Um em cada cinco portugueses adultos sofre de anemia

Em entrevista ao Jornal Médico, António Robalo Nunes, médico imunohemoterapeuta e presidente do Anemia Working Group Portugal – Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia (AWGP), salienta que um em cada cinco portugueses adultos sofre de anemia. Na sua opinião, os profissionais da Medicina Geral e Familiar têm um papel fundamental no combate a “esta epidemia oculta”.

“É preciso dar mais atenção à anemia, que é um sinal de alerta e não um diagnóstico final. Estamos perante uma epidemia oculta, que nem sempre é valorizada pela população e pelos profissionais de saúde, apesar de se tratar de uma questão de saúde pública”, refere António Robalo Nunes.

De acordo com o estudo EMPIRE, realizado pelo AWGP, em 2013, existem 19,9% de portugueses adultos com anemia, o que corresponde a um em cada cinco portugueses.

“A OMS estimava que a percentagem seria de 15%, tendo em conta que vivemos num país desenvolvido, mas os resultados revelaram-se mais preocupantes”, refere o especialista. E acrescenta: ”Não nos podemos esquecer que estamos a falar de um sinal de alerta e não de uma doença. Subjacente ao problema podem estar associadas patologias tão graves como doenças inflamatórias, autoimunes ou neoplasias.”

No estudo, verificou-se ainda que um em cada três indivíduos está em risco de vir a ter anemia, perante os valores baixos de ferro que já apresentam. “É urgente tomar medidas concretas, perante estes resultados, que se tornam ainda mais alarmantes se se tiver em conta que 84% dos que estavam anémicos e participaram no estudo não o sabiam.”

Reunião Anemia 2014 - Um Desafio para o Século XXI

Ao longo dos dias 28 e 29 de novembro, o AWGP vai reunir, no Hotel Altis Park, em Lisboa, vários especialistas de saúde.

A Reunião Anemia 2014, que tem como responsável Dialina Brilhante, diretora do Serviço de Imunohemoterapia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, vai trazer a debate várias temáticas, como anemia e dádiva de sangue, anemia no doente oncológico, hemoglobinopatias, anemia na mulher grávida e na menopausa, entre outros.

O programa pode ser consultado aqui.

Inscrição:
- até 22 de novembro: 100€
- após 22 de novembro: 150€
A inscrição pode ser efetuada online aqui.

O que é o Anemia Working Group Portugal – Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia?

Trata-se de um grupo multidisciplinar, sem fins lucrativos e com independência científica, constituído por médicos de várias especialidades, para os quais a anemia representa um interesse comum. O objetivo central é posicionar a anemia na plataforma de importância que tem, enquanto entidade clínica própria e pelo impacto que assume no contexto de outras patologias, com vista à constituição de um centro de competência para o estudo deste importante problema de saúde pública nas suas diversas vertentes.

Além de apostarem na realização de estudos e formações para profissionais de saúde, também pretendem (in) formar a população portuguesa, “para estar mais atenta a determinados sintomas e, sobretudo, de forma a optarem por uma alimentação mais equilibrada e diversificada, “que possa ajudar a prevenir e a controlar, por exemplo, a deficiência de ferro como causa principal de anemia”.

António Robalo Nunes destaca a petição pública para que se institua o Dia da Anemia e que está disponível aqui.




A entrevista completa com António Robalo Nunes pode ser lida na edição de novembro do Jornal Médico.

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