Não vamos desistir»

É já este sábado que se realiza o ASTOR 2021 - 28.º Congresso de Medicina da Dor, um evento organizado pelo Centro Multidisciplinar de Dor Beatriz Craveiro Lopes (CMDBCL) do Hospital Garcia de Orta (HGO). Este ano, pela primeira vez, será totalmente online.

"Vencedores na resiliência"

Esta edição ganha particular relevância pelos grandes obstáculos criados pela pandemia e, precisamente, pela importância de assegurar a partilha de conhecimentos e de boas práticas a variados profissionais e pelo incentivo à investigação na área.

Os participantes vão poder participar em 30 mini palestras, chat-roomsworkshops e vídeo-chats, além de se contar com a presença de artistas convidados.  "Tem constituído um grande desafio a toda a comissão organizadora, em especial para o Dr. Javier Duran, o atual presidente da ASTOR”, afirma Alexandra Reis, diretora do CMDBCL.

“Sem falsas modéstias, podemos dizer que somos vencedores na resiliência, na obstinação em manter este evento sem um único ano de interrupção, pese embora os inúmeros obstáculos com que nos deparamos diariamente”, refere a responsável, recordando que, em última análise, são os doentes que beneficiam desta atualização científica dos profissionais, pois seguramente contribui para a "prestação de melhores cuidados".



Não ceder ao "cilindro compressor da pandemia"

A responsável revela que são muitos os desafios que o CMDBCL tem vindo a enfrentar, começando pela deslocalização do Centro para um espaço mais pequeno por causa do aumento do número de internados com covid-19. Mesmo assim, garante que a equipa se mantém “coesa, positiva e cheia de ‘garra’ para tratar os inúmeros doentes”.

E sublinha: “Sempre com otimismo e pensamento positivo em relação ao futuro."

A anestesiologista refere que, "naturalmente, o CMDBCL, tal como os outros serviços assistenciais médicos e cirúrgicos, sofreram, sofrem e sofrerão pelo menos nos tempos mais próximos, o cilindro compressor da pandemia". Contudo, assegura: "Mas não vamos desistir.”


Alexandra Reis

Utentes estão a faltar muitas vezes

Alexandra Reis adverte que as múltiplas questões relacionadas com a dor podem-se agravar também pelo medo de as pessoas se dirigirem ao hospital: “Nos primeiros quatro meses da pandemia faltaram com frequência, nos seguintes o ritmo foi normal e, mais recentemente, voltaram a faltar muitas vezes.”

Uma situação preocupante para a diretora, à qual se acresce as consultas de seguimento por telefone. É possível dessa forma prestar algum apoio, mas o certo é que é causa de “bastante frustração”, por a prática clínica ficar “de algum modo comprometida”.

A atividade do Hospital de Dia manteve-se para as situações mais críticas, mas o Bloco Operatório está parado desde novembro, “limitando também a formação dos estagiários de diversas especialidades médicas e não médicas”.


Alexandra Reis e Javier Duran

Relativamente ao congresso que se realiza no sábado, e a propósito da sua "grande utilidade para muitos profissionais", Alexandra Reis adianta que foram já ultrapassadas as três centenas de inscrições. O que não vai mesmo ser possível realizar é o EcoASTOR, o curso de técnicas de intervenção em dor com uma componente prática. O programa pode ser consultado aqui.

 

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