ULS do Alto Ave criou equipas multidisciplinares de integração de cuidados

O médico Pedro Guimarães Cunha conversou com a Just News na sua qualidade de presidente do CA da ULS do Alto Ave, entidade que agrega o Hospital Senhora da Oliveira – Guimarães e mais de quatro dezenas de diferentes tipos de unidades de CSP.

À frente desta unidade local de saúde desde que a mesma foi criada, no início de 2024, é com entusiasmo que fala do projeto “Descentralização de Consultas Hospitalares para os CSP” e de um outro que derivou daquele – “Equipas Multidisciplinares de Integração de Cuidados”.

No caso deste último, já distinguido com o Prémio IMPULSO, colocando à disposição de cada USF um cirurgião, um internista, um ginecologista/obstetra, um pediatra, um ortopedista e um fisiatra a responder conjuntamente com os especialistas de Medicina Geral e Familiar às necessidades dos utentes. “São dois projetos que acabam por estar entrelaçados”, diz.


Pedro Guimarães Cunha

A ULS do Alto Ave implementou um projeto de descentralização de consultas hospitalares para os cuidados de saúde primários que aparenta ter alguma complexidade, mas que, pelos vistos, a prática vem demonstrando que funciona. O presidente do CA explica que “foi desenhada uma estratégia que teve um trinómio específico na sua base de conceção”.


Pedro Guimarães Cunha esclarece ser necessário considerar três aspetos: identificar o utente que reside num certo local e que necessita de recorrer a uma determinada especialidade hospitalar, apurar qual o médico que, assegurando consultas nessa área, habita na mesma zona, e, finalmente, verificar qual das 28 unidades de saúde familiar é a mais apropriada para disponibilizar o espaço físico indispensável para que a consulta em causa se realize.

“Conseguimos, desta forma, que médico e doente não tenham que se deslocar ao hospital, possibilitando que a consulta aconteça próximo do local de residência de ambos, eventualmente até na mesma USF onde o utente está inscrito. Isto depois de, obviamente, termos apurado quais as consultas que apresentavam um número de utilizadores que justificasse a implementação desta solução”, afirma, referindo que o especialista entra informaticamente no seu ambiente de trabalho da mesma forma que o faria no hospital.

Para além da mais-valia em termos de mobilidade dentro da ULS do Alto Ave, tanto para o utente como para o próprio médico, Pedro Guimarães Cunha salienta outro aspeto positivo que advém da implementação deste projeto:

“A presença física de especialistas hospitalares em unidades dos CSP é uma excelente oportunidade para promover espaços de discussão com os colegas de Medicina Geral e Familiar. Isso vai intercruzando conhecimento e promovendo uma estratégia comum de abordagem de problemas médicos, permitindo, inclusive, estratificar os níveis de ação.”

Tendo este projeto arrancado depois do verão de 2024, foram realizadas no último trimestre desse ano 525 primeiras consultas hospitalares em ambiente de CSP, tendo esse número subido para 3800 em 2025, a que há que adicionar todas as consultas subsequentes, envolvendo atualmente 12 diferentes especialidades.



Equipas multidisciplinares favorecem integração de cuidados

A implementação no terreno do modelo de descentralização de consultas, que veio fomentar a aproximação entre os especialistas hospitalares e os médicos de família, acabou por levar a ULS do Alto Ave a implementar, em 2025, um segundo projeto, intitulado “Equipas Multidisciplinares de Integração de Cuidados”.

Em cerimónia realizada em novembro último, este seria mesmo distinguido no âmbito dos Prémios IMPULSO 2025, a 1.ª edição de uma iniciativa da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) financiada pela Comissão Europeia e que tem o apoio do Escritório Europeu da Organização Mundial de Saúde para os Cuidados de Saúde Primários.

“Nós percebemos que os nossos médicos de família tiravam bastante proveito dos contactos com os seus colegas do hospital e vice-versa, originando interações muito produtivas.

Decidimos assim criar para cada uma das 24 USF que temos uma equipa de consultadoria constituída por profissionais das várias especialidades envolvidas no projeto, que são, para já, a Medicina Interna, a Cirurgia Geral, a Ortopedia, a Ginecologia/Obstetrícia, a Pediatria e a Medicina Física e de Reabilitação”, diz Pedro Guimarães Cunha.

Embora estejam disponíveis para serem contactados se tal for necessário, cada USF possui um calendário que permite aos seus médicos de família saberem exatamente para quando está agendada a presença física na unidade de cada um dos diferentes especialistas do Hospital Senhora da
Oliveira. Será então a ocasião apropriada para se avaliarem casos específicos e até, eventualmente, chegar a um consenso sobre a melhor forma de orientar os doentes.

“É uma estratégia extraordinariamente interessante e que foi muito bem acolhida pelos profissionais de ambos os níveis de cuidados porque permite, de facto, que haja uma discussão que conduza à melhor solução para o utente, que na maior parte das vezes nem faz ideia que a sua situação clínica está a ser abordada dessa forma”, afirma o presidente do CA da ULS do Alto Ave, que ainda acrescenta:

“Esta intervenção multidisciplinar também facilita muito quando é necessário proceder a uma transição entre níveis de cuidados, trate-se da simples referenciação para uma consulta hospitalar, do encaminhamento para hospital de dia ou da admissão em hospitalização domiciliária. O projeto está a dar os seus primeiros passos, não tem sequer um ano de existência, mas estou convicto de que mostrará, por exemplo, ser possível um utente ter acesso a diferentes cuidados de saúde sem ser pela porta da Urgência.”


A entrevista completa com Pedro Guimarães Cunha pode ser lida na edição de julho 2026 do Jornal Médico.

Imprimir


Próximos eventos

Ver Agenda